Por Mauro Santayana
Os mesmos jornais que atacam a Petrobras revelaram, ontem, que a empresa foi, entre as não financeiras, a mais lucrativa das Américas, no segundo trimestre deste ano. Isso comprova que está sendo bem administrada. No passado se dizia que o melhor negócio do mundo era uma empresa de petróleo, e que o segundo melhor negócio do mundo continuava sendo uma empresa de petróleo, mesmo mal administrada. Se a Petrobras foi a empresa mais lucrativa da América – e na mesma lista não se encontram outras empresas petrolíferas – reforça-se o êxito da empresa criada por Vargas. Não há por que apelar para o concurso das petrolíferas estrangeiras na exploração do pré-sal. O contrário é que é o certo, e a Petrobras tem participado, com êxito, da exploração de petróleo no exterior, principalmente em associação com empresas também estatais.
Defensor da iniciativa privada, o ex-ministro Delfim Netto prefere não distinguir as empresas estatais das empresas privadas, senão pelo fato de serem bem ou mal dirigidas. A Petrobras, mesmo em seus anos piores, tem sido bem administrada porque, se os diretores nomeados falham, o corpo histórico de técnicos e administradores sabe cumprir seu dever e resistir – como resistiu ao golpe de 1997, perpetrado com a legislação conseguida pelo presidente Fernando Henrique, ao desfigurar a grande empresa.
Se os mais jovens soubessem que a Petrobras tem sido, desde suas primeiras horas, vitória da pertinácia nacional, estariam nas ruas, como estiveram seus pais e avós, repetindo o slogan poderoso de há mais de 50 anos: o petróleo é nosso. Ao reservar para o povo brasileiro o óleo fora das áreas de concessão, infelizmente já outorgadas aos estrangeiros, o atual governo volta sim, ao passado, como é da conveniência de nosso povo. Os que promoveram a amputação da Petrobras, durante o governo dos tucanos de São Paulo, voltam a se mobilizar contra o projeto do governo federal. O governo Lula está agindo constitucionalmente. Apesar de todos seus esforços, o senhor Fernando Henrique não chegou a quebrar o monopólio da União sobre o petróleo. Falam hoje da necessidade de que haja discussão, como se a sociedade, que se manifestou como pôde em defesa da estatal, tivesse sido ouvida em 1997, quando o governo repetia, com entusiasmo, o pensamento único neoliberal, e contava com a grande mídia para impô-lo ao Congresso e aos “formadores de opinião”. Convém que as normas do processo se definam imediatamente. Não há melhor momento para começar a construção do futuro do que agora.
Mesmo que haja excesso de otimismo com relação às jazidas do pré-sal, será imperdoável erro histórico não viabilizar a exploração das novas reservas. Todos os argumentos dos oposicionistas não dissimulam os interesses que se encontram por detrás de seus atos. Tal como no passado, começam a surgir institutos, associações e movimentos, com seus “consultores”, para contestar o controle da exploração do petróleo pelo Estado. Há quem diga que o petróleo não tem futuro. Se não tem futuro, tem presente. É pelo petróleo que os norte-americanos estão matando e morrendo no Iraque e no Afeganistão.
A matança dos inocentes
Duas notícias, destas horas, deviam mover a consternação e a indignação da sociedade brasileira. O assassinato de uma adolescente, em favela de São Paulo, por um agente da polícia municipal de São Caetano do Sul, provocou a reação irada da população. O Estado, há muito tempo, não tem conseguido preparar suas forças para manter a ordem. A jovem Ana Cristina foi baleada quando os guardas municipais perseguiam um homem, suspeito de roubar um carro. Para recuperar um veículo, mataram uma pessoa.
Ao retirar grupo do MST de uma fazenda que ocupava, em São Gabriel, a polícia militar gaúcha, além de assassinar pelas costas um lavrador, e de usar armas que provocam choque elétrico, cães, cavalos e bombas, aterrorizou e torturou, física e psicologicamente várias crianças. Um bebê foi ferido por estilhaços no rosto. O fato será denunciado ao Ministério Público pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
O ex-presidente da ANP, senhor David Zylberstein, genro do ex-presidente Fernando Henrique, disse que estatizar o petróleo é coisa de país com baixo IDH. É o que devemos então fazer, com o índice de desenvolvimento humano que temos, e que os fatos de Heliópolis e de São Gabriel confirmam.
Pinçado de:
http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=15315
Tudo junto e misturado
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
São Paulo em transe
Em 2 de fevereiro deste ano, a policia militar paulista reprimiu duramente protesto feito por moradores da favela de Paraisópolis (zona oeste de São Paulo) por conta de um morador local ter sido morto por policiais que o consideraram “suspeito”. A favela permaneceu ocupada pela polícia por meses, fazendo ainda mais dura a vida da comunidade.
No mês passado, a mesma polícia militar jogou no olho da rua cerca de 800 pessoas que viviam em barracos em um terreno na região do Capão Redondo, zona sul da capital paulista. A operação teve como objetivo devolver o terreno à empresa de ônibus Viação Campo Limpo. Até agora, as famílias estão vivendo pelas ruas da cidade.
Nesta terça-feira, 1º de setembro, moradores da favela de Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, protestaram contra a morte de uma estudante de 17 anos, morta pela polícia na noite anterior. O protesto teve inicio por volta das 19h. O grupo queimou ônibus e carros, bloqueou acessos à favela e continua sendo reprimido pela Polícia.
Dos 14 índices de criminalidade medidos pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 10 cresceram A Secretaria registrou aumento expressivo nos casos de roubo, estupro, latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio em todo o Estado.
Segundo dados divulgados na semana passada, somente na capital foi contabilizado um aumento de 80% nos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), quando comparado com o primeiro trimestre de 2008.
Em qualquer área social de São Paulo, os números são catastróficos. Saúde, Educação, Saneamento Básico, Segurança Pública... Os salários de professores, policiais, médicos, estão entre os piores do país. A mendicância só faz aumentar em todo Estado, bem como a favelização.
No mês passado, porém, o instituto de pesquisas Datafolha detectou que o governador José Serra é aprovado por 57% dos paulistas. A taxa dos que consideram a gestão de Serra ótima ou boa tem apresentado evolução constante. Era de 39% em março de 2007, subiu para 49% em novembro do mesmo ano e foi a 53% em março de 2009.
Qual é a explicação para esse fenômeno? Por que os paulistas e, sobretudo, os paulistanos (como são chamados os paulistas da capital), que vivem cada vez pior, não associam seus problemas ao governo do Estado, que tem atuado tão mal?
O que ocorre em meu Estado é que desde que Mario Covas se elegeu governador, em 1994, a imprensa paulista simplesmente acoberta todo e qualquer problema relativo ao Estado. E quando não há como esconder, atribui ao governo federal a responsabilidade que é do governo do Estado.
Foi assim, por exemplo, em 2006, quando a facção criminosa PCC pôs São Paulo de joelhos, decretando toque de recolher por todo Estado. Globos, Folhas, Vejas e Estadões, entre outros, conseguiram convencer a população local de que a responsabilidade pela Segurança paulista era do governo Lula.
Os dois grandes jornais paulistas simplesmente não cobrem o governo do Estado e bloqueiam a quase totalidade das críticas ao governador. As tevês, idem.
O escândalo das propinas pagas pela multinacional Alstom a membros das administrações tucanas de São Paulo praticamente não aparece na mídia, e, quando aparece, poupa nomes e a sigla PSDB.
Quando os paulistas vêem as pesquisas de opinião mostrando a popularidade de Lula, o crescimento de Dilma e a queda nacional das intenções de voto em Serra, ficam perplexos ou dizem que as pesquisas são falsas, porque o povo de meu Estado não fica sabendo quem é o responsável por a vida aqui estar cada vez pior e, no resto do país, cada vez melhor.
Até o Rio Grande do Sul, que nesta década havia se convertido em curral eleitoral tucano, acordou. Mas São Paulo, com todas as suas tragédias, segue acreditando que vive na Suíça – ou “chuíça”, como diz o jornalista Paulo Henrique Amorim.
A situação social em São Paulo, como mostram os levantes sociais cada vez mais freqüentes por todo o Estado, está explodindo. O sofrimento dos mais pobres é cada vez mais intenso.
E até os mais ricos estão sofrendo. Em média, são registrados 20 assaltos por mês aos condomínios de luxo em São Paulo. Segundo as estatísticas, em 90% dos casos os ladrões entram pelo portão principal.
São Paulo está em chamas, afundando numa gestão incompetente e autoritária, mas os paulistas são distraídos por leis que criminalizam fumantes de tabaco, vendidas pela mídia como o supra sumo da modernidade. Enquanto isso, no centro velho da capital paulista fuma-se crack em qualquer esquina e sob as barbas da polícia.
Ao conversar sobre política com um paulistano de qualquer classe social, nota-se que ele atribui todos esses problemas ao governo federal. A grande maioria dos paulistas de todas as classes sociais não faz a menor idéia sobre para que serve o governo do Estado.
Existe, entre a grande maioria do povo de São Paulo, uma fé quase religiosa na grande imprensa. O paulista reproduz como papagaio cada chavão político anti-Lula da mídia e, sobretudo, os bordões de novelas e programas humorísticos.
As expressões indianas da novela global das oito, por exemplo, viraram uma praga. Não se consegue passar 10 minutos sem ouvir alguém proferi-las como se aquela fosse a tirada de maior inteligência e originalidade que já se viu e de um bom humor único.
O Estado de São Paulo deverá se tornar objeto de estudos sociológicos revolucionários, que mostrarão como meia dúzia de empresários da comunicação conseguiu hipnotizar dezenas de milhões de pessoas de forma a fazê-las obedecerem cegamente os seus menores caprichos.
Escrito por Eduardo Guimarães
Pinçado de:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
No mês passado, a mesma polícia militar jogou no olho da rua cerca de 800 pessoas que viviam em barracos em um terreno na região do Capão Redondo, zona sul da capital paulista. A operação teve como objetivo devolver o terreno à empresa de ônibus Viação Campo Limpo. Até agora, as famílias estão vivendo pelas ruas da cidade.
Nesta terça-feira, 1º de setembro, moradores da favela de Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, protestaram contra a morte de uma estudante de 17 anos, morta pela polícia na noite anterior. O protesto teve inicio por volta das 19h. O grupo queimou ônibus e carros, bloqueou acessos à favela e continua sendo reprimido pela Polícia.
Dos 14 índices de criminalidade medidos pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 10 cresceram A Secretaria registrou aumento expressivo nos casos de roubo, estupro, latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio em todo o Estado.
Segundo dados divulgados na semana passada, somente na capital foi contabilizado um aumento de 80% nos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), quando comparado com o primeiro trimestre de 2008.
Em qualquer área social de São Paulo, os números são catastróficos. Saúde, Educação, Saneamento Básico, Segurança Pública... Os salários de professores, policiais, médicos, estão entre os piores do país. A mendicância só faz aumentar em todo Estado, bem como a favelização.
No mês passado, porém, o instituto de pesquisas Datafolha detectou que o governador José Serra é aprovado por 57% dos paulistas. A taxa dos que consideram a gestão de Serra ótima ou boa tem apresentado evolução constante. Era de 39% em março de 2007, subiu para 49% em novembro do mesmo ano e foi a 53% em março de 2009.
Qual é a explicação para esse fenômeno? Por que os paulistas e, sobretudo, os paulistanos (como são chamados os paulistas da capital), que vivem cada vez pior, não associam seus problemas ao governo do Estado, que tem atuado tão mal?
O que ocorre em meu Estado é que desde que Mario Covas se elegeu governador, em 1994, a imprensa paulista simplesmente acoberta todo e qualquer problema relativo ao Estado. E quando não há como esconder, atribui ao governo federal a responsabilidade que é do governo do Estado.
Foi assim, por exemplo, em 2006, quando a facção criminosa PCC pôs São Paulo de joelhos, decretando toque de recolher por todo Estado. Globos, Folhas, Vejas e Estadões, entre outros, conseguiram convencer a população local de que a responsabilidade pela Segurança paulista era do governo Lula.
Os dois grandes jornais paulistas simplesmente não cobrem o governo do Estado e bloqueiam a quase totalidade das críticas ao governador. As tevês, idem.
O escândalo das propinas pagas pela multinacional Alstom a membros das administrações tucanas de São Paulo praticamente não aparece na mídia, e, quando aparece, poupa nomes e a sigla PSDB.
Quando os paulistas vêem as pesquisas de opinião mostrando a popularidade de Lula, o crescimento de Dilma e a queda nacional das intenções de voto em Serra, ficam perplexos ou dizem que as pesquisas são falsas, porque o povo de meu Estado não fica sabendo quem é o responsável por a vida aqui estar cada vez pior e, no resto do país, cada vez melhor.
Até o Rio Grande do Sul, que nesta década havia se convertido em curral eleitoral tucano, acordou. Mas São Paulo, com todas as suas tragédias, segue acreditando que vive na Suíça – ou “chuíça”, como diz o jornalista Paulo Henrique Amorim.
A situação social em São Paulo, como mostram os levantes sociais cada vez mais freqüentes por todo o Estado, está explodindo. O sofrimento dos mais pobres é cada vez mais intenso.
E até os mais ricos estão sofrendo. Em média, são registrados 20 assaltos por mês aos condomínios de luxo em São Paulo. Segundo as estatísticas, em 90% dos casos os ladrões entram pelo portão principal.
São Paulo está em chamas, afundando numa gestão incompetente e autoritária, mas os paulistas são distraídos por leis que criminalizam fumantes de tabaco, vendidas pela mídia como o supra sumo da modernidade. Enquanto isso, no centro velho da capital paulista fuma-se crack em qualquer esquina e sob as barbas da polícia.
Ao conversar sobre política com um paulistano de qualquer classe social, nota-se que ele atribui todos esses problemas ao governo federal. A grande maioria dos paulistas de todas as classes sociais não faz a menor idéia sobre para que serve o governo do Estado.
Existe, entre a grande maioria do povo de São Paulo, uma fé quase religiosa na grande imprensa. O paulista reproduz como papagaio cada chavão político anti-Lula da mídia e, sobretudo, os bordões de novelas e programas humorísticos.
As expressões indianas da novela global das oito, por exemplo, viraram uma praga. Não se consegue passar 10 minutos sem ouvir alguém proferi-las como se aquela fosse a tirada de maior inteligência e originalidade que já se viu e de um bom humor único.
O Estado de São Paulo deverá se tornar objeto de estudos sociológicos revolucionários, que mostrarão como meia dúzia de empresários da comunicação conseguiu hipnotizar dezenas de milhões de pessoas de forma a fazê-las obedecerem cegamente os seus menores caprichos.
Escrito por Eduardo Guimarães
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Duas notas relevantes no blog do Lauro jardim
Coisa rara, seguem duas notas relevantes no blog do Lauro jardim.
Hoje, a indústria automobilística bate a marca dos 2 milhões de carros vendidos este ano no país - um número excepcional, mais ainda num ano marcado por uma crise econômica. Até ontem, 1,993 milhão de veículos foram emplacados no Brasil. Em agosto, as vendas de veículos zero quilômetros (automóveis e comerciais leves) no Brasil caíram 9% em relação ao mês de julho. Aos números: foram vendidos 258.163 veículos no mês passado contra 272.934 em julho.
Apesar da queda, o resultado é ótimo. Primeiro, porque é 5,5% superior ao desempenho de agosto de 2008. Em segundo lugar porque agosto teve menos dois dias úteis que julho (21 contra 23 de julho) - o que obviamente impacta nas vendas. Hoje, o que vem dando gás ao setor é a volta dos financiamentos longos, acima de 60 meses.
As reservas internacionais do Brasil fecharam o mês em 218 bilhões de dólares - o maior volume da história. Só neste mês, mais 6 bilhões de dólares foram acrescentados ao estoque de reservas. Um ano atrás, às vésperas de estourar a crise econômica, as reservas somavam 205 bilhões de dólares.
1 - Computando-se apenas os dias útreis, a média diária das vendas de automóveis em agosto foi de 13.000 contra 11.800 em julho.
2 - Ao mesmo tempo em que o Banco Central enxuga o mercado de dólares, o aumento das reservas só faz afirmar a confiança do investidor no Brasil, o que resulta na entrada de mais dólares.
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
Pinçado de:
http://www.aleporto.com.br/blog.php?tema=7&post=2143
Hoje, a indústria automobilística bate a marca dos 2 milhões de carros vendidos este ano no país - um número excepcional, mais ainda num ano marcado por uma crise econômica. Até ontem, 1,993 milhão de veículos foram emplacados no Brasil. Em agosto, as vendas de veículos zero quilômetros (automóveis e comerciais leves) no Brasil caíram 9% em relação ao mês de julho. Aos números: foram vendidos 258.163 veículos no mês passado contra 272.934 em julho.
Apesar da queda, o resultado é ótimo. Primeiro, porque é 5,5% superior ao desempenho de agosto de 2008. Em segundo lugar porque agosto teve menos dois dias úteis que julho (21 contra 23 de julho) - o que obviamente impacta nas vendas. Hoje, o que vem dando gás ao setor é a volta dos financiamentos longos, acima de 60 meses.
As reservas internacionais do Brasil fecharam o mês em 218 bilhões de dólares - o maior volume da história. Só neste mês, mais 6 bilhões de dólares foram acrescentados ao estoque de reservas. Um ano atrás, às vésperas de estourar a crise econômica, as reservas somavam 205 bilhões de dólares.
1 - Computando-se apenas os dias útreis, a média diária das vendas de automóveis em agosto foi de 13.000 contra 11.800 em julho.
2 - Ao mesmo tempo em que o Banco Central enxuga o mercado de dólares, o aumento das reservas só faz afirmar a confiança do investidor no Brasil, o que resulta na entrada de mais dólares.
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
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Brasil prepara "listinha de retaliação" aos EUA, diz Amorim
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta segunda-feira (1º) que o Brasil vai preparar "em breve" uma "listinha de retaliação" aos Estados Unidos devido aos subsídios abusivos dados aos produtores de algodão norte-americanos. A Organização Mundial do Comércio (OMC) deu ao Brasil o direito de fazer retaliações comerciais, reconhecendo que os EUA ultrapassam os limites de protecionismo.
Amorim disse que o Brasil vai usar a decisão da OMC para exercer pressão, não para "punir", mas para "induzir" os EUA a abandonar o protecionismo. “Em breve teremos uma listinha de retaliação. O objetivo da retaliação não é punir. É induzir o país a cumprir a norma, a mudar sua legislação. Se a norma for cumprida, não há razão para retaliar”, afirmou durante coletiva de imprensa do Fórum de Diálogo Índia, Brasil, África do Sul (Ibas).
Técnicos do Ministério das Relações Exteriores estão fazendo estudos para determinar o valor exato da sanção e em quais produtos poderá ser aplicada.
A decisão da OMC foi aprovada nesta segunda-feira, coroando sete anos de gestões do Brasil. A organização decidiu que de fato os americanos jamais cumpriram seu dever de reformar os subsídios e deveriam sofrer sanções comerciais. Por isso, autorizou a retaliação para forçar os americanos a cumprirem o que lhes foi exigido. A retaliação poderia ser aplicada anualmente, até que os subsídios ilegais desapareçam.
Pela decisão da OMC, o Brasil tem o direito de fazer sanções no valor de US$ 294,7 milhões por ano, com base nos subsídios dados pelos EUA em 2006. A decisão sá representa a segunda maior retaliação já autorizada pela OMC em 15 anos de desde sua fundação.
Contudo, o Itamaraty diz que esse valor precisa ser aumentado, já que o cálculo deve ser feito com base no ano anterior à decisão. Com isso, o Brasil poderia aplicar sanções de até US$ 800 milhões.
Da redação, com agências
Pinçado de:
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=114821
Amorim disse que o Brasil vai usar a decisão da OMC para exercer pressão, não para "punir", mas para "induzir" os EUA a abandonar o protecionismo. “Em breve teremos uma listinha de retaliação. O objetivo da retaliação não é punir. É induzir o país a cumprir a norma, a mudar sua legislação. Se a norma for cumprida, não há razão para retaliar”, afirmou durante coletiva de imprensa do Fórum de Diálogo Índia, Brasil, África do Sul (Ibas).
Técnicos do Ministério das Relações Exteriores estão fazendo estudos para determinar o valor exato da sanção e em quais produtos poderá ser aplicada.
A decisão da OMC foi aprovada nesta segunda-feira, coroando sete anos de gestões do Brasil. A organização decidiu que de fato os americanos jamais cumpriram seu dever de reformar os subsídios e deveriam sofrer sanções comerciais. Por isso, autorizou a retaliação para forçar os americanos a cumprirem o que lhes foi exigido. A retaliação poderia ser aplicada anualmente, até que os subsídios ilegais desapareçam.
Pela decisão da OMC, o Brasil tem o direito de fazer sanções no valor de US$ 294,7 milhões por ano, com base nos subsídios dados pelos EUA em 2006. A decisão sá representa a segunda maior retaliação já autorizada pela OMC em 15 anos de desde sua fundação.
Contudo, o Itamaraty diz que esse valor precisa ser aumentado, já que o cálculo deve ser feito com base no ano anterior à decisão. Com isso, o Brasil poderia aplicar sanções de até US$ 800 milhões.
Da redação, com agências
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http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=114821
Lula lembra dos tempos do pensamento subalterno, da Petrobrax

Se os tucanos tivessem ganhado em 2002, hoje provavelmente a festa do pré-sal seria no Texas, ou em Cingapura - na sede da empresa que teria assumido o controle da Petrobrax. Os tempos do "pensamento subalterno", os tempos de tirar os sapatos para os Estados Unidos, esses ficaram pra trás. "Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa", disse o presidente Lula no lançamento do pré-sal. O artigo é de Rodrigo Vianna
Rodrigo Vianna
Artigo publicado originalmente no blog O Escrevinhador, de Rodrigo Vianna:
Lula mostrou estatura de estadista no discurso de segunda-feira, no lançamento do pré-sal. Mostrou à nação o que está em jogo hoje no Brasil.
Lula colou na testa dos tucanos o rótulo de "adoradores do mercado". Lembrou que eles queriam "desmontar a Petrobrás".
Lula mostrou que não é preciso chamar a neo-UDN de "entreguista", como se dizia nos anos 50/60.
Basta lembrar que a neo-UDN tucana chamava a Petrobrás de "dinossauro, que precisava ser desmantelado".
Foi o que Lula fez em seu discurso histórico. Um discurso que não foi de improviso, mas cuidadosamente escrito para se transformar em um documento histórico.
E ainda há quem defenda a tese esdrúxula de que "não há diferença entre Lula e FHC". Se os tucanos tivessem ganhado em 2002, hoje provavelmente a festa do pré-sal seria no Texas, ou em Cingapura - na sede da empresa que teria assumido o controle da Petrobrax.
Os tempos do "pensamento subalterno", os tempos de tirar os sapatos para os Estados Unidos, esses ficaram pra trás.
Vejam como Lula - no discurso histórico - se refere àqueles tempos que não voltam mais:
"Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.
Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.
Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.
Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil."
Veja a seguir a íntegra do discurso do presidente Lula:
Hoje é um dia histórico.
O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.
Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.
Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.
Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.
Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.
Minhas amigas e meus amigos,
O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.
Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.
Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.
Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.
Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.
Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.
Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.
Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.
A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.
A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.
Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.
Minhas amigas e meus amigos,
Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.
Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.
Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.
Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.
Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.
Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.
A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.
Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.
O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.
Meus queridos companheiros e companheiras,
Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.
A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.
Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.
E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.
Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.
Minhas amigas e meus amigos,
Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.
No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.
Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.
No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.
Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.
No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.
Amigas e amigos,
Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.
Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.
Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.
Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.
Minhas amigas e meus amigos,
Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.
Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.
Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.
Minhas amigas e meus amigos,
Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.
De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.
De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.
Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,
Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.
A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.
Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.
Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.
Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.
Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.
Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.
Minhas amigas e meus amigos,
Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.
Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.
Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.
Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.
Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.
Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.
É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.
Muito obrigado, companheiros."
Fotos: http://satiro-hupper.blogspot.com
Pinçado de:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16131
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Canção de junto do berço
Não te movas, dorme, dorme
O teu soninho tranquilo.
Não te movas (diz-lhe a noite)
Que inda está cantando um grilo...
Abre os teus olhinhos de ouro
(O dia lhe diz baixinho).
É tempo de levantares
Que já canta um passarinho...
Sozinho que pode um grilo
Quando já tudo é revoada?
E o dia rouba o menino
No manto da madrugada...
Mario Quintana
O teu soninho tranquilo.
Não te movas (diz-lhe a noite)
Que inda está cantando um grilo...
Abre os teus olhinhos de ouro
(O dia lhe diz baixinho).
É tempo de levantares
Que já canta um passarinho...
Sozinho que pode um grilo
Quando já tudo é revoada?
E o dia rouba o menino
No manto da madrugada...
Mario Quintana
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
PSDB quer abandonar crítica a projetos de Lula

Estratégia é dar visão positiva sobre programas sociais e esquecer discurso da ''porta de saída''
O comando nacional do PSDB está orientando o partido a dar uma "visão positiva" dos programas sociais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral de 2010, afirmou ontem o presidente da legenda, senador Sérgio Guerra (PE). O parlamentar disse que a legenda não permitirá "nem de longe" a disseminação da ideia de que, se vencer, acabará com esses projetos - apenas o Bolsa-Família atende mais de 11 milhões de famílias. Segundo o senador, pesquisas mostram que as maiores dificuldades da legenda ocorrem em regiões onde há concentração dessas iniciativas do governo federal.
Agora, os tucanos deverão abandonar as críticas ao programa e reconhecer que seu desenvolvimento foi correto. "A orientação do partido é dar essa visão positiva dos programas, reconhecer os programas do governo Lula, elogiar o que têm de positivo e desenvolver propostas. Nada que tenha a ver com aquela história de porta de saída. Porta de saída é tudo que a gente precisa para se dar mal. Não é nada", disse Guerra.
Com medo de perder votos, o PSDB, assim, abandonará uma das principais críticas que fazia à área social do governo Lula - a de que seus programas tornariam os beneficiários dependentes da ajuda e sem alternativas para ter uma vida econômica sem ajuda do Estado. O senador comandou reunião da bancada federal tucana para discutir as eleições de 2010, no Hotel Sheraton Barra, da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.
Guerra disse que todos ou quase todos os programas sociais foram inventados pelo PSDB (que governou o País de 1995 a 2002) e desenvolvidos pelo presidente Lula, com cujo governo acabaram identificados. "Achamos que o desenvolvimento foi correto. Isso é verdade", elogiou. "O que vamos ter é propostas para essa área social, muito precisas." Ele afirmou que, em 2006, no segundo turno, foi organizado no Nordeste um "projeto de massificação da ideia" de que o PSDB, se vencesse, acabaria com os programas sociais.
YEDA
Em análise reservada sobre a situação do partido nos Estados, Guerra avaliou que, no Rio Grande do Sul , onde a governadora tucana Yeda Crusius enfrenta acusações de corrupção, "acendeu a luz vermelha". O alerta foi causado por pesquisas eleitorais indicando que, no Estado, a pré-candidata presidencial do PT, Dilma Rousseff, ultrapassou o provável postulante tucano, governador José Serra, que estaria sofrendo desgaste por causa da crise política enfrentada pela governadora.
Uma assessoria do comando nacional tucano foi imposta a Yeda, revelou Guerra, que esteve recentemente com a governadora. "Ela precisa aceitar a ampla reforma de seu governo", disse, em exposição para os deputados e senadores.
No Rio, o lançamento da pré-candidatura de Marina Silva à Presidência pelo PV fez surgir novos problemas, segundo o senador. O PSDB não aceita que o deputado Fernando Gabeira (PV) seja candidato a governador com dois palanques - um com Marina, outro com Serra. Cerca de 30 parlamentares tucanos participaram do encontro, que começou na quinta-feira e terminou ontem.
Do Estadão
Pinçado de:
http://tudo-em-cima.blogspot.com/2009/08/mais-perdido-que-cego-em-tiroteio-psdb.html
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Everardo Maciel, ex-secretário dos tucanos, diz a Bob Fernandes: caso Dilma/Lina "é farsa, é factóide"
publicada quarta, 26/08/2009 às 10:51 e atualizado quarta, 26/08/2009 às 10:59 |
Everardo Maciel foi secretário da Receita de Fernando Henrique Cardoso por oito anos. Só que ele não fuma maconha estragada. E, por isso, é capaz de qualificar o caso Dilma/Lina como ele realmente é: "uma farsa, um factóide".
Everardo deu essa declaração em entrevista a Bob Fernandes, no Terra Magazine.
E agora? A imprensa serrista é mais realista que o rei. Até o cara que comandou a Receita na época dos tucanos acha que a mídia está forçando a barra. O Suplic va mostrar cartão vermelho pra "Folha"? Ou a maconha estragada do Suplicy só funciona quando é para aparecer nos jornais?
Confiram a entrevista do Everardo...
===
O pernambucano Everardo Maciel mora há 34 anos em Brasília. Foi secretário executivo em 4 ministérios: Fazenda, Educação, Interior e Casa Civil, e foi Secretário da Fazenda no Distrito Federal. Everardo é hoje consultor do FMI, da ONU, integra 10 conselhos superiores, entre eles os da FIESP, Federação do Comércio e Associação Comercial de São Paulo e é do Conselho Consultivo do Conselho Nacional de Justiça.
Mas, nestes tempos futebolísticos, às vésperas de 2010, com tudo o que está no ar e nas manchetes e, em especial, diante do que afirma Everardo Maciel na entrevista que se segue, é importantíssimo ressaltar que ele foi, por longos 8 anos, "O" Secretário da Receita Federal dos governos Fernando Henrique Cardoso.
Dito isso, vamos ao que, sem meias palavras, afirma Everardo Maciel sobre os rumorosíssimos casos da dita "manobra contábil" da Petrobras - que desaguou numa CPI -, da suposta conversa entre a Ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretaria da Receita Lina Vieira e da alardeada "pressão de grandes contribuintes", fator que explicaria a queda na arrecadação:
- Não passam de factóides. Não passam de uma farsa.
Sobre a suposta manobra contábil que ganhou asas e virou fato quase inquestionável, diz o ex-Secretário da Receita Federal de FHC:
-É farsa, factóide... a Petrobras tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares.
E o caso Dilma/Lina?
- Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.
E a queda na arrecadação por conta de alardeada pressão de grandes contribuintes?
-Farsa, factóide para tentar explicar, indevidamente, a queda na arrecadação.
Sobre essa mesma queda e alardeadas pressões, Everardo Maciel provoca com uma bateria de perguntas; que ainda não foram respondidas porque, convenientemente, ainda não foram feitas:
- Quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? A Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras?
Com a palavra Everardo Maciel, Secretário da Receita Federal nos 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso:
Terra Magazine - Algo perplexo soube que o senhor, Secretário da Receita Federal por 8 anos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, não tem a opinião que se imaginaria, e que está nas manchetes, editoriais e colunas de opinão, sobre o caso das ditas manobras contábeis da Petrobras, agora uma CPI?
Everardo Maciel - Independentemente de ter trabalhado em qualquer governo, meu compromisso é dizer a verdade que eu conheço. Então, a verdade é que a discussão sobre essa suposta manobra contábil da Petrobras é rigorosamente uma farsa.
TM - Uma farsa, um factóide?
EM- É exatamente isso. Farsa, factóide. E por quê? Porque não se pode falar de manobra contábil, porque a contabilidade só tem um regime, que é o de competência.
TM -Traduzindo em miúdos, aqui para leigos como eu....
EM -Eu faço um registro competência... quer dizer o seguinte: os fatos são registrados em função da data que ocorreram e não da data em que foram liquidados. Por exemplo: eu hoje recebo uma receita. Se estou no regime de competência, a receita é apurada hoje. Entretanto, se o pagamento desta receita é feito no próximo mês, eu diria que a competência é agosto e o caixa é setembro. Isso é competência e caixa, esta é a diferença entre competência e caixa, de uma forma bem simples.
TM -Cabe uma pergunta, de maneira bem simples: então, Secretário, há um bando de gente incompetente discutindo a competência?
EM - Eu não chegaria a fazer essa observação assim porque não consigo identificar quem fez essas declarações, mas certamente quem as fez foi, para dizer o mínimo, pouco feliz.
TM - Por que o senhor se refere, usa as expressões, "farsa" e "factóide"?
EM - Vejamos: farsa ou factóide, como queiram, primeiro para explicar indevidamente a queda havida na arrecadação. Agora, a Petrobras, no meu entender, tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares. Para especialistas.
TM - Então por que todo esse banzé no Oeste?
EM - Não estou fazendo juízo de valor sobre a competência de ninguém, mas, neste caso, para o governo, me desculpem o trocadilho, o que contava era o caixa. E o caixa caiu. Para tentar explicar por que a arrecadação estava caindo, num primeiro momento se utilizou o factóide Petrobras. No segundo, se buscou explicações imprecisas sobre eventuais pressões de grandes contribuintes, às vezes qualificados em declarações em off como financiadores de campanha. Entretanto, não se identificou quem são esses grandes "financiadores de campanha" ou "contribuintes". Desse modo, a interpretação caiu no campo da injúria.
TM - O senhor tem quantos anos de Brasília?
EM -Não consecutivamente, 34 anos. Descontado o período que passei fora, 30 anos.
TM - Diante desse tempo, o senhor teria alguma espécie de dúvida de que o pano de fundo disso aí é a eleição 2010?
EM - Eu acho que nesse caso, em particular e em primeiro lugar, o pano de fundo era a sobrevivência política de uma facção sindical dentro da Receita.
TM - Seria o pessoal que o atormentou durante oito anos?
EM -Não todo tempo. E de qualquer sorte, de forma inócua.
TM - Sim, mas me refiro para o que reverbera para além da secretaria,do que chega às manchetes... os casos da Petrobras, um atrás do outro.
EM -Todos esses casos são, serão esclarecidos, e acabam, acabarão sendo esquecidos, perderão qualquer serventia para 2010. São factóides de vida curta. Depois disso chegamos à terceira fase do factóide.
TM -Mais ainda? Qual é?
EM - Aí vem a história do virtual diálogo que teria ocorrido entre a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, e a secretária da receita, Lina Vieira. Não tem como se assegurar se houve ou deixou de haver o diálogo, mormente que teria sido entre duas pessoas, sem testemunhas. Agora tomemos como verdadeiro que tenha ocorrido o diálogo. Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal.
TM - Sim, e aí?
EM - Se era algo banal, deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era algo grave, deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.
TM - À parte suas funções conhecidas, de especialista, por que coisas tão óbvias como essa que o senhor tá dizendo não são ditas? EM - Já há dois meses essa conversa no ar sem que se toque nos pontos certos, óbvios...
Eu não sei porque as pessoas não fazem as perguntas adequadas...
TM - Talvez porque elas sejam incômodas para o jogo, para esse amontoado de simulacros que o senhor aponta? Quais seriam as perguntas reveladoras?
EM - Por exemplo: quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? Ainda uma outra pergunta: a Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras? Respostas a isso permitiriam lançar luz sobre os assuntos.
TM - Última pergunta, valendo-me de um jargão jornalístico: trata-se então de um amontoado de cascatas?
EM - Não tenho o brilhantismo do jornalista para construir uma frase tão fortemente elegante e esclarecedora, mas, modestamente, prefiro dizer: farsa e factóide. Ao menos, no mínimo, algumas das coisas que tenho visto, lido e ouvido, não passam de factóides. Não passam de uma farsa.
Pinçado de:
http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/everardo-maciel-exsecretario-dos-tucanos-diz-a-bob-fernandes-caso-dilmalina-e-farsa-e-factoide
Everardo Maciel foi secretário da Receita de Fernando Henrique Cardoso por oito anos. Só que ele não fuma maconha estragada. E, por isso, é capaz de qualificar o caso Dilma/Lina como ele realmente é: "uma farsa, um factóide".
Everardo deu essa declaração em entrevista a Bob Fernandes, no Terra Magazine.
E agora? A imprensa serrista é mais realista que o rei. Até o cara que comandou a Receita na época dos tucanos acha que a mídia está forçando a barra. O Suplic va mostrar cartão vermelho pra "Folha"? Ou a maconha estragada do Suplicy só funciona quando é para aparecer nos jornais?
Confiram a entrevista do Everardo...
===
O pernambucano Everardo Maciel mora há 34 anos em Brasília. Foi secretário executivo em 4 ministérios: Fazenda, Educação, Interior e Casa Civil, e foi Secretário da Fazenda no Distrito Federal. Everardo é hoje consultor do FMI, da ONU, integra 10 conselhos superiores, entre eles os da FIESP, Federação do Comércio e Associação Comercial de São Paulo e é do Conselho Consultivo do Conselho Nacional de Justiça.
Mas, nestes tempos futebolísticos, às vésperas de 2010, com tudo o que está no ar e nas manchetes e, em especial, diante do que afirma Everardo Maciel na entrevista que se segue, é importantíssimo ressaltar que ele foi, por longos 8 anos, "O" Secretário da Receita Federal dos governos Fernando Henrique Cardoso.
Dito isso, vamos ao que, sem meias palavras, afirma Everardo Maciel sobre os rumorosíssimos casos da dita "manobra contábil" da Petrobras - que desaguou numa CPI -, da suposta conversa entre a Ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretaria da Receita Lina Vieira e da alardeada "pressão de grandes contribuintes", fator que explicaria a queda na arrecadação:
- Não passam de factóides. Não passam de uma farsa.
Sobre a suposta manobra contábil que ganhou asas e virou fato quase inquestionável, diz o ex-Secretário da Receita Federal de FHC:
-É farsa, factóide... a Petrobras tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares.
E o caso Dilma/Lina?
- Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.
E a queda na arrecadação por conta de alardeada pressão de grandes contribuintes?
-Farsa, factóide para tentar explicar, indevidamente, a queda na arrecadação.
Sobre essa mesma queda e alardeadas pressões, Everardo Maciel provoca com uma bateria de perguntas; que ainda não foram respondidas porque, convenientemente, ainda não foram feitas:
- Quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? A Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras?
Com a palavra Everardo Maciel, Secretário da Receita Federal nos 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso:
Terra Magazine - Algo perplexo soube que o senhor, Secretário da Receita Federal por 8 anos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, não tem a opinião que se imaginaria, e que está nas manchetes, editoriais e colunas de opinão, sobre o caso das ditas manobras contábeis da Petrobras, agora uma CPI?
Everardo Maciel - Independentemente de ter trabalhado em qualquer governo, meu compromisso é dizer a verdade que eu conheço. Então, a verdade é que a discussão sobre essa suposta manobra contábil da Petrobras é rigorosamente uma farsa.
TM - Uma farsa, um factóide?
EM- É exatamente isso. Farsa, factóide. E por quê? Porque não se pode falar de manobra contábil, porque a contabilidade só tem um regime, que é o de competência.
TM -Traduzindo em miúdos, aqui para leigos como eu....
EM -Eu faço um registro competência... quer dizer o seguinte: os fatos são registrados em função da data que ocorreram e não da data em que foram liquidados. Por exemplo: eu hoje recebo uma receita. Se estou no regime de competência, a receita é apurada hoje. Entretanto, se o pagamento desta receita é feito no próximo mês, eu diria que a competência é agosto e o caixa é setembro. Isso é competência e caixa, esta é a diferença entre competência e caixa, de uma forma bem simples.
TM -Cabe uma pergunta, de maneira bem simples: então, Secretário, há um bando de gente incompetente discutindo a competência?
EM - Eu não chegaria a fazer essa observação assim porque não consigo identificar quem fez essas declarações, mas certamente quem as fez foi, para dizer o mínimo, pouco feliz.
TM - Por que o senhor se refere, usa as expressões, "farsa" e "factóide"?
EM - Vejamos: farsa ou factóide, como queiram, primeiro para explicar indevidamente a queda havida na arrecadação. Agora, a Petrobras, no meu entender, tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares. Para especialistas.
TM - Então por que todo esse banzé no Oeste?
EM - Não estou fazendo juízo de valor sobre a competência de ninguém, mas, neste caso, para o governo, me desculpem o trocadilho, o que contava era o caixa. E o caixa caiu. Para tentar explicar por que a arrecadação estava caindo, num primeiro momento se utilizou o factóide Petrobras. No segundo, se buscou explicações imprecisas sobre eventuais pressões de grandes contribuintes, às vezes qualificados em declarações em off como financiadores de campanha. Entretanto, não se identificou quem são esses grandes "financiadores de campanha" ou "contribuintes". Desse modo, a interpretação caiu no campo da injúria.
TM - O senhor tem quantos anos de Brasília?
EM -Não consecutivamente, 34 anos. Descontado o período que passei fora, 30 anos.
TM - Diante desse tempo, o senhor teria alguma espécie de dúvida de que o pano de fundo disso aí é a eleição 2010?
EM - Eu acho que nesse caso, em particular e em primeiro lugar, o pano de fundo era a sobrevivência política de uma facção sindical dentro da Receita.
TM - Seria o pessoal que o atormentou durante oito anos?
EM -Não todo tempo. E de qualquer sorte, de forma inócua.
TM - Sim, mas me refiro para o que reverbera para além da secretaria,do que chega às manchetes... os casos da Petrobras, um atrás do outro.
EM -Todos esses casos são, serão esclarecidos, e acabam, acabarão sendo esquecidos, perderão qualquer serventia para 2010. São factóides de vida curta. Depois disso chegamos à terceira fase do factóide.
TM -Mais ainda? Qual é?
EM - Aí vem a história do virtual diálogo que teria ocorrido entre a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, e a secretária da receita, Lina Vieira. Não tem como se assegurar se houve ou deixou de haver o diálogo, mormente que teria sido entre duas pessoas, sem testemunhas. Agora tomemos como verdadeiro que tenha ocorrido o diálogo. Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal.
TM - Sim, e aí?
EM - Se era algo banal, deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era algo grave, deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.
TM - À parte suas funções conhecidas, de especialista, por que coisas tão óbvias como essa que o senhor tá dizendo não são ditas? EM - Já há dois meses essa conversa no ar sem que se toque nos pontos certos, óbvios...
Eu não sei porque as pessoas não fazem as perguntas adequadas...
TM - Talvez porque elas sejam incômodas para o jogo, para esse amontoado de simulacros que o senhor aponta? Quais seriam as perguntas reveladoras?
EM - Por exemplo: quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? Ainda uma outra pergunta: a Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras? Respostas a isso permitiriam lançar luz sobre os assuntos.
TM - Última pergunta, valendo-me de um jargão jornalístico: trata-se então de um amontoado de cascatas?
EM - Não tenho o brilhantismo do jornalista para construir uma frase tão fortemente elegante e esclarecedora, mas, modestamente, prefiro dizer: farsa e factóide. Ao menos, no mínimo, algumas das coisas que tenho visto, lido e ouvido, não passam de factóides. Não passam de uma farsa.
Pinçado de:
http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/everardo-maciel-exsecretario-dos-tucanos-diz-a-bob-fernandes-caso-dilmalina-e-farsa-e-factoide
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Arthur Virgílio, o probo
PMDB pede cassação de Arthur Virgílio
Em representação feita nesta quinta-feira (6), o PMDB pede ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado que abra um processo de cassação do mandato do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) por entender que ele cometeu falsidade ideológica, prevaricação e estelionato por fatos que teriam sido assumidos pelo próprio senador. A representação é assinada pela presidente nacional do PMDB (em exercício), deputada Íris de Araújo (GO).
A representação utiliza-se de trechos de discurso do próprio senador, no último 29 de junho, quando admitiu que autorizou um servidor de seu gabinete, Carlos Alberto Nina Neto, a se ausentar do país para estudar, com salário pago pelo Senado, nos períodos de maio a junho de 2005 e de outubro de 2005 a dezembro de 2006. O discurso de Virgílio foi feito depois de reportagem da revista IstoÉ que noticiou o fato. O senador do PSDB reconheceu o erro naquele dia e anunciou que devolveria aos cofres públicos os valores recebidos pelo funcionário, no total de R$ 210.607,58.
De acordo com a representação, Arthur Virgílio tomou uma decisão sobre o funcionário do seu gabinete que só cabe à Mesa do Senado e, por isso, pode ser acusado de falsidade ideológica, prevaricação e estelionato, todos crimes tipificados no Código Penal. Na representação, a direção do PMDB afirma que Arthur Virgílio violou os princípios constitucionais da moralidade, da improbidade, da impessoalidade e da publicidade. O documento solicita ao Senado que forneça todos os pagamentos feitos ao funcionário do gabinete de Arthur Virgílio.
Também é pedida investigação, baseada na matéria da IstoÉ, sobre benefícios financeiros pagos para cobrir internação em UTI da mãe de Arthur Virgílio. A representação informa que, de acordo com a revista, senadores e dependentes têm direito a ressarcimentos de saúde de até R$ 30 mil e, no caso, o valor seria de R$ 780 mil. O documento pede que o Conselho de Ética solicite ao Senado todos os pagamentos de saúde feitos neste caso e na conta de quem foram feitos os depósitos.
O PMDB sustenta ainda que Arthur Virgílio teria recebido "doação" financeira do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia em valor próximo de R$ 10 mil, o que pode ser caracterizado como "vantagem indevida", passível de punição pelo Código de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. A representação transcreve novamente texto da revista e declarações de Arthur Virgílio ao explicar o assunto, no dia 29 de junho.
Arthur Virgílio informou que estava com a família hospedado em um hotel, em Paris, e ficou em situação difícil quando seu cartão de crédito ficou sem crédito. Ele recorreu a um amigo, e este recorreu ao então diretor-geral Agaciel Maia. Virgílio disse que foi um empréstimo, pago posteriormente. A revista Istoé afirmou que, "com amigos, Agaciel comentou que esse dinheiro até hoje não lhe foi ressarcido". A representação pede que o Conselho de Ética ouça o diretor-geral e as pessoas que se envolveram no episódio.
Pelo regimento do Conselho de Ética, seu presidente, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), terá dois dias úteis, a partir da publicação da representação no Diário Oficial do Senado, para informar se aceita ou não a investigação. Se aceitá-la, será sorteado um relator para o caso, que fará as investigações necessárias.
Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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E isso a grande imprensa não diz que acabou em pizza.
Em representação feita nesta quinta-feira (6), o PMDB pede ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado que abra um processo de cassação do mandato do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) por entender que ele cometeu falsidade ideológica, prevaricação e estelionato por fatos que teriam sido assumidos pelo próprio senador. A representação é assinada pela presidente nacional do PMDB (em exercício), deputada Íris de Araújo (GO).
A representação utiliza-se de trechos de discurso do próprio senador, no último 29 de junho, quando admitiu que autorizou um servidor de seu gabinete, Carlos Alberto Nina Neto, a se ausentar do país para estudar, com salário pago pelo Senado, nos períodos de maio a junho de 2005 e de outubro de 2005 a dezembro de 2006. O discurso de Virgílio foi feito depois de reportagem da revista IstoÉ que noticiou o fato. O senador do PSDB reconheceu o erro naquele dia e anunciou que devolveria aos cofres públicos os valores recebidos pelo funcionário, no total de R$ 210.607,58.
De acordo com a representação, Arthur Virgílio tomou uma decisão sobre o funcionário do seu gabinete que só cabe à Mesa do Senado e, por isso, pode ser acusado de falsidade ideológica, prevaricação e estelionato, todos crimes tipificados no Código Penal. Na representação, a direção do PMDB afirma que Arthur Virgílio violou os princípios constitucionais da moralidade, da improbidade, da impessoalidade e da publicidade. O documento solicita ao Senado que forneça todos os pagamentos feitos ao funcionário do gabinete de Arthur Virgílio.
Também é pedida investigação, baseada na matéria da IstoÉ, sobre benefícios financeiros pagos para cobrir internação em UTI da mãe de Arthur Virgílio. A representação informa que, de acordo com a revista, senadores e dependentes têm direito a ressarcimentos de saúde de até R$ 30 mil e, no caso, o valor seria de R$ 780 mil. O documento pede que o Conselho de Ética solicite ao Senado todos os pagamentos de saúde feitos neste caso e na conta de quem foram feitos os depósitos.
O PMDB sustenta ainda que Arthur Virgílio teria recebido "doação" financeira do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia em valor próximo de R$ 10 mil, o que pode ser caracterizado como "vantagem indevida", passível de punição pelo Código de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. A representação transcreve novamente texto da revista e declarações de Arthur Virgílio ao explicar o assunto, no dia 29 de junho.
Arthur Virgílio informou que estava com a família hospedado em um hotel, em Paris, e ficou em situação difícil quando seu cartão de crédito ficou sem crédito. Ele recorreu a um amigo, e este recorreu ao então diretor-geral Agaciel Maia. Virgílio disse que foi um empréstimo, pago posteriormente. A revista Istoé afirmou que, "com amigos, Agaciel comentou que esse dinheiro até hoje não lhe foi ressarcido". A representação pede que o Conselho de Ética ouça o diretor-geral e as pessoas que se envolveram no episódio.
Pelo regimento do Conselho de Ética, seu presidente, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), terá dois dias úteis, a partir da publicação da representação no Diário Oficial do Senado, para informar se aceita ou não a investigação. Se aceitá-la, será sorteado um relator para o caso, que fará as investigações necessárias.
Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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E isso a grande imprensa não diz que acabou em pizza.
domingo, 23 de agosto de 2009
Como vivem os irmãos de Lula
A História de seis brasileiros que sofrem com o ônibus lotado, o desemprego e a violência, como a maioria da população, embora sejam da família do presidente da república
Uma parte do teto da sala da casa do marceneiro aposentado Jaime Inácio da Silva, 72 anos, está sem pintura. Morador da periferia de São Bernardo do Campo, ele vive com a família em um imóvel de dois quartos. Como a reforma já dura anos, foi surpreendido pelo desemprego da filha, Regina, antes de completar o acabamento. "A tinta acabou e não deu para comprar mais", desculpa-se ao visitante. Ele sabe de cabeça o preço de um saco de cimento, um metro cúbico de areia ou uma caixa de ladrilho hidráulico.
No Brasil, quatro em cada dez aposentados brasileiros não conseguem viver com o benefício que recebem do Estado. Jaime é um deles. Há 14 anos, ele complementa sua renda fazendo bicos. Até dezembro, saltava da cama às cinco da matina, sacolejava por uma hora e meia no ônibus lotado até chegar à capital paulista, onde trabalhava em uma empresa metalúrgica. Com a crise financeira, a firma diminuiu o ritmo da produção de peças e Jaime foi colocado em férias remuneradas. "A barra tá difícil", diz. Nos últimos dias, ele trocou a metalurgia pela máquina de costura e passou a ajudar Regina, costureira acidental.
Há pouco mais de seis meses, Jaime chegava do trabalho e foi rendido no portão por quatro assaltantes. Os homens o fizeram entrar e saíram de lá com a televisão - um dos poucos bens de valor da família, ao lado da máquina de costura. Com sacrifício, conseguiu comprar outro aparelho. Afinal de contas, trata-se de sua única diversão. E ele precisa, pois a distração é parte do tratamento de um câncer na garganta que o fez passar por 40 sessões de radioterapia. Jaime viveu seu drama sem jamais pedir nada ao homem mais poderoso do País - por acaso, seu irmão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por um simples motivo: aos olhos de muitas pessoas, a história de Jaime é um drama.
Mas a família de Lula aprendeu a conviver com as adversidades e a enfrentá-las. E elas, hoje, são muitas. "Lula foi eleito para resolver os problemas do Brasil e não da família Silva", resigna-se Jaime, sem citar que as duas coisas se confundem. Desde a ascensão de Lula ao poder, quase nada foi alterado no destino e na rotina dos seis irmãos do presidente. Na última semana, pela primeira vez, todos eles aceitaram receber em suas casas uma equipe de reportagem e ISTOÉ constatou que os outros filhos de dona Lindu e seu Aristides continuam a viver como brasileiros comuns. Da mesma forma que consideraram normal a morte, ainda na infância, de quatro irmãos e assistiram ao mais velho, Zé Cuia, sucumbir à doença de Chagas.
Anormal para eles é mesmo ser irmão de presidente. "É um inferno", diz José Ferreira de Melo, o Frei Chico. "Perdemos toda a nossa liberdade", reclama Genival Inácio da Silva, o Vavá, ex-metalúrgico e funcionário público aposentado da Prefeitura de São Bernardo. Todos têm orgulho da vitória de Lula, mas contam nos dedos os dias que faltam para chegar 2011 e têm horror de pensar em um terceiro mandato.
Ao contrário do que boa parte da população possa imaginar, ter um irmão no Palácio do Planalto, para eles, causa muito mais dissabor do que alegria. O melhor exemplo é o que aconteceu com Vavá. Em 2005, ele foi acusado pela Polícia Federal de montar um escritório de lobby para empresários atuarem em prefeituras petistas e na Esplanada dos Ministérios. Na época, a PF invadiu sua casa, juntou documentos e não encontrou nada que provasse a denúncia. "Até gostei, verificaram minha vida e viram que não tenho nada de sujeira", diz. "As pessoas não aceitam que os irmãos de Lula não tenham nada." Ele também sofre com problemas de saúde.
OS SILVA SE ORGULHAM DO PRESIDENTE, MAS RECLAMAM QUE PERDERAM A LIBERDADE
Nos últimos seis anos, passou por seis cirurgias - uma na coluna e cinco nas pernas para resolver problemas de circulação. Com dificuldades para caminhar, montou uma enfermaria na sala de casa. Vavá acredita que a saúde ele recupera logo, mas a liberdade só mesmo depois de o irmão deixar o poder. "Temos a vida vigiada, a gente vive grampeado", diz. O episódio da PF não trouxe só prejuízo a Vavá. Sua filha foi demitida do emprego porque o dono da firma em que ela trabalhava achou que a sobrinha do presidente dentro de sua empresa também poderia atrair a atenção de espiões. "Desde então, estou desempregada.
Estou ganhando a vida fazendo um trabalho para uma banda de música de forró. Mas sou especialista em tecnologia de informação", diz Andréa, que, como dois de seus primos e, diga-se de passagem, 9% da população brasileira, está procurando emprego.
Irmã mais velha do presidente, Marinete Leite Cerqueira, 70 anos, também atribui o desemprego da filha ao partido de Lula. "Esse menino do PT que assumiu a prefeitura (Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo) demitiu a minha filha. Agora ela está desempregada, tem 51 anos e precisa muito do emprego. Foi uma judiação", diz ela, enquanto pendura roupas no varal. Sua filha era comissionada e foi obrigada a ceder lugar a quem fez concurso. Além do desemprego da filha, Marinete está triste porque perdeu o marido recentemente.
Ele morreu de infarto dentro de casa. "Foi uma pena, estávamos acabando a reforma", conta ela, doméstica desde adolescente - trabalho que a deixou com problemas de coluna e a obriga a fazer RPG e sessões de acupuntura. Marinete está feliz, porém, com o filme Lula, o filho do Brasil. Apaixonada por televisão, sobretudo novelas, Marinete não se conteve quando ficou cara a cara com Glória Pires, que fará o papel de dona Lindu. "Eu não acredito que estou ao lado de você, Glória Pires! Não pode ser verdade", disse ela, como todo fã diante de um ídolo.
"Lula não foi eleito para resolver os problemas da família Silva"
Jaime Inácio da Silva, 72 anos, marceneiro aposentado
Assim como Vavá, Frei Chico também clama por liberdade. "Tenho a sensação de viver pior que na época da ditadura. Você não pode sequer comprar um carro melhorzinho, reformar a casa ou viajar, que logo as pessoas vão falar: 'Tá vendo, ele é irmão do Lula'", diz ele, que nunca vestiu uma batina e assumiu como apelido o codinome dos tempos de militante comunista.
Revoltado, Frei Chico continua o discurso: "O problema que ninguém sabe é que, no meu caso, junto veio um carnê de 48 prestações de 800 pratas." O carro melhorzinho é um Honda Civic, câmbio automático, ano 2005. Ele é o único irmão motorizado. "Se a filha do Fernando Henrique Cardoso, que recebia salário de mais de R$ 7 mil do Senado sem aparecer no trabalho, fosse de nossa família, a desgraça estava feita", critica Frei Chico, metalúrgico aposentado e responsável pela entrada de Lula no sindicalismo.
Assim como Marinete, ele também sofre com dores na coluna e quinzenalmente pratica sessões de RPG. Todos os dias faz caminhada e uma parada obrigatória para tomar café e fumar um cigarro com motoristas de táxi no ponto da igreja matriz da cidade. Como um bom político, cumprimenta a todos com bom humor e brincadeiras. Tem um sonho para assim que o irmão deixar a Presidência: "Como comunista, quero ir a Cuba com minha família. Já até recebi convites, mas, se eu aceitar, no outro dia o mundo cai."
Como comunista, quero ir a Cuba. Se aceitar um convite, o mundo cai"
José Ferreira de Melo, o Frei Chico, 67 anos, metalúrgico aposentado
Entre os Silva, a irmã Maria Ferreira Moreno, a "Maria Baixinha", é a que mais preocupa a todos, principalmente o presidente Lula. Como 70 milhões de brasileiros, Maria tem problemas com a obesidade e já chegou a pesar 80 quilos - perdeu 17. No começo do mandato do irmão, quando ela apostou com a apresentadora Ana Maria Braga que perderia 15 quilos em três meses, perdeu dois a mais e ganhou um automóvel Corsa como prêmio.
O carro foi dado de presente ao filho, que trabalha como caminhoneiro. Há cinco anos, Maria perdeu o marido e entrou em depressão profunda, voltou a engordar e chegou aos 94 quilos, mais que excessivos para quem mede apenas 1,38 m. "Comia uma torta doce de dois quilos na madrugada", revela. Além da obesidade, teve hipertensão e diabete. Há três anos, Maria resolveu fazer uma cirurgia de redução de estômago e perdeu 44 quilos.
Quando pensou que seus problemas de saúde estavam sob controle, há 11 meses, recebeu o diagnóstico de câncer de mama. O choque com o resultado voltou a balançá-la emocionalmente e, desde então, vive praticamente em reclusão. Tem evitado até a família. Perdeu mais dez quilos.
Com apenas um filho, Maria é quem mais conversa com o presidente. "Toda semana nos falamos e ele vem muito a minha casa", conta. Maria vive da aposentadoria do marido e mora numa edícula de um quarto nos fundos da casa do filho e da nora. Além da quimioterapia, ela terá que se submeter a uma cirurgia no ombro esquerdo nos próximos dias, por causa de uma queda em casa. "A prótese que eu tinha colocado por causa de uma bursite saiu do lugar", conta.
Aos 59 anos, a caçula dos Silva, Tiana, também teve uma das filhas demitida depois que o irmão chegou à Presidência. "Minha filha foi demitida do trabalho assim que o Lula ganhou a eleição. O chefe dela não quis ter a sobrinha do presidente dentro de sua empresa", lamenta. A moça é outra costureira na família Silva, pois ainda não conseguiu emprego.
SÓ UM IRMÃO DE LULA TEM CARRO, TODOS MORAM EM CASAS SIMPLES E TRÊS SOFREM COM DOENÇAS GRAVES
Bem humorada, apesar de tudo, Tiana conta aos visitantes a maior curiosidade de sua biografia. Seu nome, na certidão, é Ruth. Quando foi registrada, o funcionário do cartório achou o nome Sebastiana, dado por dona Lindu, muito feio, e mudou sem falar nada a ninguém. A mãe, analfabeta, nem percebeu a troca.
Apesar da boa conversa, Tiana detesta aparecer e odeia fotos. Natural para quem leva a sua vida de trabalhadora e, de jeito nenhum, gostaria de ser reconhecida na rua. Faz tudo pelo anonimato. Servente em uma escola do Estado, na periferia da capital, Tiana pega o ônibus às cinco da manhã todos os dias para, no fim do mês, como outras 18 mil agentes escolares, receber pouco mais de R$ 600.
Há pouco tempo, na agitação da cozinha da escola, Tiana escorregou na comida que os alunos deixaram cair no chão e caiu, quebrando o tornozelo. Só na última semana abandonou a bengala e começou a fazer fisioterapia. Assim como 90% das mulheres brasileiras, Tiana ainda dá duro com a dupla jornada de trabalho. Ela deixa o serviço e continua a rotina de dona de casa, principalmente cozinhando. Mas não reclama de nada. "Essa é a vida como ela é", diz. Pode ser. O certo é que é a vida dos Silva.
pinçado de:
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2061/artigo133558-1.htm
Uma parte do teto da sala da casa do marceneiro aposentado Jaime Inácio da Silva, 72 anos, está sem pintura. Morador da periferia de São Bernardo do Campo, ele vive com a família em um imóvel de dois quartos. Como a reforma já dura anos, foi surpreendido pelo desemprego da filha, Regina, antes de completar o acabamento. "A tinta acabou e não deu para comprar mais", desculpa-se ao visitante. Ele sabe de cabeça o preço de um saco de cimento, um metro cúbico de areia ou uma caixa de ladrilho hidráulico.
No Brasil, quatro em cada dez aposentados brasileiros não conseguem viver com o benefício que recebem do Estado. Jaime é um deles. Há 14 anos, ele complementa sua renda fazendo bicos. Até dezembro, saltava da cama às cinco da matina, sacolejava por uma hora e meia no ônibus lotado até chegar à capital paulista, onde trabalhava em uma empresa metalúrgica. Com a crise financeira, a firma diminuiu o ritmo da produção de peças e Jaime foi colocado em férias remuneradas. "A barra tá difícil", diz. Nos últimos dias, ele trocou a metalurgia pela máquina de costura e passou a ajudar Regina, costureira acidental.
Há pouco mais de seis meses, Jaime chegava do trabalho e foi rendido no portão por quatro assaltantes. Os homens o fizeram entrar e saíram de lá com a televisão - um dos poucos bens de valor da família, ao lado da máquina de costura. Com sacrifício, conseguiu comprar outro aparelho. Afinal de contas, trata-se de sua única diversão. E ele precisa, pois a distração é parte do tratamento de um câncer na garganta que o fez passar por 40 sessões de radioterapia. Jaime viveu seu drama sem jamais pedir nada ao homem mais poderoso do País - por acaso, seu irmão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por um simples motivo: aos olhos de muitas pessoas, a história de Jaime é um drama.
Mas a família de Lula aprendeu a conviver com as adversidades e a enfrentá-las. E elas, hoje, são muitas. "Lula foi eleito para resolver os problemas do Brasil e não da família Silva", resigna-se Jaime, sem citar que as duas coisas se confundem. Desde a ascensão de Lula ao poder, quase nada foi alterado no destino e na rotina dos seis irmãos do presidente. Na última semana, pela primeira vez, todos eles aceitaram receber em suas casas uma equipe de reportagem e ISTOÉ constatou que os outros filhos de dona Lindu e seu Aristides continuam a viver como brasileiros comuns. Da mesma forma que consideraram normal a morte, ainda na infância, de quatro irmãos e assistiram ao mais velho, Zé Cuia, sucumbir à doença de Chagas.
Anormal para eles é mesmo ser irmão de presidente. "É um inferno", diz José Ferreira de Melo, o Frei Chico. "Perdemos toda a nossa liberdade", reclama Genival Inácio da Silva, o Vavá, ex-metalúrgico e funcionário público aposentado da Prefeitura de São Bernardo. Todos têm orgulho da vitória de Lula, mas contam nos dedos os dias que faltam para chegar 2011 e têm horror de pensar em um terceiro mandato.
Ao contrário do que boa parte da população possa imaginar, ter um irmão no Palácio do Planalto, para eles, causa muito mais dissabor do que alegria. O melhor exemplo é o que aconteceu com Vavá. Em 2005, ele foi acusado pela Polícia Federal de montar um escritório de lobby para empresários atuarem em prefeituras petistas e na Esplanada dos Ministérios. Na época, a PF invadiu sua casa, juntou documentos e não encontrou nada que provasse a denúncia. "Até gostei, verificaram minha vida e viram que não tenho nada de sujeira", diz. "As pessoas não aceitam que os irmãos de Lula não tenham nada." Ele também sofre com problemas de saúde.
OS SILVA SE ORGULHAM DO PRESIDENTE, MAS RECLAMAM QUE PERDERAM A LIBERDADE
Nos últimos seis anos, passou por seis cirurgias - uma na coluna e cinco nas pernas para resolver problemas de circulação. Com dificuldades para caminhar, montou uma enfermaria na sala de casa. Vavá acredita que a saúde ele recupera logo, mas a liberdade só mesmo depois de o irmão deixar o poder. "Temos a vida vigiada, a gente vive grampeado", diz. O episódio da PF não trouxe só prejuízo a Vavá. Sua filha foi demitida do emprego porque o dono da firma em que ela trabalhava achou que a sobrinha do presidente dentro de sua empresa também poderia atrair a atenção de espiões. "Desde então, estou desempregada.
Estou ganhando a vida fazendo um trabalho para uma banda de música de forró. Mas sou especialista em tecnologia de informação", diz Andréa, que, como dois de seus primos e, diga-se de passagem, 9% da população brasileira, está procurando emprego.
Irmã mais velha do presidente, Marinete Leite Cerqueira, 70 anos, também atribui o desemprego da filha ao partido de Lula. "Esse menino do PT que assumiu a prefeitura (Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo) demitiu a minha filha. Agora ela está desempregada, tem 51 anos e precisa muito do emprego. Foi uma judiação", diz ela, enquanto pendura roupas no varal. Sua filha era comissionada e foi obrigada a ceder lugar a quem fez concurso. Além do desemprego da filha, Marinete está triste porque perdeu o marido recentemente.
Ele morreu de infarto dentro de casa. "Foi uma pena, estávamos acabando a reforma", conta ela, doméstica desde adolescente - trabalho que a deixou com problemas de coluna e a obriga a fazer RPG e sessões de acupuntura. Marinete está feliz, porém, com o filme Lula, o filho do Brasil. Apaixonada por televisão, sobretudo novelas, Marinete não se conteve quando ficou cara a cara com Glória Pires, que fará o papel de dona Lindu. "Eu não acredito que estou ao lado de você, Glória Pires! Não pode ser verdade", disse ela, como todo fã diante de um ídolo.
"Lula não foi eleito para resolver os problemas da família Silva"
Jaime Inácio da Silva, 72 anos, marceneiro aposentado
Assim como Vavá, Frei Chico também clama por liberdade. "Tenho a sensação de viver pior que na época da ditadura. Você não pode sequer comprar um carro melhorzinho, reformar a casa ou viajar, que logo as pessoas vão falar: 'Tá vendo, ele é irmão do Lula'", diz ele, que nunca vestiu uma batina e assumiu como apelido o codinome dos tempos de militante comunista.
Revoltado, Frei Chico continua o discurso: "O problema que ninguém sabe é que, no meu caso, junto veio um carnê de 48 prestações de 800 pratas." O carro melhorzinho é um Honda Civic, câmbio automático, ano 2005. Ele é o único irmão motorizado. "Se a filha do Fernando Henrique Cardoso, que recebia salário de mais de R$ 7 mil do Senado sem aparecer no trabalho, fosse de nossa família, a desgraça estava feita", critica Frei Chico, metalúrgico aposentado e responsável pela entrada de Lula no sindicalismo.
Assim como Marinete, ele também sofre com dores na coluna e quinzenalmente pratica sessões de RPG. Todos os dias faz caminhada e uma parada obrigatória para tomar café e fumar um cigarro com motoristas de táxi no ponto da igreja matriz da cidade. Como um bom político, cumprimenta a todos com bom humor e brincadeiras. Tem um sonho para assim que o irmão deixar a Presidência: "Como comunista, quero ir a Cuba com minha família. Já até recebi convites, mas, se eu aceitar, no outro dia o mundo cai."
Como comunista, quero ir a Cuba. Se aceitar um convite, o mundo cai"
José Ferreira de Melo, o Frei Chico, 67 anos, metalúrgico aposentado
Entre os Silva, a irmã Maria Ferreira Moreno, a "Maria Baixinha", é a que mais preocupa a todos, principalmente o presidente Lula. Como 70 milhões de brasileiros, Maria tem problemas com a obesidade e já chegou a pesar 80 quilos - perdeu 17. No começo do mandato do irmão, quando ela apostou com a apresentadora Ana Maria Braga que perderia 15 quilos em três meses, perdeu dois a mais e ganhou um automóvel Corsa como prêmio.
O carro foi dado de presente ao filho, que trabalha como caminhoneiro. Há cinco anos, Maria perdeu o marido e entrou em depressão profunda, voltou a engordar e chegou aos 94 quilos, mais que excessivos para quem mede apenas 1,38 m. "Comia uma torta doce de dois quilos na madrugada", revela. Além da obesidade, teve hipertensão e diabete. Há três anos, Maria resolveu fazer uma cirurgia de redução de estômago e perdeu 44 quilos.
Quando pensou que seus problemas de saúde estavam sob controle, há 11 meses, recebeu o diagnóstico de câncer de mama. O choque com o resultado voltou a balançá-la emocionalmente e, desde então, vive praticamente em reclusão. Tem evitado até a família. Perdeu mais dez quilos.
Com apenas um filho, Maria é quem mais conversa com o presidente. "Toda semana nos falamos e ele vem muito a minha casa", conta. Maria vive da aposentadoria do marido e mora numa edícula de um quarto nos fundos da casa do filho e da nora. Além da quimioterapia, ela terá que se submeter a uma cirurgia no ombro esquerdo nos próximos dias, por causa de uma queda em casa. "A prótese que eu tinha colocado por causa de uma bursite saiu do lugar", conta.
Aos 59 anos, a caçula dos Silva, Tiana, também teve uma das filhas demitida depois que o irmão chegou à Presidência. "Minha filha foi demitida do trabalho assim que o Lula ganhou a eleição. O chefe dela não quis ter a sobrinha do presidente dentro de sua empresa", lamenta. A moça é outra costureira na família Silva, pois ainda não conseguiu emprego.
SÓ UM IRMÃO DE LULA TEM CARRO, TODOS MORAM EM CASAS SIMPLES E TRÊS SOFREM COM DOENÇAS GRAVES
Bem humorada, apesar de tudo, Tiana conta aos visitantes a maior curiosidade de sua biografia. Seu nome, na certidão, é Ruth. Quando foi registrada, o funcionário do cartório achou o nome Sebastiana, dado por dona Lindu, muito feio, e mudou sem falar nada a ninguém. A mãe, analfabeta, nem percebeu a troca.
Apesar da boa conversa, Tiana detesta aparecer e odeia fotos. Natural para quem leva a sua vida de trabalhadora e, de jeito nenhum, gostaria de ser reconhecida na rua. Faz tudo pelo anonimato. Servente em uma escola do Estado, na periferia da capital, Tiana pega o ônibus às cinco da manhã todos os dias para, no fim do mês, como outras 18 mil agentes escolares, receber pouco mais de R$ 600.
Há pouco tempo, na agitação da cozinha da escola, Tiana escorregou na comida que os alunos deixaram cair no chão e caiu, quebrando o tornozelo. Só na última semana abandonou a bengala e começou a fazer fisioterapia. Assim como 90% das mulheres brasileiras, Tiana ainda dá duro com a dupla jornada de trabalho. Ela deixa o serviço e continua a rotina de dona de casa, principalmente cozinhando. Mas não reclama de nada. "Essa é a vida como ela é", diz. Pode ser. O certo é que é a vida dos Silva.
pinçado de:
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2061/artigo133558-1.htm
Operário em construção
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construcão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma subita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua propria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edificio em construção
Que sempre dizia "sim"
Começou a dizer "não"
E aprendeu a notar coisas
A que nao dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução
Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
- "Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.
Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
- Loucura! - gritou o patrão
Nao vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construido
O operário em construção
Vinicios de Moraes
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construcão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma subita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua propria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edificio em construção
Que sempre dizia "sim"
Começou a dizer "não"
E aprendeu a notar coisas
A que nao dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução
Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
- "Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.
Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
- Loucura! - gritou o patrão
Nao vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construido
O operário em construção
Vinicios de Moraes
sábado, 22 de agosto de 2009
Pesquisa da carta capital
Carta Capital
O que você achou do voto dos senadores do PT a favor da salvação de José Sarney?
Uma vergonha, sinal de que, como afirmou o senador Flávio Arns, o partido jogou a ética no lixo
46%
Correta, pois o importante no momento é garantir a governabilidade e impedir que a oposição domine o Senado 53%
Esse é o resultado até esse momento, parece que o inconformismo apregoado pela grande imprensa não está funcionando, por isso que tentam mostrar que o povo é idiota, pois já não se deixa dobrar pelas maracutaias do PIG.
O que você achou do voto dos senadores do PT a favor da salvação de José Sarney?
Uma vergonha, sinal de que, como afirmou o senador Flávio Arns, o partido jogou a ética no lixo
46%
Correta, pois o importante no momento é garantir a governabilidade e impedir que a oposição domine o Senado 53%
Esse é o resultado até esse momento, parece que o inconformismo apregoado pela grande imprensa não está funcionando, por isso que tentam mostrar que o povo é idiota, pois já não se deixa dobrar pelas maracutaias do PIG.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Homenagem a Raul
Uma singela homenagem a Raul Seixas, com a banda General Lee.
Que pena que ele nos deixou tão cedo.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
PIG vai à guerra

Caso ninguém tenha notado, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) entrou em guerra com o governo Lula. Acabou aquela história de tentar disfarçar. Partiram para a censura e para a tomada de lado explícita, ainda que sempre com aquele tom “isento”.
Francamente, o sujeito tem que ser meio retardado para não dizer a si mesmo que os comentários dos “colonistas” (termo cunhado por Paulo Henrique Amorim para se referir aos colunistas políticos dos grandes jornais que compõem o PIG) sobre o embate governo versus oposição são de oposicionistas disfarçados.
Bem, quem não percebe o quanto é daninho para o país o poder que esses magnatas da comunicação pretendem ter, se não estiver sendo pago por eles só pode ser meio fraco das idéias mesmo.
De qualquer forma, o fato é que os grandes jornais e suas revistas e as tevês abertas comerciais partiram para uma espécie de tudo ou nada.
Comecemos pela Folha de São Paulo, por exemplo. Além de esse jornal – e de os outros dois diários gigantes (Globo e Estadão) – boicotar a pesquisa Vox Populi que mostra José Serra em queda livre nas intenções de voto, o jornalão me sai hoje com a coluna de Eliane Cantanhêde abaixo reproduzida.

clique na imagem para ler
Como vocês vêem, ela alude a uma estagnação de Dilma e a uma resistência do nível de intenção de voto de Serra que nem o próprio Datafolha demonstrou e que, diante do Vox Populi, tornaram-se impossíveis de se levar a sério.
Com toda certeza Eliane acha que seu leitorado é composto só de fanáticos que endossam qualquer bobagem que disser contanto que lhes acaricie as idiossincrasias políticas. Esquece que tem gente inteligente lendo jornal e analisando os fatos em busca da posição mais correta.
É o mesmo caso de o Globo de hoje. Noticia, na manchete, que acharam o motorista que levou Lina Vieira ao encontro que Dilma Rousseff nega que ocorreu, mas lendo a matéria você descobre que ele esteve várias vezes no Planalto e na própria Casa Civil e que não sabe se em um desses encontros houve a reunião com Dilma que Lina afirma que houve.
Veja a matéria abaixo. É a não-notícia sendo vendida em manchete como furo de reportagem.

clique na imagem para ler
Finalmente, o Estadão publica matéria na qual é noticiado que o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, fará um referendo para mudar a constituição do pais a fim de se candidatar ao terceiro mandato consecutivo. Em vez de fazer como fez com Chávez ou com Lula (este sob mera hipótese de fazer o mesmo que Uribe), criticando o colombiano com fúria, desmancha-se em elogios a ele chamando-o até de “herói”.
Em comum, Globo, Folha e Estadão mostram que perderam qualquer respeito pela inteligência de seus leitorados. Esses jornais, bem como tevês , rádios, revistas, tucanos e pefelistas aliados a eles, certamente acreditam que seus públicos são compostos de fanáticos de direita sequiosos por endossar qualquer barbaridade ou de meros descerebrados.
Essas empresas de comunicação podem estar certas quanto aos seus leitores, ouvintes ou telespectadores, ainda que eu ache difícil que sejam todos assim, mas certamente erram quando pensam que a maioria será incapaz de notar o que estão fazendo.
Escrito por Eduardo Guimarães às 16h52
Pinçado de:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
CULINÁRIA RECEITAS – O último suspiro de José Serra
O governador José Serra é conhecido internacionalmente por ter um pé na cozinha. O seu governo no estado de São Paulo já ficou famoso por ter fritado a educação e colocado na geladeira a redução do IPI que o governo federal deu de presente pra todo o país.
Mas a última iguaria de José Serra foi apontada pelo jornalista Luis Nassif em seu blog: o último suspiro de serra é um prato simples mas que já rendeu 800 comentários no post do bom jornalista, além de uma indigestão campeã no comitê de campanha do PSDB.
O Último Suspiro de Serra
Ingredientes:
- 1 apoio irrestrito da Rede Globo
- 20 jornalistas frescos da Folha de São Paulo. Não se preocupe, todo jornalista da Folha já vem fresco.
- 1 governador tarado pra ser presidente
- 1 prêmio da ONU comprado na Ri-Happy
- 10 colheres de pó (foi mal! Esse ingrediente é pra receita do Aécio!)
Modo de preparo
Numa panela funda, afogue o governo Lula com um monte de denúncias falsas inventadas pela Veja. Deixe esfriar e use a Folha de São Paulo pra requentar esses mesmos factóides depois de um tempo. Aproveite essa folha usada para jogar açucar no período da ditadura
Assim que ninguém levar isso à sério e sua batata começar a assar, adicione um Sarney refogado. Salpique meia dúzia de bobos dizendo “#forasarney” pra fingir que esse tempero faz parte da massa. Se alguém perguntar o que é esse bigode diga que é do saco do feijão
Bata em uns estudantes na faculdade pro bolo crescer. Pegue os 80 pedidos de CPI do seu estado, os milhões roubados pelo Arthur Virgílio e a Yeda Crusius e reserve. Reserve debaixo do tapete, bem longe. Especialmente porque ninguém é maluco de comer a Yeda. Já o Virgílio, não bote a mão no fogo.
Se publicarem uma crítica negativa do seu prato, frite jornalistas e blogueiros, mas cuidado pra não ficar azeredo.
A receita acima dá pra 1 porção de segundo lugar nas eleições de 2010. Ou você pode servir isso como merenda nas escolas do Estado de São Paulo. Convenhamos: as crianças da rede estadual de SP já comem coisa bem pior.
pinçado de:
http://quantotempodura.wordpress.com/
Mas a última iguaria de José Serra foi apontada pelo jornalista Luis Nassif em seu blog: o último suspiro de serra é um prato simples mas que já rendeu 800 comentários no post do bom jornalista, além de uma indigestão campeã no comitê de campanha do PSDB.
O Último Suspiro de Serra
Ingredientes:
- 1 apoio irrestrito da Rede Globo
- 20 jornalistas frescos da Folha de São Paulo. Não se preocupe, todo jornalista da Folha já vem fresco.
- 1 governador tarado pra ser presidente
- 1 prêmio da ONU comprado na Ri-Happy
- 10 colheres de pó (foi mal! Esse ingrediente é pra receita do Aécio!)
Modo de preparo
Numa panela funda, afogue o governo Lula com um monte de denúncias falsas inventadas pela Veja. Deixe esfriar e use a Folha de São Paulo pra requentar esses mesmos factóides depois de um tempo. Aproveite essa folha usada para jogar açucar no período da ditadura
Assim que ninguém levar isso à sério e sua batata começar a assar, adicione um Sarney refogado. Salpique meia dúzia de bobos dizendo “#forasarney” pra fingir que esse tempero faz parte da massa. Se alguém perguntar o que é esse bigode diga que é do saco do feijão
Bata em uns estudantes na faculdade pro bolo crescer. Pegue os 80 pedidos de CPI do seu estado, os milhões roubados pelo Arthur Virgílio e a Yeda Crusius e reserve. Reserve debaixo do tapete, bem longe. Especialmente porque ninguém é maluco de comer a Yeda. Já o Virgílio, não bote a mão no fogo.
Se publicarem uma crítica negativa do seu prato, frite jornalistas e blogueiros, mas cuidado pra não ficar azeredo.
A receita acima dá pra 1 porção de segundo lugar nas eleições de 2010. Ou você pode servir isso como merenda nas escolas do Estado de São Paulo. Convenhamos: as crianças da rede estadual de SP já comem coisa bem pior.
pinçado de:
http://quantotempodura.wordpress.com/
O Alexandre Garcia é uma gracinha mesmo.
Hoje (19/08/09) o dito jornalista Alexandre Garcia em seu comentário no bom dia Brasil disse que a ex secretária Lina só pode estar dizendo a verdade, pois ninguém consegue mentir por quatro horas diante da pressão dos senadores.
Ora sr. Alexandre, quem mente, mente por quatro horas seguidas, por quatro dias seguidos, quatro semanas, quatro anos, quatro décadas, ou até quatro vidas, se as tiver.
Empunhe logo, sr. Alexandre Garcia, a bandeira do PSDB e faça abertamente propaganda eleitoral para o sr. José Serra, ficaria mais decente do que se esconder atrás da profissão de jornalista e se dizer imparcial, para fazê-lo,pois as pessoas não são bobas e a cada dia sua credibilidade ( juntamente com a da Globo, que a cada dia perde audiência por conta disso) se escoa pelo ralo do jornalismo de esgoto que faz.
No post anterior a esse, temos um pouquinho de Lina Vieira, leiam e cheguem as suas própias conclusões e reflitam se ela é ou não capaz de mentir por quatro horas seguidas.
Se ele e a imprensa fizessem jornalismo sério e fosse verdade a tal reunião, já teria aparecido nos telejornais o tal motorista que a levou, ou não são capazes de fazer jornalismo investigativo.
Ora sr. Alexandre, quem mente, mente por quatro horas seguidas, por quatro dias seguidos, quatro semanas, quatro anos, quatro décadas, ou até quatro vidas, se as tiver.
Empunhe logo, sr. Alexandre Garcia, a bandeira do PSDB e faça abertamente propaganda eleitoral para o sr. José Serra, ficaria mais decente do que se esconder atrás da profissão de jornalista e se dizer imparcial, para fazê-lo,pois as pessoas não são bobas e a cada dia sua credibilidade ( juntamente com a da Globo, que a cada dia perde audiência por conta disso) se escoa pelo ralo do jornalismo de esgoto que faz.
No post anterior a esse, temos um pouquinho de Lina Vieira, leiam e cheguem as suas própias conclusões e reflitam se ela é ou não capaz de mentir por quatro horas seguidas.
Se ele e a imprensa fizessem jornalismo sério e fosse verdade a tal reunião, já teria aparecido nos telejornais o tal motorista que a levou, ou não são capazes de fazer jornalismo investigativo.
A Dra. Lina tenta dar a volta num pedreiro. E outras atividades políticas
O conversa afiada reproduz comentário do amigo navegante Stanley Burburinho:
Stanley Burburinho
Enviado em 18/08/2009 às 13:17
Segundo a Ata de Audiência do Processo nº 00434-2005-003-21-00-7 (RT), do dia 02 de junho de 2005, da Terceira Vara Federal do Trabalho de Natal-RN , a Sra. Lina Maria Vieira (Reclamada) em 2005, tentou dar uma volta em um pobre pedreiro (Reclamante) deixando de assinar o contrato de trabalho na CPTS por quase um ano. Acontece que a Sra. Lina Maria Vieira deu uma volta no Oficial de Justiça e não compareceu à primeira audiência:
“(…)
Reclamada: LINA MARIA VIEIRA, pessoa física de direito privado.
PRESENTE O RECLAMANTE e seu Representante Legal.
AUSENTE A RECLAMADA.
INSTALADA A AUDIÊNCIA E RELATADO O PROCESSO.
Tendo em vista a certidão expedida pela senhora oficiala de justiça (fl. 16), o acusa que a Reclamada não veio a ser notificada, o reclamante, por intermédio de seu Ilustre Patrono, reitera que a reclamada permanece residindo no endereço mencionado, além do que, trata-se de pessoa bastante conhecida, eis que exerce a função de Secretária de Tributação do Estado do RN, de modo que, acaso não seja possível localizá-la em seu domicílio, requer seja a mesma notificada em seu local de trabalho, qual seja a Secretaria de Tributação, no Centro Administrativo do Estado do RN. Deferida a pretensão, a Secretaria desta Vara do Trabalho adote as providências de estilo, procedendo a notificação inicial da reclamada por Oficial de Justiça, observado os termos ora implementados pelo reclamante.
Sessão de continuação para o dia 16.06.2005 às 9:50 horas. Mantidas todas as advertências anteriores quanto a necessidade de comparecimento pessoal dos litigantes acompanhados das provas orais e documentais.
Ciente o Reclamante.
Intime-se a Reclamada por Oficial de Justiça.
NADA MAIS.
(…)”
http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&ct=res&cd=1&url=http%3A%2F%2Fftp.trt21.gov.br%2Fjud1%2F3vtnatal%2Fatas%2F02-06-2005%2F0434-05.doc&ei=876JStyJOY3klAfD15mhCw&rct=j&q=%22LINA+MARIA+VIEIRA%2C+pessoa+F%C3%ADsica+de+direito+privado%22&usg=AFQjCNHntvVutyCLNx0eXO-4spxyoUqF8A
Na outra audiência do dia 16 de junho de 2005, a Sra. Lina Maria Vieira foi condenada pelo Juiz:
“(…)
A Reclamada pagará ao Reclamante a importância líquida total de R$ 2.500,00(dois mil e quinhentos), dividida em 04 PARCELAS IGUAIS E SUCESSIVAS de R$ 625,00 (seiscentos e vinte e cinco reais), na Secretaria desta Vara do Trabalho até às 12:00 horas, observadas as seguintes datas: 27.06.2005; 25.07.2005;26.08.2005; e 26.09.2005.
A Reclamada, até a data preclusiva de 27.06.2005, devolverá à Secretaria desta Vara do Trabalho a CTPS do Reclamante com as devidas ANOTAÇÕES CONTRATUAIS, observando-se os seguintes dados: Função: pedreiro; Salário Mensal de R$ 411,40 (quatrocentos e onze reais e quarenta centavos); Data de Admissão: 02.03.2004; Data de Saída: 26.02.2005.
(…)”
http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&ct=res&cd=2&url=http%3A%2F%2Fftp.trt21.gov.br%2Fjud1%2F3vtnatal%2Fatas%2F16-06-2005%2F0434-05.doc&ei=876JStyJOY3klAfD15mhCw&rct=j&q=%22LINA+MARIA+VIEIRA%2C+pessoa+F%C3%ADsica+de+direito+privado%22&usg=AFQjCNH9cYBm5F5i5aCt_rnNV3pR2dQQ1Q
Em 2006 a Sra. Lina Maria Vieira contribuiu com R$ 4.000,00 para a campanha da governadora do RN Wilma Faria para quem ela já trabalhou.
O curioso é que no site AsClaras (http://www.asclaras.org.br/2006/doador.php?DOCodigo=104125&rs=true ), ao contrário dos demais doadores, o nome do político beneficiado pela Sra. Lina não aparece. Pelo número de votos que o candidato conseguiu (824.101), foi até o Google e digitei “Rio Grande do Norte” + 824.101 + votos” e apareceu o nome da Sra. Wilma Faria.
Em junho passado a Sra. Lina Vieira, apesar de ser de Belo Horizonte, recebeu da governadora Wilma Faria o título de cidadã norte-rio-grandense:
“Lina Vieira recebe título de cidadã norte-rio-grandense
10.06.2009
Laurivan Sousa
A Assembleia Legislativa concedeu nesta quarta-feira, 10, o título de cidadã norte-rio-grandense à secretária-geral da Receita Federal do Brasil, Lina Maria Vieira. A solenidade, proposição da deputada Márcia Maia (PSB), foi prestigiada pelo vice-governador Iberê Ferreira de Souza, por vários deputados, secretários de Estado e funcionários da Receita Federal no Rio Grande do Norte.
No início da sessão solene, o presidente da Assembleia, deputado Robinson Faria (PMN), leu uma mensagem da governadora Wilma de Faria para a secretária Lina Vieira. “Lina é um orgulho para todas as mulheres do Estado. É uma norteriograndense sem precisar de certidão de nascimento. Sinto muito não poder abraçá-la nesta justa homenagem”, dizia um trecho da mensagem da governadora, que não pôde comparecer. O vice-governador, Iberê Ferreira, a representou na solenidade.
(…)”
http://inativas.maxmeio.com/marciamaia2008/navegacao/ver_noticia.php?id_noticia=206
A Assessora da Sra. Lina Maria Vieira, Sra. Iraneth Maria Dias Weiler que disse que confirmaria o suposto encontro da Ministra Dilma com a Sra. Lina, em 1998 fez doação para a campanha do FHC:
“RECURSOS ARRECADADOS CAMPANHA ELEITORAL 1998
Candidato: FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
(…)
Iraneth Maria Dias Weiler R$50,00
(…)’
http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&ct=res&cd=4&url=http%3A%2F%2Fwww1.uol.com.br%2Ffernandorodrigues%2Farquivos%2Feleicoes98%2Fdoadores%2Ffhc98.doc&ei=DyWHSvG6MMSHtgeS19znDA&rct=j&q=%22Iraneth+Maria+Dias+Weiler%22&usg=AFQjCNHAwlLR4Z8cX0EyAZbUlXnJ_YnfMQ
pinçado de:
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/index.php?s=lina+d%C3%A1+volta+em+pedreiro
Stanley Burburinho
Enviado em 18/08/2009 às 13:17
Segundo a Ata de Audiência do Processo nº 00434-2005-003-21-00-7 (RT), do dia 02 de junho de 2005, da Terceira Vara Federal do Trabalho de Natal-RN , a Sra. Lina Maria Vieira (Reclamada) em 2005, tentou dar uma volta em um pobre pedreiro (Reclamante) deixando de assinar o contrato de trabalho na CPTS por quase um ano. Acontece que a Sra. Lina Maria Vieira deu uma volta no Oficial de Justiça e não compareceu à primeira audiência:
“(…)
Reclamada: LINA MARIA VIEIRA, pessoa física de direito privado.
PRESENTE O RECLAMANTE e seu Representante Legal.
AUSENTE A RECLAMADA.
INSTALADA A AUDIÊNCIA E RELATADO O PROCESSO.
Tendo em vista a certidão expedida pela senhora oficiala de justiça (fl. 16), o acusa que a Reclamada não veio a ser notificada, o reclamante, por intermédio de seu Ilustre Patrono, reitera que a reclamada permanece residindo no endereço mencionado, além do que, trata-se de pessoa bastante conhecida, eis que exerce a função de Secretária de Tributação do Estado do RN, de modo que, acaso não seja possível localizá-la em seu domicílio, requer seja a mesma notificada em seu local de trabalho, qual seja a Secretaria de Tributação, no Centro Administrativo do Estado do RN. Deferida a pretensão, a Secretaria desta Vara do Trabalho adote as providências de estilo, procedendo a notificação inicial da reclamada por Oficial de Justiça, observado os termos ora implementados pelo reclamante.
Sessão de continuação para o dia 16.06.2005 às 9:50 horas. Mantidas todas as advertências anteriores quanto a necessidade de comparecimento pessoal dos litigantes acompanhados das provas orais e documentais.
Ciente o Reclamante.
Intime-se a Reclamada por Oficial de Justiça.
NADA MAIS.
(…)”
http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&ct=res&cd=1&url=http%3A%2F%2Fftp.trt21.gov.br%2Fjud1%2F3vtnatal%2Fatas%2F02-06-2005%2F0434-05.doc&ei=876JStyJOY3klAfD15mhCw&rct=j&q=%22LINA+MARIA+VIEIRA%2C+pessoa+F%C3%ADsica+de+direito+privado%22&usg=AFQjCNHntvVutyCLNx0eXO-4spxyoUqF8A
Na outra audiência do dia 16 de junho de 2005, a Sra. Lina Maria Vieira foi condenada pelo Juiz:
“(…)
A Reclamada pagará ao Reclamante a importância líquida total de R$ 2.500,00(dois mil e quinhentos), dividida em 04 PARCELAS IGUAIS E SUCESSIVAS de R$ 625,00 (seiscentos e vinte e cinco reais), na Secretaria desta Vara do Trabalho até às 12:00 horas, observadas as seguintes datas: 27.06.2005; 25.07.2005;26.08.2005; e 26.09.2005.
A Reclamada, até a data preclusiva de 27.06.2005, devolverá à Secretaria desta Vara do Trabalho a CTPS do Reclamante com as devidas ANOTAÇÕES CONTRATUAIS, observando-se os seguintes dados: Função: pedreiro; Salário Mensal de R$ 411,40 (quatrocentos e onze reais e quarenta centavos); Data de Admissão: 02.03.2004; Data de Saída: 26.02.2005.
(…)”
http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&ct=res&cd=2&url=http%3A%2F%2Fftp.trt21.gov.br%2Fjud1%2F3vtnatal%2Fatas%2F16-06-2005%2F0434-05.doc&ei=876JStyJOY3klAfD15mhCw&rct=j&q=%22LINA+MARIA+VIEIRA%2C+pessoa+F%C3%ADsica+de+direito+privado%22&usg=AFQjCNH9cYBm5F5i5aCt_rnNV3pR2dQQ1Q
Em 2006 a Sra. Lina Maria Vieira contribuiu com R$ 4.000,00 para a campanha da governadora do RN Wilma Faria para quem ela já trabalhou.
O curioso é que no site AsClaras (http://www.asclaras.org.br/2006/doador.php?DOCodigo=104125&rs=true ), ao contrário dos demais doadores, o nome do político beneficiado pela Sra. Lina não aparece. Pelo número de votos que o candidato conseguiu (824.101), foi até o Google e digitei “Rio Grande do Norte” + 824.101 + votos” e apareceu o nome da Sra. Wilma Faria.
Em junho passado a Sra. Lina Vieira, apesar de ser de Belo Horizonte, recebeu da governadora Wilma Faria o título de cidadã norte-rio-grandense:
“Lina Vieira recebe título de cidadã norte-rio-grandense
10.06.2009
Laurivan Sousa
A Assembleia Legislativa concedeu nesta quarta-feira, 10, o título de cidadã norte-rio-grandense à secretária-geral da Receita Federal do Brasil, Lina Maria Vieira. A solenidade, proposição da deputada Márcia Maia (PSB), foi prestigiada pelo vice-governador Iberê Ferreira de Souza, por vários deputados, secretários de Estado e funcionários da Receita Federal no Rio Grande do Norte.
No início da sessão solene, o presidente da Assembleia, deputado Robinson Faria (PMN), leu uma mensagem da governadora Wilma de Faria para a secretária Lina Vieira. “Lina é um orgulho para todas as mulheres do Estado. É uma norteriograndense sem precisar de certidão de nascimento. Sinto muito não poder abraçá-la nesta justa homenagem”, dizia um trecho da mensagem da governadora, que não pôde comparecer. O vice-governador, Iberê Ferreira, a representou na solenidade.
(…)”
http://inativas.maxmeio.com/marciamaia2008/navegacao/ver_noticia.php?id_noticia=206
A Assessora da Sra. Lina Maria Vieira, Sra. Iraneth Maria Dias Weiler que disse que confirmaria o suposto encontro da Ministra Dilma com a Sra. Lina, em 1998 fez doação para a campanha do FHC:
“RECURSOS ARRECADADOS CAMPANHA ELEITORAL 1998
Candidato: FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
(…)
Iraneth Maria Dias Weiler R$50,00
(…)’
http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&ct=res&cd=4&url=http%3A%2F%2Fwww1.uol.com.br%2Ffernandorodrigues%2Farquivos%2Feleicoes98%2Fdoadores%2Ffhc98.doc&ei=DyWHSvG6MMSHtgeS19znDA&rct=j&q=%22Iraneth+Maria+Dias+Weiler%22&usg=AFQjCNHAwlLR4Z8cX0EyAZbUlXnJ_YnfMQ
pinçado de:
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Se “eles” não se mexem
Estive no Palácio dos Bandeirantes a convite do governador José Serra e, naquele encontro, ele me fez uma proposta indecorosa, de que “agilizasse” meus textos críticos a ele. Supus, na hora, que eu deveria parar de escrever a troco de dinheiro do contribuinte paulista.
Não me lembro em que dia foi o encontro. Tampouco me lembro da hora. Nosso encontro também não foi registrado na agenda oficial. Contudo, se quiserem comprovar minha versão, podem requisitar as fitas do circuito interno de tevê do palácio para achar minha imagem entrando e saindo de lá, caso consigam adivinhar o período a investigar.
Ah, sim: se quiserem, topo participar de uma acareação com o governador do Estado de São Paulo. Ele (uma autoridade) e eu (um mero acusador) ficaremos frente a frente e repetirei tudo o que acabo de escrever.
pinçado de:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
Não me lembro em que dia foi o encontro. Tampouco me lembro da hora. Nosso encontro também não foi registrado na agenda oficial. Contudo, se quiserem comprovar minha versão, podem requisitar as fitas do circuito interno de tevê do palácio para achar minha imagem entrando e saindo de lá, caso consigam adivinhar o período a investigar.
Ah, sim: se quiserem, topo participar de uma acareação com o governador do Estado de São Paulo. Ele (uma autoridade) e eu (um mero acusador) ficaremos frente a frente e repetirei tudo o que acabo de escrever.
pinçado de:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
Lula e o segredo do partido mudo
Lula e o segredo do partido mudo
O PT é um partido sem mídia.
O PSDB é uma mídia com partido.
Mauro Carrara
Poucos homens públicos brasileiros exibem currículo tão desonroso quanto o senador amazonense Arthur Virgílio.
Escolha-se uma patifaria qualquer. E logo se encontra o parlamentar como despudorado protagonista de uma façanha nessa categoria.
Qualquer “cidadão de bem”, se bem informado, pediria a cassação imediata do embusteiro da floresta. Bastaria que soubesse, por exemplo, como o tucano agiu na CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes para salvar seu comparsa Omar Aziz.
Ainda assim, Virgílio mantém-se como interlocutor preferencial da mídia golpista. Com sua cara de gaiato falastrão, posa como paladino da moral e dos bons costumes.
Lula o considera um sujeito de má índole e reclama por ter como oponente o mais desqualificado membro da Câmara Alta.
Este é apenas um exemplo de como o presidente trava uma luta desigual no campo da informação.
Seus principais apoiadores têm sido midiaticamente alvejados, um a um, como patos na esteira da barraca de tiro do parque de diversões.
Seus inimigos, no entanto, permanecem incólumes. E, não raro, riem da impotência do partido do presidente, que eles mesmos já apelidaram de “Partido Mudo”.
Na recente troca de tiros no Senado, o bandalho-mor acabou recebendo até mesmo o apoio de membros da estulta bancada mudista.
Nos corredores da casa, bateu no peito e gargalhou dos submissos adversários.
Em recentes episódios, aliás, a oposição pisou sobre um felpudo capacho de senadores da estrela, divididos entre a estupidez e o jogo pessoal de interesses.
Do ponto de vista da comunicação, é espantosa a incapacidade dos representantes do partido para propagar qualquer defesa consistente do governo.
Ao contrário, muitos procuram adular os agentes de mídia monopolista em busca de um afago de três linhas ou de três segundos.
No caso das instâncias diretivas do partido, a situação é ainda pior. A norma é a tímida reclamação infantil ou a omissão completa.
O mundo recebeu uma espetacular lição de guerrilha comunicativa durante a campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.
O afro-descendente conseguiu falar “por cima” da grande mídia, utilizando sobretudo os canais da Internet, como blogs, redes sociais e fóruns.
Em dado momento, sua relação com boa parte do eleitorado já não era mediada pelos NYT e WP da vida. Sua comunicação se estabelecia à margem dos filtros da grande mídia.
No Brasil, entretanto, o Partido Mudo não aprendeu nada com esse exemplo histórico.
O PM desconhece a dinâmica do moderno marketing político viral, especialmente no campo das mídias eletrônicas interativas.
Acredita que basta manter um sitezinho e postar, de vez em quando, um artigo em defesa do governo.
Do alto de sua ignorância arrogante, o PM tolamente crê em canais unidirecionais de comunicação, mesmo com todas as evidências contrárias.
Enquanto alguns ideólogos ainda perdem tempo discutindo as razões da implosão da Primeira Internacional, ocorrida há mais de 140 anos, as oposições trabalham diariamente os nichos de formadores de opinião na Internet.
Por conta desse descuido tático, por exemplo, José Genoíno caiu inocentemente numa armadilha criada pelos tucanos do programa CQC, liderado pelo transtucano Marcelo Tas, o carequinha da FIESP.
Os cegos do castelo
O dossiê da MTV, em sua versão 2.008, já mostrava que 74% dos jovens utilizavam celulares, inclusive para receber informação.
Em cada grupo de 10, pelos menos 8 faziam parte de uma comunidade virtual, como Orkut, Facebook e Myspace.
Nesses canais de difusão informativa, a presença organizada do governo e do partido do presidente é praticamente nula.
É lá, no entanto, que os “palhaços chiques” do RPNC organizam suas passeatas do Fora Sarney. É lá que difundem diariamente a falsa “ficha de terrorista” de Dilma e fazem ecoar as ideias de Mainardi e Azevedo.
Durante anos, cogitou-se da criação de um canal de comunicação de massa, um “UOL do bem”, difusor de informação descontaminada. O projeto, entretanto, nunca saiu do papel.
Mas por quê? Afinal, não custa caro. E há gente competentíssima para tocar qualquer ação do gênero. Muitos demitidos das redações por ordem de José Serra...
Na verdade, nos círculos de proteção do governo e do Partido Mudo, o tema converteu-se em tabu e, com o tempo, assim se cristalizou.
Até as pessoas de bom caráter, agora convertidos em cegos do castelo, fogem do assunto. Desconversam. A norma é bufar, fazer careta e apontar problemas logísticos, técnicos e financeiros.
São argumentos convenientes, mas pobres. Afinal, hoje, garotos de 14 anos montam, do dia para a noite, sites de baladas que acusam até 500 mil visitas diárias.
Há ainda quem diga que a tal “blogosfera” já é capaz de ocupar esse espaço estratégico, o que se constitui em estupendo equívoco, mesmo que se louve a batalha diária de Azenhas, Rodrigos, Cloaqueiros, Beatrices e outros heróis da resistência.
Afinal, nestes dias de bits insanos e errantes, a desconstrução da imagem do governo se faz além dos debates exclusivamente políticos e sociais. A campanha está presente extensivamente em todas as editorias, em tintas ou pixels.
Basta clicar, por exemplo, no blog do jornalista esportivo Juca Kfouri, da Folha de S. Paulo. Entre os comentários sobre os gols de Ronaldo e as contratações do Fluminense, há volumoso material destinado a desqualificar o governo Lula, todos os dias, obsessivamente.
A ordem nas redações, pois, é ampliar a ação de sabotagem para as outras editorias. Os meninos e meninas que nada leem de política são agora colhidos pela campanha de demonização de Lula e Dilma nas editorias de esportes e artes, bem como nas páginas de “humor”.
Um eventual “UOL do bem”, portanto, somente funcionará se compuser um mosaico informativo e opinativo de ampla abrangência temática.
Terá de tratar de moda, culinária, saúde e cultura em suas páginas iluminadas, o que parece um “pecado” para certa esquerda decrépita ou conformada.
Herança de silêncio
No árduo trabalho para conduzir o metalúrgico à presidência, seu principal articulador prometeu que o Partido Mudo não invadiria alguns feudos de comunicação.
Em troca, as famílias do cartel de comunicação pegariam leve com o candidato.
O acordo nunca foi bem cumprido pelos midiocratas. E, em dado momento, o próprio articulador foi triturado por esses interlocutores.
Estranhamente, no entanto, os homens de comunicação do governo e do Partido Mudo ainda respeitam essa vergonhosa interdição.
O que, afinal, explica a manutenção desse transe? Acorda, zumbi! Fala!
pinçado de:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lula-e-o-segredo-do-partido-mudo/
O PT é um partido sem mídia.
O PSDB é uma mídia com partido.
Mauro Carrara
Poucos homens públicos brasileiros exibem currículo tão desonroso quanto o senador amazonense Arthur Virgílio.
Escolha-se uma patifaria qualquer. E logo se encontra o parlamentar como despudorado protagonista de uma façanha nessa categoria.
Qualquer “cidadão de bem”, se bem informado, pediria a cassação imediata do embusteiro da floresta. Bastaria que soubesse, por exemplo, como o tucano agiu na CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes para salvar seu comparsa Omar Aziz.
Ainda assim, Virgílio mantém-se como interlocutor preferencial da mídia golpista. Com sua cara de gaiato falastrão, posa como paladino da moral e dos bons costumes.
Lula o considera um sujeito de má índole e reclama por ter como oponente o mais desqualificado membro da Câmara Alta.
Este é apenas um exemplo de como o presidente trava uma luta desigual no campo da informação.
Seus principais apoiadores têm sido midiaticamente alvejados, um a um, como patos na esteira da barraca de tiro do parque de diversões.
Seus inimigos, no entanto, permanecem incólumes. E, não raro, riem da impotência do partido do presidente, que eles mesmos já apelidaram de “Partido Mudo”.
Na recente troca de tiros no Senado, o bandalho-mor acabou recebendo até mesmo o apoio de membros da estulta bancada mudista.
Nos corredores da casa, bateu no peito e gargalhou dos submissos adversários.
Em recentes episódios, aliás, a oposição pisou sobre um felpudo capacho de senadores da estrela, divididos entre a estupidez e o jogo pessoal de interesses.
Do ponto de vista da comunicação, é espantosa a incapacidade dos representantes do partido para propagar qualquer defesa consistente do governo.
Ao contrário, muitos procuram adular os agentes de mídia monopolista em busca de um afago de três linhas ou de três segundos.
No caso das instâncias diretivas do partido, a situação é ainda pior. A norma é a tímida reclamação infantil ou a omissão completa.
O mundo recebeu uma espetacular lição de guerrilha comunicativa durante a campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.
O afro-descendente conseguiu falar “por cima” da grande mídia, utilizando sobretudo os canais da Internet, como blogs, redes sociais e fóruns.
Em dado momento, sua relação com boa parte do eleitorado já não era mediada pelos NYT e WP da vida. Sua comunicação se estabelecia à margem dos filtros da grande mídia.
No Brasil, entretanto, o Partido Mudo não aprendeu nada com esse exemplo histórico.
O PM desconhece a dinâmica do moderno marketing político viral, especialmente no campo das mídias eletrônicas interativas.
Acredita que basta manter um sitezinho e postar, de vez em quando, um artigo em defesa do governo.
Do alto de sua ignorância arrogante, o PM tolamente crê em canais unidirecionais de comunicação, mesmo com todas as evidências contrárias.
Enquanto alguns ideólogos ainda perdem tempo discutindo as razões da implosão da Primeira Internacional, ocorrida há mais de 140 anos, as oposições trabalham diariamente os nichos de formadores de opinião na Internet.
Por conta desse descuido tático, por exemplo, José Genoíno caiu inocentemente numa armadilha criada pelos tucanos do programa CQC, liderado pelo transtucano Marcelo Tas, o carequinha da FIESP.
Os cegos do castelo
O dossiê da MTV, em sua versão 2.008, já mostrava que 74% dos jovens utilizavam celulares, inclusive para receber informação.
Em cada grupo de 10, pelos menos 8 faziam parte de uma comunidade virtual, como Orkut, Facebook e Myspace.
Nesses canais de difusão informativa, a presença organizada do governo e do partido do presidente é praticamente nula.
É lá, no entanto, que os “palhaços chiques” do RPNC organizam suas passeatas do Fora Sarney. É lá que difundem diariamente a falsa “ficha de terrorista” de Dilma e fazem ecoar as ideias de Mainardi e Azevedo.
Durante anos, cogitou-se da criação de um canal de comunicação de massa, um “UOL do bem”, difusor de informação descontaminada. O projeto, entretanto, nunca saiu do papel.
Mas por quê? Afinal, não custa caro. E há gente competentíssima para tocar qualquer ação do gênero. Muitos demitidos das redações por ordem de José Serra...
Na verdade, nos círculos de proteção do governo e do Partido Mudo, o tema converteu-se em tabu e, com o tempo, assim se cristalizou.
Até as pessoas de bom caráter, agora convertidos em cegos do castelo, fogem do assunto. Desconversam. A norma é bufar, fazer careta e apontar problemas logísticos, técnicos e financeiros.
São argumentos convenientes, mas pobres. Afinal, hoje, garotos de 14 anos montam, do dia para a noite, sites de baladas que acusam até 500 mil visitas diárias.
Há ainda quem diga que a tal “blogosfera” já é capaz de ocupar esse espaço estratégico, o que se constitui em estupendo equívoco, mesmo que se louve a batalha diária de Azenhas, Rodrigos, Cloaqueiros, Beatrices e outros heróis da resistência.
Afinal, nestes dias de bits insanos e errantes, a desconstrução da imagem do governo se faz além dos debates exclusivamente políticos e sociais. A campanha está presente extensivamente em todas as editorias, em tintas ou pixels.
Basta clicar, por exemplo, no blog do jornalista esportivo Juca Kfouri, da Folha de S. Paulo. Entre os comentários sobre os gols de Ronaldo e as contratações do Fluminense, há volumoso material destinado a desqualificar o governo Lula, todos os dias, obsessivamente.
A ordem nas redações, pois, é ampliar a ação de sabotagem para as outras editorias. Os meninos e meninas que nada leem de política são agora colhidos pela campanha de demonização de Lula e Dilma nas editorias de esportes e artes, bem como nas páginas de “humor”.
Um eventual “UOL do bem”, portanto, somente funcionará se compuser um mosaico informativo e opinativo de ampla abrangência temática.
Terá de tratar de moda, culinária, saúde e cultura em suas páginas iluminadas, o que parece um “pecado” para certa esquerda decrépita ou conformada.
Herança de silêncio
No árduo trabalho para conduzir o metalúrgico à presidência, seu principal articulador prometeu que o Partido Mudo não invadiria alguns feudos de comunicação.
Em troca, as famílias do cartel de comunicação pegariam leve com o candidato.
O acordo nunca foi bem cumprido pelos midiocratas. E, em dado momento, o próprio articulador foi triturado por esses interlocutores.
Estranhamente, no entanto, os homens de comunicação do governo e do Partido Mudo ainda respeitam essa vergonhosa interdição.
O que, afinal, explica a manutenção desse transe? Acorda, zumbi! Fala!
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José Serra, os porquinhos e a matemática.
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