Tudo junto e misturado


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um pouco de heavy metal

Só pra desestressar
Black Label Society - "Stillborn"




letra:
Blind me, erased what was
Stillborn I have become
The feelings I once felt are now dead and gone
I've waited here for you for so very long
So empty, just a shell of a man
Stillborn, this I understand
The feelings I once felt are now dead and gone
I've waited here for you for so very long.

I've waited here for you for so long
I've waited here for you, for you


The feelings I once felt are now dead and gone
I've waited here for you for so very long

I've waited here for you for so long
I've waited here for you for so long
I've waited here for you for so long
I've waited here for you, for you


tradução:
Cega-me, apague o que era
Natimorto eu me tornei
Os sentimentos que eu uma vez senti agora estão mortos, foram.
Eu esperei aqui por você por tanto tempo
Tão vazio, Apenas uma casca de um homem
Natimorto, isso eu entendo
Os sentimentos que eu uma vez senti agora estão mortos, foram.
Eu esperei aqui por você por tanto tempo

OS GNÚS E OS CROCODILOS

Do blog Y sem soma
Mais uma ótima fábula de Y sem soma

Os gnús aos montes iam
Numa tão longa jornada
A savana é que era a estrada
Do caminho que faziam
Pela terra ensolarada

Toda África que via
O mover-se da manada
Quase assim imaginava
Um só corpo em harmonia
Que o mundo desbravava

Mas se unido parecia
Bem o bando enganava
Um ao outro atropelava
Porque a lei dali dizia
Para um tudo. Ao outro? Nada!

Quando a regra é avançar
Ninguém olha para o lado
Quem não pisa é pisado
Se um atreve-se a esperar
Também é abandonado

E os dois viram alimento
Nisso o monstro é que prospera
Abre a boca, só espera
Depois noutro movimento
Fecha a boca, aí já era

E vão outros mais à frente
Quase sem esforço algum
É assim infelizmente
Abre a boca novamente
Quando fecha foi mais um

Pode ser pai filho irmão
Para o bando tanto faz
É assim que as coisas são
Nem que morra um milhão
Não se voltam para trás

Talvez por se preocupar
Só consigo e mais ninguém
Que nunca foram perguntar
Um ou outro e procurar
Se fraqueza o monstro tem

Sim! O monstro tem fraqueza
E isto já nem é surpresa
Antes que ele dilacera
Pise nos olhos da fera
Que abre a boca e larga a presa

Penso que é assim com a gente
Que é tão individual
Se alguém tomba ninguém sente
Vai seguindo infelizmente
E morre... do mesmo mal.

Pinçado de:
http://ysemsoma.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Se nossa imprensa fosse séria...



Se nossa imprensa fosse séria e não fizesse propaganda travestida de notícia, teria agido assim,ao invés de dissiminar o pânico na população. A pergunta que não quer calar é: então folha de São Paulo, já estamos perto de 35 milhões de infectados com o vírus A-H1N1?

Serra, Aécio e FHC afinam discurso do fracasso

Do blog amigos do presidente Lula

Só faltou Yeda Crusius (PSDB/RS) e Eduardo Azeredo (PSDB/MG) nesta foto.





Nesta segunda-feira, o governador de MG, Aécio Neves (PSDB), esteve em São Paulo, para inaugurar um casarão chamado Espaço Minas Gerais, bancado pelo Governo de Minas (foto acima).

Como convidados de honra estavam presentes José Serra (PSDB/SP), FHC (PSDB/SP), Kassab (DEMos/SP) e Orestes Quércia (PMDB/SP). Fotógrafos oficiais e da imprensa cuidaram de evitar a aparição de Quércia nas fotos.

José Serra e Aécio irão para as eleições de 2010 sem resultados expressivos para mostrar em seus governos estaduais. Seus governos foram pífios, e só propaganda enganosa (tanto de agências de publicidade como da imprensa) é que garante uma popularidade em seus estados, bem acima da merecida.

Seus governos deveriam ser vitrines para credenciá-los como candidatos, no entanto a vitrine está vazia... e suja ... repleta de escândalos de corrupção encobertos tanto pelas Assembléias Legislativas, como pela imprensa que os apóia e protege a corrupção em seus respectivos governos.

Dessa forma Aécio já ensaia o discurso do fracasso, resmungando "fortalecimento absurdo" do governo federal, em relação aos estados. Serra diz o mesmo.

Ora, que discurso mais falso.

Governadores tucanos pregam e fazem o estado mínimo, em seus choques de gestão, e agora vem reclamar do governo federal de Lula e Dilma, que defende e faz um estado forte, à altura da grandeza da nação brasileira?

Quem privatizou as estatais estaduais, sucatearam serviços públicos, e se tornaram governos fracos foram esses governadores demo-tucanos.

Aliás o governo federal também estava fraco na época demo-tucana. Privatizou várias estatais federais, o pouco dinheiro com a venda a preço de banana arrecado sumiu, e em vez disso houve uma explosão da dívida pública, deixando o Brasil fraco, dependente e submisso ao "mercado" e às potências estrangeiras.

Lula E Dilma foram quem tornaram o Brasil forte novamente. Graças às suas decisões, é que a Petrobras está forte, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Eletrobras, tem força e recursos para executar projetos de desenvolvimento nacional, como o PAC, como as moradias da "Nossa Casa, Nossa Vida", coisas que o "mercado" jamais faria.

Serra há pouco vendeu o último banco estadual paulista (Nossa Caixa). Só não foi privatizado para o cartel dos bancos, porque o Banco do Brasil comprou. É óbvio que, com isso, o banco federal ficou mais forte, e o governo de São Paulo mais fraco, para financiar pequenos e médios empresários, gerar empregos, financiar moradias, a aquisição de bens, etc.

Pinçado de:
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

Serra e o petróleo 1

Do exelente blog Tia Carmela

O Mais Economista dos Engenheiros e o Mais Engenheiro dos Economistas, o grande governador J. Serra, prova mais uma vez que é um grande estadista. Já avisou que, se eleito mudar as normas de exploração do petróleo do pré-sal que ainda nem foram definidas pelo governo. Com isso, quer mandar um recado a quem tem interesse nisso de que quer retornar a política de enfraquecimento da Petrobrás levada adiante nos tempos de FHC, e facilitar a apropriação da riqueza por estrangeiros. Talvez esta posição já seja fruto da assessoria de empresa americana concorrente da Petrobrás, que o seu partido, o PSDB, está recebendo, conforme declarou o senador Alvaro Dias, seu colega de partido…




Comentário da Tia Carmela: Lembro quando o menino Zezinho já estava moço e foi estudar na Politécnica. Aí ele começou a andar com um bando de estudantes que gostava de política e vivia chamando os outros de “entreguista”. Eu nunca entendi bem mas lembro que todo mundo lá na Móoca dizia que era fogo de palha, coisa de estudante, e logo ele voltava ao normal…


Pinçado de:
http://byebyeserra.wordpress.com/

Tudo claro

tudo claro
ainda não era o dia
era apenas o raio

Paulo Leminski

[do livro Distraídos Venceremos]

Papo cabeça ideológico

Do blog óleo do diabo - Por Miguel do Rosário

Então, eu acho que devemos partir pro debate político. Não é preciso esperar eleições para praticá-lo. As ideologias devem ser questionadas, para avançarem. Esse é o significado profundo do "materialismo dialético" dos marxistas... Bem, não se pode afirmar nunca com segurança o que os marxistas querem dizer, porque eles são legião e brigam entre si. Aquele reaça do Mario Vargas Llosa é um exímio escritor, apesar de tudo, e foi na jugular do trotskismo no romance Historia de Mayta, onde um minúsculo grupinho marxista se fragmenta até se converter num emaranhado de indivíduos isolados querendo se matar uns aos outros. Enfim, é fundamental praticarmos o debate ideológico, sem preguiça, não necessariamente antenados nas eleições, mas, por outro lado, conscientes de que a eleição, num regime democrático já em fase de amadurecimento, como o brasileiro, é a verdadeira práxis revolucionária.

Não concordo, em absoluto, com as teses de que o capitalismo engoliu a ação política e que, não importa quem seja eleito, tudo continua na mesma. Acho essa proposição anti-histórica e submissa. Ora, a realidade nega isso. Governantes eleitos podem promover mudanças profundas. Evo Morales nacionalizou toda a indústria de gás do país. Isso não é mudar? Chávez idem. Isso não é mudar? Vargas criou todas as grandes estatais do Brasil moderno (Petrobrás, Eletrobrás, CSN, entre outras).

O capitalismo é uma força avassaladora, mas também acho que é do interesse do capitalismo se superestimar, dar-se poderes que não tem. Existem, isso sim, forças econômicas poderosas, mas não devemos confundi-las com capitalismo. São forças da natureza, existentes em qualquer regime de governo, comunista, medieval ou capitalista. Existe oferta e demanda. Existe carência, excesso. Você pode derrubar o capitalismo, mas não vai mudar a natureza.

Por isso eu costumo falar, ironicamente, que sou capitalista. Porque não acredito no capitalismo. Creio que ele é um grande engodo que os capitalistas inventaram para ampliarem seu próprio poder. É uma ilusão ideológica. Afinal, qual é a concretude do capitalismo? É o dinheiro? Ora, o dinheiro existe, quiçá, desde os primórdios do homem. Ah, podemos concordar com Engels e enxergar o capitalismo na pré-história da humanidade, quando o homem aprendeu a domesticar animais e botou a filharada pra trabalhar. Tudo certo, mas a interpretação de Engels tem um subtexto insuportavelmente moralista, julgando-o como um avanço do capitalismo malvado sobre a sociedade humana, o que é ingênuo e equivocado, porque dá um prestígio ao capitalismo que ele, definitivamente, não merece.

Hoje escutei, na Voz do Brasil, um comentarista lembrar que governos de todo planeta colocaram mais de 10 trilhões de dólares nos mercados financeiros, principalmente nos bancos falidos, para salvar o mundo de uma grande catástrofe econômica. Ora, ora. Que beleza. Capitalismo de merda esse. Na hora do vamo-ver, vai todo mundo comer capim na mão do papai.

O grande Chomsky tinha razão. O capitalismo não existe. Os Estados Unidos é um regime econômico lastreado no poder do Estado. O Estado emite a moeda. O Estado patrocina o avanço tecnológico. Em tudo, está sempre a mãozinha do papai fazendo a América andar pra frente. E quando o Estado recua, como ocorreu nos tempos do neoliberalismo, é só para dar um grande salto mais tarde, como está acontecendo agora. Os EUA estatizaram os principais bancos, as maiores seguradoras, e a General Motors correu pro colo macio do titio que trabalha na repartição.

Quando eu digo, portanto, que sou capitalista, estou sendo irônico e citando o anarquista Chomsky. Afinal, estamos no Brasil, onde 90% da população estuda em escolas públicas, é atendida na rede pública de saúde, e recebe aposentadoria do sistema previdenciário público.

O mais importante é o seguinte. O país é governado por políticos eleitos através de um sufrágio público. E a economia é regida por um Banco Central público. As estradas são construídas pelo Estado - embora alguns as vendam depois para empresas privadas explorarem o pedágio... Portos, aeroportos, rede sanitária, hidrelétricas, usinas nucleares, tudo é construído pelo Estado, ou seja, pelo povo brasileiro. A segurança pública é controlada, principalmente, pelo Estado. O sistema judiciário também é estatal. E vocês vem me dizer que é o capitalismo que manda no país? Ora,o capitalismo manda, sim, mas é nas suas cabeças. O povo brasileiro tem liberdade para votar em candidatos do Executivo e do Legislativo, e uns podem realizar grandes investimentos em isso ou aquilo e os outros, simplesmente, poderem criar e mudar as leis! O poder, portanto, continua emanando do povo; se o povo é bobo, é outra história.

Não, não tenho nenhum otimismo ou esperança. Não trabalho com esses conceitos. Tenho fé na força e na violência, isso sim, na força da inteligência e na violência das paixões. É nisso em que eu acredito. Agora, de fato, temos um problema muito grave no Brasil. Provavelmente é um problema mundial. É o sistema de comunicação de massa, por toda a parte em mãos de corporações privadas. O capitalismo mais grosseiro e anti-democrático refugiu-se nas mídias corporativas, e não é por outra razão que elas investem sistematicamente contra as instituições públicas e democráticas. Às mídias não interessam um sistema de saúde público - querem planos de saúde privados que gastem milhões de publicidade em suas páginas e no intervalo da novela, e zero em pesquisa e pouco em atendimento, resultando em hospitais tão chiques como hotéis, mas com médicos incompetentes e serviços ineficazes.

Essa crise financeira trouxe-me, por exemplo, uma convicção quase obsessiva. É preciso acabar com os bancos privados. Qual a razão de deixarmos o destino de bilhões de seres humanos em instituições financeiras privadas dirigidas por playboys enlouquecidos? Com que finalidade, meu Deus? Para quebrarem e obrigarem os povos a arcar com a dívida? Sim, porque os bancos privados sempre quebram, uma hora ou outra. E não aceito que eu, ou meus filhos, tenham que pagar por isso. Eu e meu falecido pai éramos micro-empresários e estávamos a toda a hora quebrando. O Estado não nos ajudava. Nem queríamos ajuda. Quebrávamos com dignidade e dávamos sempre a volta por cima. Até que o doutor Fernando Henrique Cardoso colocou à frente do Banco Central um outro doutor chamado Armínio Fraga (cuja genialidade me lembra muito a de um terceiro doutor, o "brilhante" Daniel Dantas) que, no seu primeiro dia de gestão, elevou os juros básicos do país para 45% ao ano! Com isso, os juros reais dos bancos subiram outras dezenas de pontos percentuais, e nós, micro-empresários cheios de cheques especiais no Banco Itaú, de repente passamos a pagar alguns milhares de reais por ano, quiçá dezenas de milhares de reais, por causa desse capricho neoliberal. Outro capricho foi privatizar a telefonia sem realizar uma regulamentação que evitasse a explosão dos preços das ligações, de maneira que, após a mesma, os gastos da nossa micro-empresa com telefone decuplicaram. Por fim, privatizou o serviço de agência de correios igualmente sem regulamentar os preços finais ao consumidor, fazendo com que nossos custos de correio, que eram enormes, pois tínhamos mais de 600 assinantes em todo país, subissem 4.000% de um dia para outro.

É natural que quebrássemos. Não conheço, aliás, uma empresa do tempo do senhor Fernando Henrique Cardoso que não tenha quebrado ou chegado muito perto disso. Até os grandes, como O Globo, registraram um brutal aumento no endividamento. Os funcionários públicos ficaram sem reajuste por quase 8 anos. Conheci professores de Universidades Federais que ficaram sete meses sem receber. Mas era tão bom um presidente que falava francês fluentemente, né? Esses mesmos professores, esses mesmos empresários, dotados de uma impressionante memória de chimpanzé, agora criticam violentamente o governo Lula por ter rasgado a bandeira da ética... Na realidade, macaqueiam o que lêem nos jornais, já que pensar com a própria cabeça não é tarefa fácil.

Os escândalos e ideologias forjados nas redações de três empresas espraiam-se por toda nação a uma velocidade inacreditável, pautando a agenda política nacional, as conversas das famílias "bem informadas", o bafafá no cafezinho das empresas, o debate estético. Se isso não é uma interferência anti-democrática na vida política e cultural do país, então não sei o que é. Entretanto, a história ensina que o poder é sempre cruel, e que aqueles que o enfrentam quase sempre se dão mal, pois a vida é curta. A vida humana é muito mais curta que a vida de uma grande instituição.

Mas eis que surge uma idéia fantástica. Mais que isso, é A IDÉIA. A Organização das Nações Unidas (ONU) mandou circular, há pouco, uma proposta de criar uma moeda mundial única. É agora que os Olavinhos cortam os pulsos ou têm um enfarte. Há tempos que constatei que a neo-direita global repete, em tudo, os cacoetes medievais. Não é capitalista de verdade. Já estão defendendo as moedas locais, assim como os senhores feudais apegavam-se às suas moedas particulares. O capitalismo moderno nasce com a derrocada desses senhores e a implantação da unificação monetária no interior das nações.

A direita contemporânea é simplesmente reacionária, no sentido mais odiosamente biológico. Representa as forças da imobilidade, essas mesmas que, pela própria dialética inerente ao espírito humano, estão sempre puxando o homem para trás. Essas forças retrógradas, no entanto, são necessárias à história, porque elas obrigam as forças progressistas a se tornarem mais vigorosas, mais dinâmicas, até o peso pender, definitivamente, para um novo Renascimento.

É preciso lutar, todavia, como disseram ao boxeador antes dele entrar no ringue do Tyson. Sem luta, não há justiça, não há avanço. As pessoas subestimam muito o poder destruidor do medo e da preguiça mental. Afinal, se um mísero vírus, um ser com limitações físicas e desprovido de inteligência, pode ameaçar a humanidade, imagine o potencial devastador de uma ideologia baseada nesses dois monstros da alma. Uma ideologia não tem as limitações do concreto. Pode ser transmitida digitalmente, via internet, a uma velocidade espantosa. E o problema é que as pessoas não morrem, precisamente, de medo ou preguiça. É algo como a Aids. Ninguém morre de Aids, mas de complicações decorrentes. A Aids detona o sistema imunológico, assim como o medo e a preguiça destroem nossas defesas ideológicas, tornando-nos presa fácil para as teorias mais estapafúrdias propagadas pela mídia. Vide o caso dos americanos, chantageados por mentiras, ilações falsas e argumentos pérfidos. Após alguns editoriais bem escritos, e apavorantes, a indústria bélica tungou alguns trilhões de dólares do contribuinte americano. Para quê? Para lançar mísseis de 3 milhões de dólares sobre choupanas, no Afeganistão, avaliadas cada uma, aproximadamente, em cinquenta cents.

Outro dia, conversando com uma garota, eu afirmei que odiava intelectuais. Está certo que era papo de bêbado, mas não posso agora negar o que disse. Resta-me explicar. Eu sou um intelectual. O que eu odeio, na verdade, é quem usa a cultura como vaidade, e fala ou escreve difícil desnecessariamente. O Eclesiastes já advertia que os (pretensos ou não) sábios também são feitos de pura vaidade. É certo, somos todos grandes vaidosos. O que me irrita, no entanto, é perceber o vazio por trás das palavras empoladas.

E há que ser duro também, pois muita gente confunde melancolia com poesia e tristeza com inteligência. A melancolia só gera poemas piegas e argumentações filosóficas capengas. A tristeza, isso eu aprendi muito dolorosamente, deve ser coada no filtro do que restou de vigor, coragem e lucidez no espírito. O resto é lixo.

Não existe sabedoria. Há consequências e força. Não existe ética, e sim justiça. Não existe moral, e sim alegria. Podemos lançar esse tipo de frases à vontade, e elas terão sempre uma força poética e um vigor político, derivados não delas próprias, mas da enorme liberdade do espírito humano, que é governado exclusivamente por seu juizo e seu conceito íntimo e intuitivo de justiça. Lembram do filme Os Fuzis, do Ruy Guerra? O ápice da história ocorre quando o caminhoneiro, que ficou largado num lugarejo miserável do nordeste (por falta de gasolina e mercadorias para levar de volta), assiste, estarrecido, um sertanejo adentrar o bar segurando o filho morto, de fome, pedindo uma caixa para usar de caixão. Lá fora, uma frota de caminhonetes começa a levar embora da cidade os alimentos de um armazém abarrotado, cujo proprietário havia se recusado a vender os artigos, de olho na alta especulativa que a seca proporcionava. O caminhoneiro, representante de uma cidadania orgulhosa, não suporta ver uma injustiça tão gritante e sacode o sertanejo, pede que ele se revolte, aponta os caminhões levando os alimentos para fora da cidade, enquanto a população agonizava de fome. Enfim ele surta e parte para cima dos funcionários do armazém e seguranças que o defendiam, armado de um fuzil que rouba de um soldado.

Tem aquela frase, "os fins justificam os meios", atribuída a Maquiavel (que não é dele, todavia), mas o buraco é muito mais embaixo, porque, geralmente, os inquisidores e moralistas que apontam o dedo sãos os primeiros a rezar por essa cartilha. O pior crime numa democracia é a falsa acusação, pois é o ponto fraco de um regime aberto onde todos tem direito à palavra. A partir do momento em que se pode ir ao centro da ágora e acusar um vizinho de roubar-lhe as ovelhas e as terras, e que a sociedade, baseada apenas na palavra do cidadão, pode mandar prender e mesmo executar este vizinho; ou pior, no momento em que uma falsa acusação podia levar a comunidade a declarar uma guerra, gerando prejuízos humanos incalculáveis, esse se tornou o crime capital em diversos momentos do Mundo Antigo. Montesquieu, no Espírito das Leis, conta que, no consulado de Acilius Glabrio e Pisão, na Roma Antiga, foi decretada a lei Acilia, para acabar com as intrigas; a lei era uma versão mais branda de uma outra, que impunha penas terríveis contra esse tipo de crime. Montesquieu era um campeão das causas da liberdade, e por isso mesmo estudou a fundo a história das lutas sociais em prol dessa deusa de asas longas. Ele escreve: "Acontece muitas vezes nos Estados populares que as acusações sejam públicas e seja permitido a todo homem acusar a quem quiser. Tal coisa fez com que se estabelecessem leis próprias para proteger a inocência dos cidadãos." Em Atenas, o acusador que não apresentasse provas suficientes, tinha que pagar uma considerável multa. "Em Roma, o acusador injusto era considerado infame, e se imprimia a letra K na sua testa. Punham-se guardas junto ao acusador para que não pudesse corromper os juízes ou as testemunhas."

Os problemas com que lidamos hoje, portanto, vêm de longe. A história da humanidade é triste, mas também é repleta de belíssimos exemplos de luta. As rebeliões dos escravos em Roma, das quais a mais famosa foi a de Spartacus, foram todas reais e documentadas. O exército de escravos de Spartacus por pouco não destruiu o nascente Império Romano. São fatos realmente impressionantes, exemplos maravilhosos de coragem, disciplina e espírito de luta. Não faz sentido desistirmos agora, com um pessimismo de meio vintém, enquanto mandamos a empregada preparar a janta. E a luta se dá, numa democracia, no embate ideológico, que não pode ser nunca sectarizado, ou temido, ou evitado. O debate ideológico é um ato de cultura, artístico, de uma artisticidade da qual todos os cidadãos podem partilhar, ainda mais agora, que a internet produziu esse maravilhoso fenômeno, a intelectualização da massa.

Pois a internet tornou a universidade obsoleta. Os professores, por isso mesmo, depois de rirem da angústia dos jornalistas, que perderam tanto poder e prestígio nos últimos tempos, terão em breve o seu momento de caça, quando a propagação do conhecimento e a consolidação das novas tecnologias estreitarem cada vez mais as diferenças entre os que estudam em Harvard, Berlim ou na sua própria casa. Pela internet, tenho acesso aos textos greco-latinos, posso estudar alemão, e isso será cada vez mais importante. As universidades terão uma importância social, para conhecer garotas e fazer amigos, mas tornar-se-ão irrelevantes no quesito multiplicação de conhecimento. Terão importância na pesquisa, claro, mas também nesse ponto haverá uma enorme diluição de poder, com a disseminação de pequenos e anárquicos laboratórios independentes, conectados entre si pela rede mundial de computadores.
# Escrito por Miguel do Rosário # Sábado, Setembro 12, 2009

Pinçado de:
http://oleododiabo.blogspot.com/2009/09/papo-cabeca-ideologico.html

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

'Economia sobreviveu à crise graças à parte mais pobre do país', diz Lula

Presidente inaugurou cais no Porto de Suape, em Pernambuco.
Lula comemorou as informações do IBGE de que o país saiu da recessão.

Robson Bonin
Do G1, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (11), durante discurso no município de Ipojuca, em Pernambuco, que a economia brasileira só atravessou a crise financeira mundial em função dos sacrifícios do povo. "Esse país estava mais preparado do que todo o mundo desenvolvido para enfrentar a crise. Estávamos preparados porque o povo fez sacrifício quando teve que fazer sacrifício, porque teve paciência, quando teve de ter paciência. Graças ao povo brasileiro e, sobretudo, à parte mais pobre desse país, a economia sobreviveu", discursou Lula



Para o presidente, foi o consumo das classes populares que segurou a economia durante o período mais agudo da crise. Lula discursou durante a inauguração do Cais V do Porto de Suape, em Ipojuca (PE). A obra recebeu investimentos de R$ 125 milhões, sendo R$ 62,9 milhões da União, e gerou 800 empregos.
O presidente comentou os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo os quais o país saiu da recessão no segundo trimestre deste ano e lembrou o começo da crise, entre novembro e dezembro de 2008, quando algumas empresas demitiram ou concederam férias coletivas a trabalhadores.



Para o presidente, “muita gente errou ao acreditar mais nas manchetes dos jornais” do que nas informações que eram divulgadas pelo governo. "A verdade é que o PIB de hoje demonstra que a economia brasileira está se recuperando. Mas demonstra também que ele só caiu, do jeito que caiu, porque uma parte da sociedade brasileira entrou em pânico. Porque acreditou mais nas manchetes de jornais do que naquilo que a gente falava que iria acontecer nesse país”, afirmou Lula.


Segundo os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE, a economia brasileira saiu da recessão no segundo trimestre de 2009, quando cresceu 1,9% em comparação aos três meses imediatamente anteriores.

Ainda em Pernambuco, Lula participou da cerimônia do batimento de quilha do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, subsidiária da Petrobrás no setor de logística e transporte de combustíveis. O ato, ocorrido no dique do Estaleiro Atlântico Sul, simboliza o início da montagem do navio, com o primeiro bloco do casco sendo posicionado no dique seco para a fase final de ajustes em terra antes do seu lançamento ao mar, o que deve ocorrer já no início do próximo ano.

Pré-sal

Ao final da visita ao Porto de Suape, Lula concedeu entrevista aos jornalistas e falou sobre a tramitação dos quatro projetos que tratam do marco regulatório do pré-sal na Câmara dos Deputados.



Até a manhã desta sexta, os parlemanteres já haviam protocolado 228 emendas aos projetos. Para Lula, o número de emendas não é problema. "Não estou preocupado com o número de emendas que eles vão apresentar. O que estou preocupado é com o calendário de votação", argumentou o presidente.



Entenda a tramitação dos projetos do pré-sal



Dados da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara desta quinta-feira (10) mostravam a existência de 222 emendas, apresentadas em apenas oito dias do prazo para apresentação das medidas. O número deve triplicar até o próximo dia 18 de setembro, data em que termina o prazo para o registro de emendas.

O período de apresentação de emendas deveria ser encerrado nesta quinta, mas a retirada do regime de urgência dos projetos por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez com que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), decidisse prorrogar o prazo até a sexta-feira da próxima semana.

Dos quatro projetos enviados à Câmara no dia 1 de setembro pelo presidente Lula, o que estipula o regime de partilha dos royalties da produção do petróleo entre os estados foi o que mais recebeu emendas: 80, até as 16h25 desta quinta-feira (10).

Pinçado de:
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1300981-5601,00-ECONOMIA+SOBREVIVEU+A+CRISE+GRACAS+A+PARTE+MAIS+POBRE+DO+PAIS+DIZ+LULA.html

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Eleições e mídia, tudo a ver

D site de Carta Capital
08/09/2009 12:27:28

Emiliano José

Eu estava na ante-sala de uma médica, em Salvador. Sábado, dia 29 de agosto. E apenas por essa contingência, dei-me de cara com uma chamada de primeira página – uma manchetinha – da revista Época, já antiga, de março deste ano de 2009: A moda de pegar rico – as prisões da dona da Daslu e dos diretores da Camargo Corrêa.

Alguém já imaginou uma manchete diferente, e verdadeira como por exemplo, A moda de prender pobres? Ou A moda de prender negros? Não, mas aí não. A revolta é porque se prende rico. Rico, mesmo que cometendo crimes, não deveria ser preso.

Lembro isso apenas para acentuar aquilo que poderíamos denominar de espírito de classe da maioria da imprensa brasileira. Ela não se acomoda – isso é preciso registrar. Não se acomoda na sua militância a favor de privilégios para os mais ricos. E não cansa de defender o seu projeto de Brasil sempre a favor dos privilegiados e a favor da volta das políticas neoliberais. Tenho dito com certa insistência que a imprensa brasileira tem partido, tem lado, tem programa para o País.

E, como todos sabem, não é o partido do povo brasileiro. Ela não toma partido a favor de quaisquer projetos que beneficiem as maiorias, as multidões. Seus olhos estão permanentemente voltados para os privilegiados. Não trai o seu espírito de classe.

Isso vem a propósito do esforço sobre-humano que a parcela dominante de nossa mídia vem fazendo recentemente para criar escândalos políticos. E essa pretensão, esse esforço não vem ao acaso. Não decorre de fatos jornalísticos que o justifiquem.

Descobriram Sarney agora. Deu trabalho, uma trabalheira danada. A mídia brasileira não o conhecia após umas cinco décadas de presença dele na vida política do país. Só passou a conhecê-lo quando se fazia necessário conturbar a vida do presidente da República. O ódio da parcela dominante de nossa mídia por Lula é impressionante. Já que não era possível atacá-lo de frente, já que a popularidade e credibilidade dele são uma couraça, faça-se uma manobra de flanco de modo a atingi-lo. Assim, quem sabe, terminemos com a aliança do PMDB com o PT.

Não, não se queira inocência na mídia brasileira. Ninguém pode aceitar que a mídia brasileira descobriu Sarney agora. Já o conhecia de sobra, de cor e salteado. Não houve furo jornalístico, grandes descobertas, nada disso. Tratava-se de cumprir uma tarefa política. Não se diga, porque impossível de provar, ter havido alguma articulação entre a oposição e parte da mídia para essa empreitada. Talvez a mídia tenha simplesmente cumprido o seu tradicional papel golpista.

Houvesse a pretensão de melhorar o Senado, de coibir a confusão entre o público e o privado que ali ocorre, então as coisas não deviam se dirigir apenas ao político maranhense, mas à maior parte da instituição. Só de raspão chegou-se a outros senadores. Nisso, e me limito a apenas isso, o senador Sarney tem razão: foi atacado agora porque é aliado de Lula. Com isso, não se apagam os eventuais erros ou problemas de Sarney. Explica-se, no entanto, a natureza da empreitada da mídia.

A mídia podia se debruçar com mais cuidado sobre a biografia dos acusadores. Se fizesse isso, se houvesse interesse nisso, seguramente encontraria coisas do arco da velha. Mas, nada disso. Não há fatos para a mídia. Há escolhas, há propósitos claros, tomadas de posição. Que ninguém se iluda quanto a isso.

Do Sarney a Lina Vieira. Impressionante como a mídia não se respeita. E como pretende pautar uma oposição sem rumo. É inacreditável que possamos nós estarmos envolvidos num autêntico disse-me-disse quase novelesco, o país voltado para saber se houve ou não houve uma ida ao Palácio do Planalto. Não estamos diante de qualquer escândalo. Afinal, até a senhora Lina Vieira disse que, no seu hipotético encontro com Dilma, não houve qualquer pressão para arquivar qualquer processo da família Sarney – e esta seria a manchete correta do dia seguinte à ida dela ao Senado. Mas não foi, naturalmente.

Querem, e apenas isso, tachar a ministra Dilma de mentirosa. Este é objetivo. Sabem que não a pegam em qualquer deslize. Sabem da integridade da ministra. É preciso colocar algum defeito nela. Não importa que tenham falsificado currículos policiais dela, vergonhosamente. Tudo isso é aceitável pela mídia. Os fins, para ela, justificam os meios.

Será que a mídia vai atrás da notícia de que Alexandre Firmino de Melo Filho é marido de Lina? Será? Eu nem acredito. E será, ainda, que ele foi mesmo ministro interino de Integração Nacional de Fernando Henrique Cardoso, entre agosto de 1999 e julho de 2000? Era ele que cochichava aos ouvidos dela quando do depoimento no Senado? Se tudo isso for verdade, não fica tudo muito claro sobre o porquê de toda a movimentação política de dona Lina? Sei não, debaixo desse angu tem carne...

Mas, há, ainda, a CPI da Petrobras que, como se imaginava, está quase morrendo de inanição. Os tucanos não se conformam, E nem a mídia. Como é que a empresa tornou-se uma das gigantes do petróleo no mundo, especialmente agora sob o governo Lula e sob a direção de um baiano, o economista José Sérgio Gabrielli de Azevedo? Nós, os tucanos, pensam eles, fizemos das tripas coração para privatizá-la e torná-la mais eficiente, e os petistas mostram eficiência e ainda por cima descobrem o pré-sal. É demais para os tucanos e para a mídia, que contracenou alegremente com a farra das privatizações do tucanato.

Acompanho o ditado popular “jabuti não sobe em árvore”. A CPI da Petrobras não surge apenas como elemento voltado para conturbar o processo das eleições. Inegavelmente isso conta. Mas o principal são os interesses profundos em torno do pré-sal. Foi isso ser anunciado com mais clareza e especialmente anunciada a pretensão do governo de construir um novo marco regulatório para gerir essa gigantesca reserva de petróleo, e veio então a idéia da CPI, entusiasticamente abraçada pela nossa mídia. Não importa que não houvesse qualquer fato determinado. Importava era colocá-la em marcha.

Curioso observar que a crise gestada pela mídia com a tríade Sarney-Lina-Petrobras, surge precisamente no mesmo período daquela que explodiu em 2005. Eleições e mídia, tudo a ver. Por tudo isso é que digo que a mídia constitui-se num partido. Nos últimos anos, ela tem se comportado como a pauteira da oposição, que decididamente anda perdida. A mídia sempre alerta a oposição, dá palavras-de-ordem, tenta corrigir rumos.

De raspão, passo por Marina Silva. Ela sempre foi duramente atacada pela mídia enquanto estava no governo Lula. Sempre considerada um entrave ao desenvolvimento, ao progresso quando defendia e conseguia levar adiante suas políticas de desenvolvimento sustentável. De repente, os colunistas mais conservadores, as revistas mais reacionárias, passam a endeusá-la pelo simples fato de que ela saiu do PT. É a mídia e sua intervenção política. Marina, no entanto, para deixar claro, não tem nada com isso. Creio em suas intenções de intervenção política séria, fora do PT. Neste, teve uma excelente escola, que ela não nega.

Por tudo isso, considero essencial a realização da I Conferência Nacional de Comunicação. Por tudo isso, tenho defendido com insistência a necessidade de uma nova Lei de Imprensa. Por tudo isso, em defesa da sociedade, tenho defendido que volte a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Por tudo isso, tenho dito que a democratização profunda da sociedade brasileira depende da democratização da mídia, de sua regulamentação, de seu controle social. Ela não pode continuar como um cavalo desembestado, sem qualquer compromisso com os fatos, sem qualquer compromisso com os interesses das maiorias no Brasil.

Pinçado de:
http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4967

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

Pablo Neruda

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O TUCANO E O SABIÁ

Do blog Y sem soma, por Y sem soma

O tucano além do bico
Tem também é muita lábia
Acreditava que entre as aves
Não havia só uma sábia

Subiu na árvore mais alta
E reuniu uma multidão
Declarou-se rei das aves
Deu-se então a confusão

O primeiro a se enraivar
Foi um grande gavião
Que propôs logo um duelo
E o tucano disse: “não

Que não sujo uma só pena
Tenho pena de você
Mas eu lanço um desafio
E deixo o trono à mercê

Lá na América do Norte
Por três dias viajei
E voltei trazendo um chifre
De um dos alces que eu cacei

Se você por menos dias
For mais rápido que eu
Todo mundo é testemunha
Que este trono será seu”

Disse que o tal continente
Era ali depois do mar
Foi se embora o gavião
Para nunca mais voltar

Depois disso a passarada
Pôs-se louca a aplaudir
Mas o velho sabiá
Limitava-se a assistir

O tucano então falou
Para toda àquela gente
Que além de forte e rápido
Era o mais inteligente

Retrucou o papagaio:
“Dê uma prova que eu me calo
Pois não sabe nem metade
Das palavras que eu lhe falo”

O tucano em gargalhadas
Disse: “é fácil lhe provar
Que não sabe do que fala
Pois só sabe copiar”

Depois disso o bicudo
"What's your name" perguntou
Nada o loro compreendia
E por isso se calou

“Como pode um passarinho
Por tão sábio se passar
Se nem mesmo o próprio nome
Ele sabe me falar?”

Toda aquela passarada
Esperneava em euforia
Mas o velho sabiá
Inda assim só assistia

Viu o bicudo tapear
Um terrível gavião
Humilhar o papagaio
Mas não parou nisto não

Teve a audácia de afirmar
Que neste país inteiro
Não havia nenhum um pássaro
Mais que ele brasileiro

“Eu conheço a Amazônia
Com a palma da minha mão
Também sei de cabo a rabo
Os caminhos do sertão

Já vivi no Pantanal
E algum tempo no Cerrado
Sem falar da Mata Atlântica
Que ando até de olho fechado

Vi também um dia um homem
Que se erguia agigantado
Sempre de braços abertos
Abraçando o Corcovado

Foi aí que o sabiá
Se cansou da falação
Subiu no alto de outro galho
Para entrar na discussão

“Permissão senhor tucano
Meu amigo companheiro
Mas também me considero
Como todos brasileiro

Viajei por esse mundo
Muito peso carreguei
Sei meu nome em qualquer língua
Nem por isso eu sou um rei

Eu também já vi tal homem
Com os braços levantados
Mas cansou-se com o peso
Tem os braços já fechados”

O tucano novamente
Deu uma enorme gargalhada:
“Vamos fazer uma aposta
Para um tudo e o outro nada”

Toda aquela passarada
Viu que a aposta era loucura
Pois sabia-se que o homem
Era apenas escultura

Mas o velho sabiá
Inda não queria crer:
“Vamos juntos para lá
Quero ver se vai vencer”

O tucano quis partir
Com destino ao Corcovado
Porém quando sai de um galho
Pára em outro já cansado

“Como pode um passarinho
Todo mundo viajar
Se ele mal bateu as asas
Pediu para descansar?”

Perceberam que o tucano
Tinha só papo furado
Da mentira a perna é curta
E o bico é bem pesado....

Depois disse o papagaio:
“Será aquilo um dragão?”
Era só um par de chifres
Na boca de um gavião.

Pinçado de:
http://ysemsoma.blogspot.com/

Menino de 10 anos discursa contra golpe de honduras

Oscar David Montesinos, um menino de 10 anos, tornou-se um símbolo da resistência ao golpe que derrubou, há dois meses, o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya. Domingo passado, num show que reuniu milhares de pessoas em Tegucigalpa, capital do país, Oscar fez um discurso que é de deixar qualquer um de queixo caído, não apenas pelo conteúdo como pela capacidade oratória e carisma. Vê-se que não é um texto decorado e impressiona a articulação de sua fala.

Nem Iraque nem Venezuela

Da Carta Capital por Sergio Lirio

Após deixar o comando da Eletrobrás, em 2004, o físico Luiz Pinguelli Rosa voltou à universidade decepcionado com a incapacidade do governo Lula de reorganizar o setor elétrico, destruído pela malfadada experiência de liberalização na administração de Fernando Henrique Cardoso e pelo racionamento de 2001. O físico, escaldado, alimentava uma renitente dúvida sobre o modelo de exploração do pré-sal alinhavado no Planalto. Mas desta vez seus piores temores não se concretizaram. “Saiu até melhor do que eu esperava”, disse à CartaCapital o atual diretor da Coppe, o centro que organiza os programas de pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo Pinguelli Rosa, o governo age certo ao dar sentido de urgência aos projetos encaminhados ao Congresso. Por quê? “A taxa de corrupção pode diminuir.”

CartaCapital: O que o senhor achou da proposta do governo?
Luiz Pinguelli Rosa: Saiu até melhor do que eu esperava. A principal mudança é a adoção do modelo de partilha e não da concessão. Isso dá maior poder ao Brasil sobre o destino do petróleo. Também acho importante garantir à Petrobras o papel de empresa tecnológica, responsável pela exploração e operação. Assim se permite a continuidade de investimentos da indústria brasileira, como a Petrobras já faz. Outro ponto importante é o fundo para onde se destinará parte dos recursos. Só espero que essa receita, no futuro, não vá toda para garantir o superávit primário, como aconteceu no caso da CPMF. Tem de ser direcionada para desenvolver o Brasil, atenuar nossa desigualdade social, investir em tecnologia e infraestrutura. O petróleo, além disso, não deve matar nossa vantagem na utilização de hidreletricidade e combustíveis renováveis. O fundo deve ser pensado também para o controle de emissões de gases de efeito estufa e no uso de fontes alternativas de energia.

CC: O senhor acha necessário criar uma nova estatal?
LPR: É uma maneira de fazer as coisas. E nem é a essência do modelo. É como a pedra na sopa de pedra. Poderiam tirá-la e tomar a sopa, mas com ela tudo bem, é uma maneira. A Petrobras é uma empresa de economia mista. Para operar a parte contábil da operação, cria-se uma estatal. Não é nenhum bicho de sete cabeças. A Noruega faz isso. É uma cópia do modelo norueguês.

CC: Ao mesmo tempo, o governo decidiu fazer uma capitalização da Petrobras.
LPR: E ela poderia ser até maior.

CC: Mas se há o objetivo de ter o controle estatal e há a ideia de capitalização, não faria mais sentido, dentro dessa visão, simplesmente reestatizar a Petrobras?
LPR: Não é o estilo do presidente Lula. Acho que ele já foi no limite. A reação na imprensa é uma coisa horrorosa. Os jornais de hoje (terça-feira 1º) me dão a impressão de estarmos às vésperas da derrubada do João Goulart. Eu vi na televisão algumas pessoas tremendo a boca de raiva. Existe um desequilíbrio emocional, acho que o espírito do Roberto Campos baixou, alguma coisa assim. O governo Lula é um moderado, com um componente nacionalista. Não chega a ser um governo nacionalista.

CC: Não será criada uma barafunda institucional com a Petrobras, a Petrosal, a ANP? Uma entrando no território da outra?
LPR: Há sim uma complicação institucional, mas é o preço do neoliberalismo anterior. Veja o setor elétrico brasileiro, reformulado no governo Fernando Henrique. É um desastre, uma confusão. Temos a agência reguladora, a Aneel, o operador do sistema, o mercado atacadista. Uma bagunça. E temos hoje a tarifa mais cara de energia do mundo. É muito mais fácil administrar um sistema mais unificado, ao estilo francês, com uma grande empresa nacional e, talvez, algumas outras locais. Você tem razão. É um sistema complicado, ao estilo neoliberal. O Lula não rompeu com esse estilo.

CC: Houve muitas reclamações das empresas privadas...
LPR: Reclamações é uma gentileza sua. Foram estrebuchos (risos).

CC: O sistema de partilhas e o papel predominante da Petrobras não vão afugentar os investidores privados? Será possível tocar essa operação sem eles?
LPR: Se não houver interesse privado, paciência. Então o governo pode optar por deixar só a Petrobras. Mas não me parece o caso. Os privados estão na Venezuela. Poucos realmente saíram de lá, apesar da birra com o governo Chávez. Outros entraram. O setor privado não está na China? A China o que é? É um país estatal. Isso é uma besteira, acho uma espécie de chantagem. Se der lucro, eles estarão.

CC: Falou-se, no evento de lançamento do modelo, que a capitalização da Petrobras custaria o equivalente a 10 dólares por barril. O preço internacional está em 60 dólares. Faria sentido para a Petrobras?
LPR: É mais uma manobra contábil. As empresas privadas fazem todo o tempo isso umas com as outras nas fusões. É a mesma coisa, nada muito diferente. Não acho que os valores estejam definidos.

CC: Qual seria a melhor estratégia para o País: produzir mais e rápido, na tentativa de desfazer gargalos sociais e de infraestrutura históricos, ou se adequar à demanda mundial?
LPR: A segunda hipótese. Temos de adequar a um ritmo nacional, uma vez que toda vantagem da mudança do sistema para partilha é ter mais controle do fluxo de petróleo produzido. Não acho bom o Brasil virar um novo Iraque. Nem uma Venezuela. É bom continuarmos como somos ou nos parecermos com a Noruega, que não vive só de petróleo.

CC: O governo foi, voltou e, por fim, decidiu encaminhar o projeto ao Congresso em regime de urgência. É preciso pressa para discutir esse assunto?
LPR: É melhor o regime de urgência.

CC: Por quê?
LPR: A taxa de corrupção pode diminuir.

CC: Não aumenta?
LPR: Quanto mais tempo, mais vão inventar modos diferentes de fazer as coisas. Acho um grande problema a pressão que o Congresso vai sofrer. Os lobbies vão estar lá. Sem falar na pressão da mídia, afinada com uma visão liberal das coisas. Essa coalizão pode enterrar esse projeto, pois ele é muito fácil de ser desmontado. Se tirar um pedaço, perde a coerência, vira um samba do crioulo doido. Não entendi até agora por que dividir em quatro projetos de lei em vez de mandar um só. É uma concessão ao Congresso e que complica a tramitação. Espero, ao menos, que o regime de urgência permita aos setores que se opõem à visão neoliberal se concentrarem, se organizarem para fazer um contrapressão aos interesses de grupos econômicos e à unanimidade da mídia.


Pinçado de:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=4997

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Corrupção, mídias e poder: um balanço

Da agência Carta Maior


As grandes mídias engrossam a voz, como leões, para os políticos corruptos e afinam o tom, como gatinhos, para os corruptores. Esquecem alguns corruptos notáveis e atacam outros que lhes desagradam. Elas seriam também corrompidas? Tudo indica que sim.

Luís Carlos Lopes

Não é difícil sentir algo estranho no reino do Brasil, situado no não menos estranho planeta Terra. Também, não é nova esta sensação. O universo criado pelas grandes mídias em forte contato com a sociedade, quase sempre soa e figura sem maior consonância com o real. Não é incorreto dizer que as emissões, em vários canais e sentidos, são absurdamente desfocadas, criando uma nova dimensão subjetiva da vida, em conflito com o concreto. Talvez, isto seja possível porque mesmo que afastadas dos fatos e das prioridades aceitáveis, elas continuem fortemente ligadas às crenças hegemônicas e ao poder político, econômico e cultural dominante.

Podem-se dar vários exemplos, mas, vamos a um dos mais explorados na atualidade: o da corrupção. De fato, ele é novo só na roupagem. Há pelo menos 60 anos, ele é fortemente abordado pelas grandes mídias brasileiras, em ondas cíclicas, que, na verdade, nada mudaram ou apontaram para qualquer alteração substantiva do processo. Fala-se em corrupção desde a época colonial, veja-se o famoso e imperdível livro, "A arte de furtar". Entretanto, é quando os jornais, as revistas e as emissões radiofônicas se tornaram muito populares, na década de 1950, que as denúncias de corrupção de Estado ganharam proporções inauditas. Falar massivamente neste assunto coincide com o estabelecimento de uma sociedade de massas urbanas e de um modo de produção que evoluiu rapidamente para o capitalismo industrial e financeiro do tempo presente.

Nesta época, anterior ao reinado da televisão, foi tramada a maior campanha política anticorrupção da história da república: o "mar de lama". A "banda de música" da UDN, partido de direita, que empolgava as classes burguesas e médias da época, atacou frontalmente Getúlio Vargas, o acusando de corrupção. O desfecho disto é sobejamente conhecido. Vargas suicidou-se, em agosto de 1954, quando percebeu que não havia mais como permanecer no poder, com o qual havia casado depois do Golpe de Estado de 1930. Com isto, as acusações foram para debaixo do tapete da história, bem como os seus reais motivos.

A imensa mobilização popular, representada pela reação de rua ao suicídio, mudou o curso da história. As grandes massas reconheceram as vantagens auferidas em decorrência do varguismo e garantiram que os diques do "mar de lama" não se rompessem. Com isto, o Golpe de Estado de 1964 só veio a ocorrer dez anos depois. O plano foi abortado e adiado, esperando uma nova oportunidade. A massa na rua, aliás, um personagem ausente nos últimos tempos, passou a contar no processo e a determinar suas possibilidades.

Havia corrupção no governo Vargas? Provavelmente, sim. Bem menor do que existiria nos governos subseqüentes. Mas isto, não era o real motivo das acusações lacerdistas e de outros líderes dos grupos de direita da época. Vargas também era de direita. Historicamente, nada o aproxima de uma visão crítica da sociedade criada pelo capital. Ao contrário, suas estratégias sempre foram de ser o "pai dos pobres" e a "mãe dos ricos", como alguns o definiam em seu tempo. O que estava em jogo era a sucessão. Tal, como hoje, o que se queria era tomar o poder. Militares, políticos e burgueses, com apoio dos EUA, "cozinhavam" um projeto de poder que iria desaguar no Golpe de 1964.

Este foi feito, segundo sua retórica, contra a corrupção e a subversão. No início, alguns corruptos notáveis foram cassados exemplarmente. No momento seguinte, o Estado ditatorial militar entrou na mesma dança de seus antecessores. Do tempo da ditadura, apesar da censura e do controle da opinião, sobraram inúmeras denúncias de corrupção. Vários de seus êmulos, inclusive alguns dos signatários do famoso Ato Institucional número 5, foram acusados de se locupletarem, em várias situações. É conhecido o enriquecimento desmedido dos generais-presidentes, de seus ministros, dos auxiliares mais próximos e de gente ao seu serviço. A corrupção desta época era concentrada, disciplinada e seguia a lógica castrense. Finda a ditadura, a "democracia", também "democratizou" o acesso ao produto do roubo.

Existem inúmeros indícios de que a corrupção de Estado é um dos seus elementos constituintes. Só desaparecerá, ou será minimizada, se o Estado for transformado radicalmente. Dentro das regras existentes, é impossível imaginar que a ética na política prospere, além do discurso e da retórica. Não é só o Estado brasileiro que é corrupto. O mesmo fenômeno é constatável mundo afora, com diferenças de gênero, de número e de grau. O capitalismo, aqui e acolá, engendra uma política plena em atos de corrupção.

Imaginar uma sociedade sem corrupção seria também pensar em um mundo sem grandes diferenças sociais. Não adianta dizer que a lei é igual para todos, se alguns são muito diferentes dos demais. Tem sido inócua a crítica aos corruptos de Estado, "esquecendo" de se criticar os corruptores. Já foram esquecidos os "empreiteiros" de JK, lembrados por Samuel Wainer, antes de morrer. A construção de Brasília foi um momento ímpar da corrupção? Possivelmente, sim. Entretanto, quem foi fortemente criticado por isto foram alguns dos que receberam. Os que pagaram, ninguém lembra quem foi ou quem sabe algo mais profundo sobre isto, se calou.

Os "empreiteiros" continuaram a agir nas décadas subseqüentes. Tiveram o seu auge na época da ditadura e ainda estão presentes no cenário contemporâneo. Somam-se a eles industriais, banqueiros, fazendeiros, exportadores etc mamando nas tetas dos governos, financiando campanhas, enriquecendo senadores, deputados, ministros, altos funcionários etc, em suma, ganhando em dobro ou mais, tudo o que investem no poder. É, pelo menos, ingênua a versão da corrupção que esconde o papel dos corruptores. Todavia, esta é a estabelecida depois do tempo do famoso e moralista "mar de lama". As grandes mídias engrossam a voz, como leões, para os políticos corruptos e afinam o tom, como gatinhos, para os corruptores. Esquecem alguns corruptos notáveis e atacam outros que lhes desagradam. Elas seriam também corrompidas? Tudo indica que sim.

O governo que sucedeu aos dos generais-presidentes, não escapou às críticas de corrupção. Parecia que tudo estava como dantes, na terra de Abrantes. A maldição permaneceu, se bem que os escândalos foram menores e o cálculo dos corruptos e corruptores considerou a presença das massas insatisfeitas como o tipo de fim que a ditadura teve no Brasil. O experimentalismo econômico da burguesia industrial, espelhado no Plano Cruzado, e a volta intempestiva e ainda maior da inflação marcaram as possibilidades desta época.

Teve-se que esperar o fim da década de 1980, para que as eleições diretas vencessem na preferência popular. A transição foi completada, evitando-se que o clamor popular pudesse ir mais longe nas reformas propostas no início da mesma década, no movimento Diretas-já!. A novidade foi o do surgimento com cada vez maior expressão de um movimento político-popular - o Partido dos Trabalhadores - que, pela primeira vez, criticava a corrupção do prisma das esquerdas e propunha, certamente de modo ingênuo, a vitória da ética na política.

Como todos sabem, o governo apontado como possivelmente o mais corrupto do Brasil recente, também foi o primeiro eleito pelo voto direto, findando o ciclo ditatorial. Sem esquecer que o presidente da época, ostenta o título atual de senador da república e foi absolvido de todos os seus crimes pelo Supremo Tribunal Federal.

Uma das dimensões da tragédia brasileira contemporânea foi o do começar o atual ciclo político com uma crise sem precedentes. O miolo desta crise esteve representado pela corrupção de Estado e pela revelação pública, efetuada pelas grandes mídias, de centenas de corruptores. Abriu-se uma janela ímpar sobre a natureza do Estado brasileiro. Viu quem quis ver e compreender. O presidente eleito perdeu o mandato e os direitos políticos por oito anos. Os corruptores passaram em brancas nuvens, como nada houvesse acontecido. Os detalhes desta história são conhecidos pelos que viveram na mesma época e por aqueles que, mais jovens, se interessam pela verdadeira história do Brasil.

Nos anos que sucederam ao primeiro governo eleito pelo voto direto, não foram poucas as denúncias sobre a corrupção de Estado. Quase inexistentes no breve período transicional de Itamar Franco e redobradas em intensidade nos oito anos de FHC. Nestes, a turbulência das privatizações e da política cambial foi recheada por inúmeras denúncias, a maioria plausível ou documentada. O que se imaginava superado, depois do furacão Collor, voltou com muita força, classe e "distinção acadêmica". A essência do problema foi a mesma de sempre. Os métodos mais sofisticados garantiram a impunidade. As possibilidades de apuração foram bastante dificultadas. A guerra dos dossiês, que ainda continua, incorporou-se ao formalismo do Estado brasileiro, sem maiores conseqüências, além do turbilhão midiático.

No cenário atual, do primeiro e do segundo mandato de Lula, o problema retornou, transformando-se em uma pedra para a sucessão presidencial. As críticas e os fatos não impediram que Lula se reelegesse. O escândalo do mensalão não conseguiu derrubar o presidente e, em um segundo momento, de eleger Serra. O governo sofreu abalos, perdeu quadros e sua credibilidade entre milhares de eleitores. O PT sofreu fissuras que parecem que ainda não terminaram. Entretanto, conseguiu se reeleger e manter sua política interna e externa. O dogma da ética na política foi abalado, como se vê nos últimos acontecimentos. O que ocorrerá no futuro, a este pertence.

Para os desempregados, estudantes e assalariados e demais homens e mulheres de bem, que não são corruptos ou corruptores, o problema chega de modo complexo. Obviamente, ninguém pode aceitar a consigna ademarista do "roubo, mas faço". Não são aceitáveis os argumentos dos que defendem a idéia de que: "Se os outros faziam ou fazem, porque não podemos fazer o mesmo?" Para quem trabalha ou deseja trabalhar honestamente é duro saber dos privilégios e da roubalheira sem nenhum esforço. É possível que muitos que estão à margem da vida social passem a justificar seus crimes com estas realidades.

Do mirante popular, não há diferença entre corruptos e corruptores e todos deveriam pagar pelos seus crimes e devolver o que retiraram do bem público. A corrupção considerada pelo Estado como crime e a considerada legal pesam o mesmo, para o homem comum. Ladrão, mandante ou beneficiário são todos da mesma laia, de acordo com a vox populi esclarecida. Mentir para o povo, a partir de seu cargo ou mandato, é grave não importando a posição política de quem comete o delito. Não existem os que podem e os que são delituosos. Na mesma direção, só se justifica a mentira, se ela é usada como proteção dos oprimidos da ânsia de poder dos poderosos.




Luís Carlos Lopes é professor, autor do livro "Culto às Mídias", dentre outros.

Pinçado de:
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4422&alterarHomeAtual=1

Mais uma matéria falsa da Folha

Do blog do Luis Nassif

Atenção: esta notícia é falsa





Abaixo está a queixa de um leitor a respeito de uma matéria da Folha, de autoria do repórter Eduardo Scolese.

A matéria diz que “Trabalho escravo flagrado em obra do PAC”.

Vamos ver onde o repórter Scolese peca por desinformação e onde peca por má fé:

Por desinformação
1. Qualquer obra do PAC é de responsabilidade civil e criminal do seu executor.

2. A fiscalização cabe aos órgãos competentes - Ministério do Trabalho, Ministério Público Federal, IBAMA etc., não à Casa Civil, que coordena o PAC, nem à Fazenda, que libera os recursos.

3. Pela matéria, as empresas responsáveis foram autuadas.

Por má fé
No pé da matéria, diluídas no texto as seguintes informações:

1. A tal obra começou em 2005, tocada pela Construtora Lima e Cerávolo - que praticou o chamado “trabalho escravo”.

2. A Votorantim assumiu a obra em 2007. Rompeu o contrato com as terceirizadoras de mão de obra e já indenizou os 98 trabalhadores que haviam ingressado com a ação. Portanto, o problema já foi solucionado há dois anos.

3. O PAC começou em 2007 - quando o problema já estava solucionado. O repórter Scolese poderia estar desinformado quanto à responsabilidade do PAC nas obras. Não estava quanto ao ano em que o problema foi solucionado e o ano em que o PAC começou.

4. As repórtes Andrea Michel e Laura Capriglione, na Folha, mostram que há espaço para matérias jornalísticas dignas do nome.

Por fragoso.lr
Prezado Nassif,

Acompanho teu blog e, de vez em quando até faço alguns comentáros. Um desabafo! Não aguento mais o mau jornalismo da Folha. Remeto a matéria que vai publicada nesta terça.

A tentativa de desacreditar o programado PAC, através de matérias com essa chocam pela forma como subestimam a nossa capacidade de discernimento. Alguém com um mínimo de informação vai esperar que o Gabinete Civil vá acompanhar e fiscalizar num programa extenso como esse, cada obra? Verificando as condições da contratação da mão-de-obra dos operários? Se houve desrespeito à lei, no mínimo deveriam ser claros sobre de quem é a responsabilidade, não?

Da Folha
Trabalho escravo é flagrado em obra do PAC
Fiscais resgatam 98 trabalhadores em construção de usina no interior de Goiás

Em instalações sem cama nem banheiro, funcionários trabalhavam em troca de comida, acumulavam dívidas e não recebiam salários

EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Fiscais do governo federal e do Ministério Público do Trabalho encontraram e resgataram 98 trabalhadores em regime análogo à escravidão numa obra que integra o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), no sul de Goiás.

A partir de uma denúncia, a ação de procuradores e de auditores do Ministério do Trabalho numa usina hidrelétrica começou no início da semana passada e somente foi concluída na madrugada de anteontem, quando os trabalhadores foram indenizados e puderam retornar às suas casas.

A construção da usina Salto do Rio Verdinho é de responsabilidade da Votorantim Energia, braço do Grupo Votorantim, e tem o apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que no final do ano passado injetou cerca de R$ 250 milhões na sua implantação.

Planalto e PT apostam no PAC como uma vitrine da candidatura petista para a sucessão de Lula no ano que vem. Na semana passada, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata petista a presidente, aproveitou um evento sobre saneamento para, em discurso, falar das preocupações sociais e ambientais do programa. Ela chegou a compará-lo ao Bolsa Família.

O PAC, porém, é um motivo de reservas a Dilma por parte de movimentos sociais e de ambientalistas, caso do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Eles avaliam que o programa prioriza a geração de emprego e o crescimento da economia sem levar em conta as condições socioambientais.

Procurada ontem, a Casa Civil não se manifestou sobre o flagrante da fiscalização.

Sem salário e banheiro
O resgate na usina ocorreu nos limites dos municípios de Caçu e Itarumã (a cerca de 370 km de Goiânia).

Sem salários e instalados em alojamentos precários (sem cama e banheiro), os trabalhadores atuavam no desmate e na limpeza de uma antiga fazenda que será usada como reservatório de água, assim que as comportas da usina forem abertas.

A contratação deles ocorreu por meio de “gatos” (como são chamados os aliciadores de mão-de-obra degradante) ligados a uma empresa terceirizada que já atuava na obra quando o Grupo Votorantim assumiu o projeto, em 2007 -a obra começou em 2005.

Um desses “gatos” oferecia alimentos aos trabalhadores, mas, como esses não recebiam salários e estavam sem dinheiro, eram obrigados a acumular dívidas em troca da comida -uma forma de mantê-los sob “escravidão”, já que não podiam sair sem quitar as contas.

Contratada para a limpeza do terreno, a empresa (Construtora Lima e Cerávolo, com sede no sul do Piauí) foi buscar os trabalhadores no interior de Mato Grosso e de Minas. Desde que chegaram, a partir de maio, não receberam salários.

Diante do flagrante, o Grupo Votorantim assumiu as dívidas com os 98 trabalhadores e com outros 30, da região, que souberam da ação e aproveitaram para cobrar dívidas anteriores. O grupo desembolsou R$ 420 mil com as rescisões, alugou ônibus para o transporte deles a MT e MG e decidiu rescindir o contrato com a empresa.

Abraços

ps. Como cidadão brasileiro te agradeço, pelo teu Blog e pela LISURA. Saiba que peço a Deus que te mantenha firme, lúcido e íntegro.

Pinçado de:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/08/mais-uma-materia-falsa-da-folha/

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

domingo, 6 de setembro de 2009

VOLTA DE PASSEIO

Assassinado pelo céu,
entre as formas que vão para a serpente
e as formas que buscam o cristal,
deixarei crescer meus cabelos.

Com a árvore de tocos que não canta
e o menino com o branco rosto de ovo.

Com os animaizinhos de cabeça rota
e a água esfarrapada dos pés secos.

Com tudo o que tem cansaço surdo-mudo
e mariposa afogada no tinteiro.

Tropeçando com meu rosto diferente de cada dia.
Asassinado pelo céu !

Federico Garcia Lorca

( tradução: William Agel de Melo )

Entrevista com o presidente da Petrobras

És bela manhã



Gosto de janela aberta pela manhã
A luz do sol a contrastar com o brilho dos seus olhos
Brilho de felicidade e êxtase
Por uma noite bem dormida, sonhada, amada...
Fascinante e esplêndido
És bela como a manhã estampada em seu rosto.

escrito por Sandro Stahl

sábado, 5 de setembro de 2009

Quem é José Serra

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quem tem medo da Petrobras

Por Mauro Santayana


Os mesmos jornais que atacam a Petrobras revelaram, ontem, que a empresa foi, entre as não financeiras, a mais lucrativa das Américas, no segundo trimestre deste ano. Isso comprova que está sendo bem administrada. No passado se dizia que o melhor negócio do mundo era uma empresa de petróleo, e que o segundo melhor negócio do mundo continuava sendo uma empresa de petróleo, mesmo mal administrada. Se a Petrobras foi a empresa mais lucrativa da América – e na mesma lista não se encontram outras empresas petrolíferas – reforça-se o êxito da empresa criada por Vargas. Não há por que apelar para o concurso das petrolíferas estrangeiras na exploração do pré-sal. O contrário é que é o certo, e a Petrobras tem participado, com êxito, da exploração de petróleo no exterior, principalmente em associação com empresas também estatais.

Defensor da iniciativa privada, o ex-ministro Delfim Netto prefere não distinguir as empresas estatais das empresas privadas, senão pelo fato de serem bem ou mal dirigidas. A Petrobras, mesmo em seus anos piores, tem sido bem administrada porque, se os diretores nomeados falham, o corpo histórico de técnicos e administradores sabe cumprir seu dever e resistir – como resistiu ao golpe de 1997, perpetrado com a legislação conseguida pelo presidente Fernando Henrique, ao desfigurar a grande empresa.

Se os mais jovens soubessem que a Petrobras tem sido, desde suas primeiras horas, vitória da pertinácia nacional, estariam nas ruas, como estiveram seus pais e avós, repetindo o slogan poderoso de há mais de 50 anos: o petróleo é nosso. Ao reservar para o povo brasileiro o óleo fora das áreas de concessão, infelizmente já outorgadas aos estrangeiros, o atual governo volta sim, ao passado, como é da conveniência de nosso povo. Os que promoveram a amputação da Petrobras, durante o governo dos tucanos de São Paulo, voltam a se mobilizar contra o projeto do governo federal. O governo Lula está agindo constitucionalmente. Apesar de todos seus esforços, o senhor Fernando Henrique não chegou a quebrar o monopólio da União sobre o petróleo. Falam hoje da necessidade de que haja discussão, como se a sociedade, que se manifestou como pôde em defesa da estatal, tivesse sido ouvida em 1997, quando o governo repetia, com entusiasmo, o pensamento único neoliberal, e contava com a grande mídia para impô-lo ao Congresso e aos “formadores de opinião”. Convém que as normas do processo se definam imediatamente. Não há melhor momento para começar a construção do futuro do que agora.

Mesmo que haja excesso de otimismo com relação às jazidas do pré-sal, será imperdoável erro histórico não viabilizar a exploração das novas reservas. Todos os argumentos dos oposicionistas não dissimulam os interesses que se encontram por detrás de seus atos. Tal como no passado, começam a surgir institutos, associações e movimentos, com seus “consultores”, para contestar o controle da exploração do petróleo pelo Estado. Há quem diga que o petróleo não tem futuro. Se não tem futuro, tem presente. É pelo petróleo que os norte-americanos estão matando e morrendo no Iraque e no Afeganistão.

A matança dos inocentes

Duas notícias, destas horas, deviam mover a consternação e a indignação da sociedade brasileira. O assassinato de uma adolescente, em favela de São Paulo, por um agente da polícia municipal de São Caetano do Sul, provocou a reação irada da população. O Estado, há muito tempo, não tem conseguido preparar suas forças para manter a ordem. A jovem Ana Cristina foi baleada quando os guardas municipais perseguiam um homem, suspeito de roubar um carro. Para recuperar um veículo, mataram uma pessoa.

Ao retirar grupo do MST de uma fazenda que ocupava, em São Gabriel, a polícia militar gaúcha, além de assassinar pelas costas um lavrador, e de usar armas que provocam choque elétrico, cães, cavalos e bombas, aterrorizou e torturou, física e psicologicamente várias crianças. Um bebê foi ferido por estilhaços no rosto. O fato será denunciado ao Ministério Público pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

O ex-presidente da ANP, senhor David Zylberstein, genro do ex-presidente Fernando Henrique, disse que estatizar o petróleo é coisa de país com baixo IDH. É o que devemos então fazer, com o índice de desenvolvimento humano que temos, e que os fatos de Heliópolis e de São Gabriel confirmam.

Pinçado de:
http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=15315

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

José Serra, os porquinhos e a matemática.

Esses videos mostram como se faz necessário a saída do sapo barbudo analfabeto e ignorante, para a entrada de alguém culto e versado em todos os assuntos.
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Não é novela mas se quiser seguir fique a vontade