Do blog do Nassif
Por Ronaldo Martins
Nassif,
esta discussão sobre os evangélicos está mal colocada. Tratam a nós como imbecis. Sugiro a publicação do seguinte artigo de um amigo, pastor presbiteriano e doutor em Ciências Políticas (prof. da Universidade Federal de Alfenas). É um dos melhores textos que li sobre o tema até agora.
ELEIÇÕES 2010 E OS APROVEITADORES DA BOA FÉ E DA CREDULIDADE EVANGÉLICA
Rev. Sandro Amadeu Cerveira (02/10/10)
Talvez eu tenha falhado como pastor nestas eleições. Digo isso porque estou com a impressão de ter feito pouco para desconstruir ou no pelo menos problematizar a onda de boataria e os posicionamentos “ungidos” de alguns caciques evangélicos. [1]
Talvez o mais grotesco tenham sido os emails e “vídeos” afirmando que votar em Dilma e no PT seria o mesmo que apoiar uma conspiração que mataria Dilma (por meios sobrenaturais) assim que fosse eleita e logo a seguir implantaria no Brasil uma ditadura comunista-luciferiana pelas mãos do filho de Michel Temer. Em outras o próprio Temer seria o satanista mor. Confesso que não respondi publicamente esse tipo de mensagem por acreditar que tamanha absurdo seria rejeitada pelo bom senso de meus irmãos evangélicos. Para além da “viagem” do conteúdo a absoluta falta de fontes e provas para estas “notícias” deveria ter levado (acreditei) as pessoas de boa fé a pelo menos desconfiar destas graves acusações infundadas. [2]
A candidata Marina Silva, uma evangélica da Assembléia de Deus, até onde se sabe sem qualquer mancha em sua biografia, também não saiu ilesa. Várias denominações evangélicas antes fervorosas defensoras de um “candidato evangélico” a presidência da república simplesmente ignoraram esta assembleiana de longa data.
Como se não bastasse, Marina foi também acusada pelo pastor Silas Malafaia de ser “dissimulada”, “pior do que o ímpio” e defender, (segundo ele), um plebiscito sobre o aborto. Surpreende como um líder da inteligência de Malafaia declare seu apoio a Marina em um dia, mude de voto três dias depois e à apenas 6 dias das eleições desconheça as proposições de sua irmã na fé.
De fato Marina Silva afirmou (desde cedo na campanha, diga-se de passagem) que “casos de alta complexidade cultural, moral, social e espiritual como esses, (aborto e maconha) deveriam ser debatidos pela sociedade na forma de plebiscito” [3], mas de fato não disse que uma vez eleita ela convocaria esse plebiscito.
O mais surpreendentemente, porém foi o absoluto silêncio quanto ao candidato José Serra. O candidato tucano foi curiosamente poupado. Somente a campanha adversária lembrou que foi ele, Serra a trazer o aborto para dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) [4]. Enquanto ministro da saúde o candidato do PSDB assinou em 1998 a norma técnica do SUS ordenando regras para fazer abortos previstos em lei, até o 5º mês de gravidez [5]. Fiquei intrigado que nenhum colega pastor absolutamente contra o aborto tenha se dignado a me avisar desta “barbaridade”.
Também foi de estranhar que nenhum pastor preocupado com a legalização das drogas tenha disparado uma enxurrada de-mails alertando os evangélicos de que o presidente de honra do PSDB, e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso defenda a descriminalização da posse de maconha para o consumo pessoal [6].
Por fim nem Malafaia, nem os boateiros de plantão tiveram interesse em dar visibilidade a noticia veiculada pelo jornal a Folha de São Paulo (Edição eletrônica de 21/06/10) nos alertando para o fato de que “O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira ser a favor da união civil e da adoção de crianças por casais homossexuais.” [7]
Depois de tudo isso é razoável desconfiar que o problema não esteja realmente na posição que os candidatos tenham sobre o aborto, união civil e adoção de crianças por homossexuais ou ainda a descriminalização da maconha. Se o problema fosse realmente o comprometimento dos candidatos e seus partidos com as questões acima os líderes evangélicos que abominam estas propostas não teriam alternativa.
A única postura coerente seria então pregar o voto nulo, branco ou ainda a ausência justificada. Se tivessem realmente a coragem que aparentam em suas bravatas televisivas deveriam convocar um boicote às eleições. Um gigantesco protesto a-partidário denunciando o fato de que nenhum dos candidatos com chances de ser eleitos tenha realmente se comprometido de forma clara e inequívoca com os valores evangélicos. Fazer uma denuncia seletiva de quem esta comprometido com a “iniqüidade” é, no mínimo, desonesto.
Falar mal de candidato A e beneficiar B por tabela (sendo que B está igualmente comprometido com os mesmo “problemas”) é muito fácil. Difícil é se arriscar num ato conseqüente de desobediência civil como fez Luther King quando entendeu que as leis de seu país eram iníquas.
Termino dizendo que não deixarei de votar nestas eleições.
Não o farei por ter alguma esperança de que o Estado brasileiro transforme nossos costumes e percepções morais em lei criminalizando o que consideramos pecado. Aliás tenho verdadeiro pavor de abrir esse precedente.
Não o farei porque acredite que a pessoa em quem votarei seja católica, cristã ou evangélica e isso vá “abençoar” o Brasil. Sei, como lembrou o apóstolo Paulo, que se agisse assim teria de sair do mundo.
Votarei consciente de que os temas aqui mencionados (união civil de pessoas do mesmo sexo, descriminalização do aborto, descriminalização de algumas drogas entre outras polêmicas) não serão resolvidos pelo presidente ou presidenta da república. Como qualquer pessoa informada sobre o tema, sei que assuntos assim devem ser discutidos pela sociedade civil, pelo legislativo e eventualmente pelo judiciário (como foi o caso da lei de biossegurança) [8] com serenidade e racionalidade.
Votarei na pessoa que acredito representa o melhor projeto político para o Brasil levando em conta outras questões (aparentemente esquecidas pelos lideres evangélicos presentes na mídia) tais como distribuição de renda, justiça social, direitos humanos, tratamento digno para os profissionais da educação, entre outros temas. (Ver Mateus 25: 31-46) Estas questões até podem não interessar aos líderes evangélicos e cristãos em geral que já ascenderam à classe média alta, mas certamente tem toda a relevância para nossos irmãos mais pobres.
______________________
NOTAS
[1] As afirmações que faço ao longo deste texto estão baseadas em informações públicas e amplamente divulgadas pelos meios de comunicação. Apresento os links dos jornais e documentos utilizados para verificação.
[2] http://www.hospitaldalma.com/2010/07/o-cristao-verdadeiro-nao-deve-votar-na.html
[3]http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/marina+rebate+declaracoes+de+pastor+evangelico+silas+malafaia/n1237789584105.html
Ver também http://www1.folha.uol.com.br/poder/805644-lider-evangelico-ataca-marina-e-anuncia-apoio-a-serra.shtml
[4]http://blogdadilma.blog.br/2010/09/serra-e-o-unico-candidato-que-ja-assinou-ordens-para-fazer-abortos-quando-ministro-da-saude-2.html
[5] http://www.cfemea.org.br/pdf/normatecnicams.pdf
[6] http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=856843&tit=FHC-e-intelectuais-pedem-legalizacao-da-maconha
[7] http://www1.folha.uol.com.br/poder/754484-serra-se-diz-a-favor-da-uniao-civil-e-da-adocao-de-criancas-por-gays.shtml
[8] http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=206
Fonte: Segunda Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte (www.segundaigreja.org.br)
Tudo junto e misturado
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
As tristesas deixadas
Há certas eleições que deixam muitas tristezas e essa foi uma delas. Digo isso não por Dilma não ter conseguido a vitória no primeiro turno, até porque sei que é mais fácil o Serra repetir Geraldo Alckimim em 2006 e ter menos votos que no primeiro turno, do que ameaçar a vitória de Dilma.
Dilma só não venceu no primeiro turno porque não quiz descer ao nível de Serra com denuncismo. Mas foi um erro. Tinha que ter mostrado em rede nacional a reportagem da Carta Capital sobre a quebra do sigilo bancário de milhões de brasileiros feito por Verônica Serra, devia ter mostrado as trapalhadas de Serra no governo de São Paulo, como no caso das apostilas com dois Paraguais por exemplo. Espero que ela tenha aprendido que o nível da campanha quem dita é o adversário, sua postura superior de não atacar, nem mesmo para se defender, foi o que acabou levando essa eleição para um segundo turno. Mas como disse não é isso que me entristeceu nessa eleição e sim o fato de o deputado do estado do Rio, Brizola Neto, não ter se reelegido para deputado federal, o Rio e o Brasil perdem muito. É triste ver um estado eleger figuras como Rodrigo Maia, para citar um só, e deixar de fora um político tão humanista como é o Brizola. Só espero que ele não desanime, pois é jovem ainda e tem muito a contribuir com o Rio e o Brasil, siga em frente homem.
Outra tristeza é ver que o povo de São Paulo, estado onde nasci, sempre vivi e amo, continua votando segundo os interesses de grupos empresariais que se beneficiam a anos dos governos tucanos. Pior do que eleger o tiririca, é continuar com esse modelo de governo que a 16 anos, vem diminuindo São Paulo, sob o protecionismo daqueles que deveriam fiscalizá-lo, mas como disse, dele se beneficiam.
Dilma só não venceu no primeiro turno porque não quiz descer ao nível de Serra com denuncismo. Mas foi um erro. Tinha que ter mostrado em rede nacional a reportagem da Carta Capital sobre a quebra do sigilo bancário de milhões de brasileiros feito por Verônica Serra, devia ter mostrado as trapalhadas de Serra no governo de São Paulo, como no caso das apostilas com dois Paraguais por exemplo. Espero que ela tenha aprendido que o nível da campanha quem dita é o adversário, sua postura superior de não atacar, nem mesmo para se defender, foi o que acabou levando essa eleição para um segundo turno. Mas como disse não é isso que me entristeceu nessa eleição e sim o fato de o deputado do estado do Rio, Brizola Neto, não ter se reelegido para deputado federal, o Rio e o Brasil perdem muito. É triste ver um estado eleger figuras como Rodrigo Maia, para citar um só, e deixar de fora um político tão humanista como é o Brizola. Só espero que ele não desanime, pois é jovem ainda e tem muito a contribuir com o Rio e o Brasil, siga em frente homem.
Outra tristeza é ver que o povo de São Paulo, estado onde nasci, sempre vivi e amo, continua votando segundo os interesses de grupos empresariais que se beneficiam a anos dos governos tucanos. Pior do que eleger o tiririca, é continuar com esse modelo de governo que a 16 anos, vem diminuindo São Paulo, sob o protecionismo daqueles que deveriam fiscalizá-lo, mas como disse, dele se beneficiam.
Uma boa limpeza
Heráclito Fortes
Tasso Jereissati
Marco Maciel
Raul Jungmann
César Maia
Arthur Virgílio
Não estãrão nos próximos anos poluindo o senado brasileiro. Será que tem uma vaguinha pra todos no governo de SP? Já o Tiririca se elejeu, parece que certos palhaços são melhores que outros.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Uma realidade transformada pelo Bolsa Família

Do blog do Brizola Neto
A cidade brasileira que tem a maior cobertura do Bolsa Família, Junco do Maranhão, passou a ostentar uma das menores taxas de mortalidade infantil, uma frequência escolar acima da média nacional e testemunhou uma queda vertiginosa na taxa de desnutrição de crianças até dois anos.
Os dados constam da ótima matéria de Sabrina Lorenzi, no IG, que foi até a cidade maranhense, a 235 km de São Luiz, e constatou as melhoras nos indicadores sociais, no comércio e no dia-a-dia das pessoas nos últimos três anos.
Em Junco do Maranhão, 91,6% das famílias recebem o benefício do Bolsa Família. Mas ao invés de pararem de trabalhar e ensinar isso a seus filhos, como a mulher de Serra classificou os beneficiários do programa do governo Lula, aproveitaram a ajuda para melhorar de vida e fazer a cidade progredir.
O Bolsa Família, com benefícios que variam de R$ 68 a R$ 200, injeta na cidade R$ 1 milhão por ano desde 2008, e de lá para cá, segundo a reportagem do IG, foram abertas uma loja de eletrodomésticos, pet shop, hortifruti, padaria, lanchonete, lan house, duas farmácias, duas lojas de material de construção, dois postos de gasolina, dois pontos de atendimento bancário, alguns mercadinhos, açougues e várias lojinhas de roupas. A paisagem mudou com o comércio e a substituição de casas de pau-a-pique por alvenaria.
E o que tem o Bolsa Família a ver com a redução da mortalidade infantil? Uma das condições exigidas pelo governo federal para o recebimento do benefício é a realização de exames pré-natais. Junco do Maranhão teve em 2008 oito mortos para cada mil nascidos, abaixo da média do país, com 19 mortos para cada mil nascidos, e muito melhor que a média do Nordeste, de 27 mortos por mil nascidos.
Além da redução da mortalidade infantil, a taxa de desnutrição entre crianças de até dois anos caiu de 30,9% em 2000 para 2,3% em 2008 (ver gráfico), o que se deveu à eficácia das políticas públicas e às transferências de renda, que permitiram um maior consumo de alimentos, como observou Adson França, responsável pelo Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil e Materna, uma das metas dos Objetivos do Milênio das Nações Unidas (ONU).
Esse é o Brasil de verdade, que proporciona oportunidades reais a seus filhos, e vem solucionando problemas sociais que se arrastavam há séculos. É o Brasil que queremos e que vai continuar com a escolha de Dilma pela maioria da população, no domingo, para levar adiante o compromisso com os mais pobres e necessitados, assumido por Lula.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Confio mais nessa pesquisa que no Datafolha

Hoje fui cortar cabelo e o instituto DATABARBEIRO, aponta vitória de Dilma Rousseff com 97% dos votos válidos. É claro que por estar em um bairro da periferia, essa margem deve cair mas não será menor que 60% dos votos válidos, segundo meu barbeiro, que entende muito mais de ouvir pessoas que o DATAFOLHA.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Zé Baixaria repete campanha de 2002 quando dizia que Lula "não sabia administrar nem carrinho de pipoca"
Do blog Os amigos do presidente Lula
Quem não se lembra da campanha presidencial de 2002, quando os demo-tucanos elitistas da campanha de José Serra (PSDB/SP), diziam que o então adversário Lula "não sabia administrar nem carrinho de pipoca"?
Os arrogantes demo-tucanos mentiam porque Lula já havia sido dirigente de um dos mais importantes sindicatos do Brasil, havia sido fundador e dirigente da bem sucedida Central Única dos Trabalhadores e do maior partido de esquerda, de massas, da América Latina. Não era pouca coisa.
Para piorar, a elite demo-tucana ainda tratava pejorativamente os pipoqueiros. Um carrinho de pipoca é um pequeno empreendimento que deve ser valorizado, e não depreciado. Os pipoqueiros tiram sua renda honestamente dali para sua família, para seus filhos estudarem, e é um trabalho da maior dignidade como qualquer outro.
Sem querer, Serra passou atestado de honestidade para Dilma
Hoje a propaganda de José Serra (PSDB) no rádio voltou a repetir os mesmos argumentos elitistas contra Dilma, acusando-a de "não conseguir administrar uma loja popular de R$ 1,99".
A história, é que a loja foi aberta em 1995, em Porto Alegre, junto com a ex-cunhada Sirlei Araújo, um sobrinho e o marido. Depois de 1 ano e meio decidiram fechar. Para o jornal Folha de SP que desencavou esse fato sem qualquer importância, na extensa biografia pública de Dilma, Sirlei disse que o negócio até que deu bem certo, o problema era que Dilma não tinha tempo, porque sempre estava envolvida com a política, e Sirlei também não tinha como se dedicar mais à loja.
Os arrogantes e elitistas demo-tucanos, acostumados a frequentar apenas as suntuosas sedes bancárias da Av. Paulista, também ignoram que pequenas empresas familiares, muitas vezes são abertas como opção de trabalho e renda, para a própria pessoa ou para filhos ou parentes, e algumas vezes são fechadas quando os donos não tem mais vocação para outras atividades do que a empresarial.
Também há um tom pejorativo nas críticas da elite demo-tucana na propaganda de Serra, contra pequenos comerciantes, como se lojas populares e bazares não fossem um empreendimento de valor, da maior importância para gerar empregos e renda, movimentar a economia e suprir o comércio local de bairros.
Mas o mais importante é que esse episódio passa um atestado de honestidade para Dilma.
Ela tinha acabado de sair do poderoso cargo de Secretária Estadual de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul. Já havia sido Secretária Municipal de Fazenda de Porto Alegre.
Se fosse uma tucana do bico grande, imediatamente iria parar em uma diretoria de um banco como o Opportunity de Daniel Dantas, ou então abriria uma empresa de consultoria com a irmã de Dantas, como fez a filha de José Serra.
Em vez disso, abriu uma micro-empresa que nada tinha a ver com o ramo de atividade da área que ela teria influência, como qualquer pequena empresa familiar de qualquer brasileiro. É por isso que, cada vez mais, temos mais motivos para votar em Dilma.
Quem não se lembra da campanha presidencial de 2002, quando os demo-tucanos elitistas da campanha de José Serra (PSDB/SP), diziam que o então adversário Lula "não sabia administrar nem carrinho de pipoca"?
Os arrogantes demo-tucanos mentiam porque Lula já havia sido dirigente de um dos mais importantes sindicatos do Brasil, havia sido fundador e dirigente da bem sucedida Central Única dos Trabalhadores e do maior partido de esquerda, de massas, da América Latina. Não era pouca coisa.
Para piorar, a elite demo-tucana ainda tratava pejorativamente os pipoqueiros. Um carrinho de pipoca é um pequeno empreendimento que deve ser valorizado, e não depreciado. Os pipoqueiros tiram sua renda honestamente dali para sua família, para seus filhos estudarem, e é um trabalho da maior dignidade como qualquer outro.
Sem querer, Serra passou atestado de honestidade para Dilma
Hoje a propaganda de José Serra (PSDB) no rádio voltou a repetir os mesmos argumentos elitistas contra Dilma, acusando-a de "não conseguir administrar uma loja popular de R$ 1,99".
A história, é que a loja foi aberta em 1995, em Porto Alegre, junto com a ex-cunhada Sirlei Araújo, um sobrinho e o marido. Depois de 1 ano e meio decidiram fechar. Para o jornal Folha de SP que desencavou esse fato sem qualquer importância, na extensa biografia pública de Dilma, Sirlei disse que o negócio até que deu bem certo, o problema era que Dilma não tinha tempo, porque sempre estava envolvida com a política, e Sirlei também não tinha como se dedicar mais à loja.
Os arrogantes e elitistas demo-tucanos, acostumados a frequentar apenas as suntuosas sedes bancárias da Av. Paulista, também ignoram que pequenas empresas familiares, muitas vezes são abertas como opção de trabalho e renda, para a própria pessoa ou para filhos ou parentes, e algumas vezes são fechadas quando os donos não tem mais vocação para outras atividades do que a empresarial.
Também há um tom pejorativo nas críticas da elite demo-tucana na propaganda de Serra, contra pequenos comerciantes, como se lojas populares e bazares não fossem um empreendimento de valor, da maior importância para gerar empregos e renda, movimentar a economia e suprir o comércio local de bairros.
Mas o mais importante é que esse episódio passa um atestado de honestidade para Dilma.
Ela tinha acabado de sair do poderoso cargo de Secretária Estadual de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul. Já havia sido Secretária Municipal de Fazenda de Porto Alegre.
Se fosse uma tucana do bico grande, imediatamente iria parar em uma diretoria de um banco como o Opportunity de Daniel Dantas, ou então abriria uma empresa de consultoria com a irmã de Dantas, como fez a filha de José Serra.
Em vez disso, abriu uma micro-empresa que nada tinha a ver com o ramo de atividade da área que ela teria influência, como qualquer pequena empresa familiar de qualquer brasileiro. É por isso que, cada vez mais, temos mais motivos para votar em Dilma.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Folha de São Paulo, um dos jornais mais vagabundo do mundo
Só não disse no título que a Folha é a mais vagabunda do mundo, porque ela disputa pau a pau com O Globo, Estadão e outros lixos espalhados pelo mundo.
A Folha joga o famoso “se colar, colou”
Do Tijolaço
Chega a ser ridículo o esforço da Folha de S.Paulo para desmerecer Dilma Rousseff e apontar irregularidades político-eleitorais na ação do Governo Lula.
Hoje, mais uma matéria da série “vamos esquadrinhar seu passado até acharmos algo que sirva ao Serra”. Depois de mandar gente até à Bulgária, outro jornalista convetido em “agente” foi ao Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul apurar “irregularidades” cometidas por Dilma em…1992!
O jornal de vale de parecer de auditores do TCE para apontar irregularidades comentidas numa licitação naquele ano e afirmando que a empresa vencedora havia sido “criada seis meses antes para vencer um contrato de R$ 1,8 milhão”. Aí diz que, “depois” disso a empresa conseguiu contratos com o PT (onde Dilma só ingressaria oito anos depois) e até uma contratação vultosa com a Secretaria de Imprensa da Presidência, em 2008. Ou seja, 16 anos depois. Que vida longa para um empresa “criada seis meses antes para ganhar um contrato”.
O fato de as contas de Dilma terem sido aprovadas por unanimidade fica perdido, lá no meio da matéria. O fato de ela defender-se, como é legítimo e legal, vira, na redação do jornal “em 96, Dilma pressionou o Tribunal”. Como “pressionou”, se não tinha qualquer cargo ou poder, então? Ah, não importa, importa é que dá para fazer alguma intriga. Desafio qualquer administrador público a dizer que nunca sofreu um questionamento sequer por parte de um tribunal de contas.
Mas, não satisfeito, o jornal “mais imparcial do Brasil” – que, é óbvio, não foi atrás dos inúmeros problema da administração Serra – abre manchete para o fato de que a NBR mandou gravar, apenas para seus arquivos, a participação de Lula em comícios. Aliás, a ordem administrativa deixava claro que o material não se prestaria à veiculação nem poderia ser cedido informalmente, mas constituiria simples registro histórico das atividades do presidente que, ao que eu saiba, não deixa de ser presidente hora alguma do dia.
Claro que o assunto vai dar pano para mangas e logo teremos a Dra. Sandra Cureau com os holofotes em cima, porque os nossos jornais não querem nem saber se não houve benefício eleitoral, que é o que a lei veda, mas apenas se é possível explorar o assunto. Nem lhes passa pela cabeça que, em matéria de filmagem e propaganda, a campanha dispõe de pessoal próprio. Ou o que aconteceria, no caso de um questionamento judicial, se o Presidente tivesse de defender-se usando gravações… Ou será que achariam normal que o chefe de Estado apresentasse sua defesa com base nas gravações da campanha? Já vejo até o título: Advogados da União usam imagens de campanha para defender Presidente…
A campanha eleitoral, para a Folha, é isso: um festival de quinquilharias a serem exploradas seletivamente. Verdadeiras ou não, as acusações se pretam a uma finalidade eleitoral inequívoca.
Quer uma prova?
Vocês lembram de toda aquela história sobre o dossiê que teria sido preparado pela equipe de Dilma, com arapongas, etc, com a qual o jornal sustentou durante semanas um tiroteio contra a candidata.
Pois bem, como revela o site Brasilia Confidencial, há dez dias atrás, a Folha publicou uma matéria onde se lê, sem destaque, que não havia dossiê algum e que todo o material que ela obteve era de cinco anos antes, recolhido sem nenhuma irregularidade, na Junta Comercial, em cartórios e na internet. Reproduzo no post a imagem do jornal para que você leia.
Ou seja, não havia sido feito nenhum dossiê.
A Folha não tem vergonha de desmentir as suas prórpias inverdade. Publica-as em manchete, desmente-as em letras miúdas.
Com isso, vai ficando, ela própria, cada vez mais descareditada e miúda.
Chega a ser ridículo o esforço da Folha de S.Paulo para desmerecer Dilma Rousseff e apontar irregularidades político-eleitorais na ação do Governo Lula.
Hoje, mais uma matéria da série “vamos esquadrinhar seu passado até acharmos algo que sirva ao Serra”. Depois de mandar gente até à Bulgária, outro jornalista convetido em “agente” foi ao Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul apurar “irregularidades” cometidas por Dilma em…1992!
O jornal de vale de parecer de auditores do TCE para apontar irregularidades comentidas numa licitação naquele ano e afirmando que a empresa vencedora havia sido “criada seis meses antes para vencer um contrato de R$ 1,8 milhão”. Aí diz que, “depois” disso a empresa conseguiu contratos com o PT (onde Dilma só ingressaria oito anos depois) e até uma contratação vultosa com a Secretaria de Imprensa da Presidência, em 2008. Ou seja, 16 anos depois. Que vida longa para um empresa “criada seis meses antes para ganhar um contrato”.
O fato de as contas de Dilma terem sido aprovadas por unanimidade fica perdido, lá no meio da matéria. O fato de ela defender-se, como é legítimo e legal, vira, na redação do jornal “em 96, Dilma pressionou o Tribunal”. Como “pressionou”, se não tinha qualquer cargo ou poder, então? Ah, não importa, importa é que dá para fazer alguma intriga. Desafio qualquer administrador público a dizer que nunca sofreu um questionamento sequer por parte de um tribunal de contas.
Mas, não satisfeito, o jornal “mais imparcial do Brasil” – que, é óbvio, não foi atrás dos inúmeros problema da administração Serra – abre manchete para o fato de que a NBR mandou gravar, apenas para seus arquivos, a participação de Lula em comícios. Aliás, a ordem administrativa deixava claro que o material não se prestaria à veiculação nem poderia ser cedido informalmente, mas constituiria simples registro histórico das atividades do presidente que, ao que eu saiba, não deixa de ser presidente hora alguma do dia.
Claro que o assunto vai dar pano para mangas e logo teremos a Dra. Sandra Cureau com os holofotes em cima, porque os nossos jornais não querem nem saber se não houve benefício eleitoral, que é o que a lei veda, mas apenas se é possível explorar o assunto. Nem lhes passa pela cabeça que, em matéria de filmagem e propaganda, a campanha dispõe de pessoal próprio. Ou o que aconteceria, no caso de um questionamento judicial, se o Presidente tivesse de defender-se usando gravações… Ou será que achariam normal que o chefe de Estado apresentasse sua defesa com base nas gravações da campanha? Já vejo até o título: Advogados da União usam imagens de campanha para defender Presidente…
A campanha eleitoral, para a Folha, é isso: um festival de quinquilharias a serem exploradas seletivamente. Verdadeiras ou não, as acusações se pretam a uma finalidade eleitoral inequívoca.
Quer uma prova?
Vocês lembram de toda aquela história sobre o dossiê que teria sido preparado pela equipe de Dilma, com arapongas, etc, com a qual o jornal sustentou durante semanas um tiroteio contra a candidata.
Pois bem, como revela o site Brasilia Confidencial, há dez dias atrás, a Folha publicou uma matéria onde se lê, sem destaque, que não havia dossiê algum e que todo o material que ela obteve era de cinco anos antes, recolhido sem nenhuma irregularidade, na Junta Comercial, em cartórios e na internet. Reproduzo no post a imagem do jornal para que você leia.
Ou seja, não havia sido feito nenhum dossiê.
A Folha não tem vergonha de desmentir as suas prórpias inverdade. Publica-as em manchete, desmente-as em letras miúdas.
Com isso, vai ficando, ela própria, cada vez mais descareditada e miúda.
Isso nem a Veja e nem a Folha querem mostrar
Já pensou se fosse coligado do PT? Estaria nos jornais e no jornal nacional pelos menos por um mês, mas como é coligado aos protegidos da mídia, nada se fala.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Fatos e versões
Da Carta Capital - Por Marcos Coimbra
Nas eleições, como em tudo na vida, uma coisa são os fatos, outra as versões. E, nem sempre, aqueles são mais importantes. Na luta política, uma versão bem defendida vale mais que muitos fatos.
Uma vitória, por exemplo, pode ficar parecida a uma derrota, de tão diminuída e apequenada. Depende do que sobre ela se diz. Por maior e mais extraordinária que seja, os derrotados podem se vingar, ganhando a batalha das versões. Os vitoriosos, em vez de comemorar e receber elogios, ficam na posição de se explicar, se defender. Os perdedores lhes roubam a cena.
Neste fim de campanha eleitoral, à medida que nos aproximamos da data da eleição, a perspectiva de uma vitória de Dilma por larga margem só tem aumentado. Ao que tudo indica, ela vai conseguir o que Lula não conseguiu em nenhuma das eleições que disputou: ganhar no primeiro turno. A crer nos números das pesquisas, ela está prestes a alcançar, já em 3 de outubro, a votação que ele obteve apenas no segundo turno de 2006, quando chegou a 60% dos votos válidos. Não é nada, não é nada, Dilma tem tudo para se tornar, daqui a três semanas, a pessoa mais votada de nossa história.
Enquanto a eleição real avança, a guerra de narrativas sobre seu provável resultado está em curso. De um lado, a que é formulada pelas forças políticas e as correntes de opinião que não conseguiram apoio na sociedade para levar seu candidato à vitória. Do outro, a dos vencedores.
Paradoxalmente, são os prováveis derrotados na batalha eleitoral real que estão em vantagem na briga das versões. Vão perder, ao que parece, na contagem dos votos, mas têm, pelo menos por enquanto, o consolo de fazer que sua interpretação prevaleça.
É o oposto daquilo que o professor Edgar de Decca, da Unicamp, caracterizou há alguns anos. Escrevendo sobre a Revolução de 1930, ele mostrou que ela entrou para nossa história através da narrativa daqueles que a venceram. Tudo aquilo pelo qual se bateram os derrotados foi ignorado ou desconsiderado. Sobre aquele movimento, nossa historiografia só nos conta a versão dos vencedores. Ninguém mais se lembra do que queria o outro lado. Impôs-se a ele “o silêncio dos vencidos”.
Em 2002, Lula e o PT venceram tanto a eleição quanto a batalha das versões. Quando o resultado objetivo foi proclamado, estava pronto um
discurso: era “a vitória da esperança sobre o medo” e o Brasil podia sentir orgulho de sua própria coragem ao colocar na Presidência um metalúrgico. Ninguém deslegitimou o que as urnas disseram.
Se Lula começasse seu segundo mandato depois de uma apertada vitória sobre Alckmin no primeiro turno da eleição de 2006, seria complicado livrar-se da interpretação de que, depois do mensalão, havia diminuído de tamanho. Mas, no segundo turno, cresceu tanto que até seus detratores tiveram que reconhecer que nada indicava que fosse essa a realidade.
Agora, na véspera do que todos calculam ser a eleição de Dilma, está sendo elaborada uma versão que a reduz. Nela, a vitória é apresentada como um misto de manipulação (“usaram o Bolsa Família para comprar o voto dos miseráveis”), ilegalidade (“Lula passou por cima de nossa legislação eleitoral”) e jogo sujo (“montaram um fábrica de dossiês para derrotar José Serra”).
Nesse tipo de combate, não faz a menor diferença se algo é verdade ou não. Como é apenas uma guerra de versões, o que conta é falar alto. Quem tem meios de comunicação (jornais, revistas, emissoras de televisão) à disposição para propagandear seus argumentos, sempre leva vantagem. Pode até ganhar.
Que importa se apenas 20% do voto de Dilma vem de eleitores em cujo domicílio alguém recebe o benefício (ou seja, que ela tem votos suficientes para ganhar no primeiro turno ainda que esses fossem proibidos de votar)? Que importa se nossas leis são tão inadequadas que até uma passeata de humoristas a modifica? Que importa se nada do resultado da eleição pode ser debitado a qualquer dossiê, existente ou imaginado?
Mas fatos são sempre fatos. E as versões, por mais insistentes que sejam, não os modificam. Ganha-se no grito, mas perde-se no voto. Lá na frente, os fatos terminarão por se impor.
Matéria origalmente publicada no Correio Braziliense
Nas eleições, como em tudo na vida, uma coisa são os fatos, outra as versões. E, nem sempre, aqueles são mais importantes. Na luta política, uma versão bem defendida vale mais que muitos fatos.
Uma vitória, por exemplo, pode ficar parecida a uma derrota, de tão diminuída e apequenada. Depende do que sobre ela se diz. Por maior e mais extraordinária que seja, os derrotados podem se vingar, ganhando a batalha das versões. Os vitoriosos, em vez de comemorar e receber elogios, ficam na posição de se explicar, se defender. Os perdedores lhes roubam a cena.
Neste fim de campanha eleitoral, à medida que nos aproximamos da data da eleição, a perspectiva de uma vitória de Dilma por larga margem só tem aumentado. Ao que tudo indica, ela vai conseguir o que Lula não conseguiu em nenhuma das eleições que disputou: ganhar no primeiro turno. A crer nos números das pesquisas, ela está prestes a alcançar, já em 3 de outubro, a votação que ele obteve apenas no segundo turno de 2006, quando chegou a 60% dos votos válidos. Não é nada, não é nada, Dilma tem tudo para se tornar, daqui a três semanas, a pessoa mais votada de nossa história.
Enquanto a eleição real avança, a guerra de narrativas sobre seu provável resultado está em curso. De um lado, a que é formulada pelas forças políticas e as correntes de opinião que não conseguiram apoio na sociedade para levar seu candidato à vitória. Do outro, a dos vencedores.
Paradoxalmente, são os prováveis derrotados na batalha eleitoral real que estão em vantagem na briga das versões. Vão perder, ao que parece, na contagem dos votos, mas têm, pelo menos por enquanto, o consolo de fazer que sua interpretação prevaleça.
É o oposto daquilo que o professor Edgar de Decca, da Unicamp, caracterizou há alguns anos. Escrevendo sobre a Revolução de 1930, ele mostrou que ela entrou para nossa história através da narrativa daqueles que a venceram. Tudo aquilo pelo qual se bateram os derrotados foi ignorado ou desconsiderado. Sobre aquele movimento, nossa historiografia só nos conta a versão dos vencedores. Ninguém mais se lembra do que queria o outro lado. Impôs-se a ele “o silêncio dos vencidos”.
Em 2002, Lula e o PT venceram tanto a eleição quanto a batalha das versões. Quando o resultado objetivo foi proclamado, estava pronto um
discurso: era “a vitória da esperança sobre o medo” e o Brasil podia sentir orgulho de sua própria coragem ao colocar na Presidência um metalúrgico. Ninguém deslegitimou o que as urnas disseram.
Se Lula começasse seu segundo mandato depois de uma apertada vitória sobre Alckmin no primeiro turno da eleição de 2006, seria complicado livrar-se da interpretação de que, depois do mensalão, havia diminuído de tamanho. Mas, no segundo turno, cresceu tanto que até seus detratores tiveram que reconhecer que nada indicava que fosse essa a realidade.
Agora, na véspera do que todos calculam ser a eleição de Dilma, está sendo elaborada uma versão que a reduz. Nela, a vitória é apresentada como um misto de manipulação (“usaram o Bolsa Família para comprar o voto dos miseráveis”), ilegalidade (“Lula passou por cima de nossa legislação eleitoral”) e jogo sujo (“montaram um fábrica de dossiês para derrotar José Serra”).
Nesse tipo de combate, não faz a menor diferença se algo é verdade ou não. Como é apenas uma guerra de versões, o que conta é falar alto. Quem tem meios de comunicação (jornais, revistas, emissoras de televisão) à disposição para propagandear seus argumentos, sempre leva vantagem. Pode até ganhar.
Que importa se apenas 20% do voto de Dilma vem de eleitores em cujo domicílio alguém recebe o benefício (ou seja, que ela tem votos suficientes para ganhar no primeiro turno ainda que esses fossem proibidos de votar)? Que importa se nossas leis são tão inadequadas que até uma passeata de humoristas a modifica? Que importa se nada do resultado da eleição pode ser debitado a qualquer dossiê, existente ou imaginado?
Mas fatos são sempre fatos. E as versões, por mais insistentes que sejam, não os modificam. Ganha-se no grito, mas perde-se no voto. Lá na frente, os fatos terminarão por se impor.
Matéria origalmente publicada no Correio Braziliense
terça-feira, 14 de setembro de 2010
O que a imprensa não cava
Do Tijolaço

Só um jornal deu primeira página, hoje, para o anúncio da – vou transcrever o Estadão – “maior descoberta mundial de petróleo dos últimos 20 anos”, a reserva de Libra, que pode conter 8 bilhões de barris de petróleo, mais que o poço gigante de Tupi, o maior da camada pré-sal.
Libra, sozinha, pode ser uma jazida igual a tudo o que o nosso país possuía em 2001. Pode, junto com Tupi, representar o aumento em 100% de nossas reservas.
Não é notícia, aqui, mas a agência Reuters dedicou a isso uma grande matéria, destacando que o novo poço já será explorado dentro do novo marco regulatório do pré-sal, onde a Petrobras será necessariamente a operadora e ganhará o direito, na licitação, quem oferecer à União a maior parcela do petróleo extraído.
A exploração terá, também, um conteúdo nacional de 60 a 65%. Isso significa uma imensa massa de produção, que vai de plataformas a pequenos componentes da atividade de perfuração e extração.
A tudo isso, a turma do Serra se opôs violentamente no Congresso, inclusive com a tentativa desmoralizar a Petrobras, com métodos que chegaram, inclusive, à quebra ilegal do sigilo fiscal de seus diretores.
Nossa imprensa ignora solenemente este grande momento do país. Sua capacidade de perfuração é apenas para extrair escândalos, mesmo que para isso tenha de injetar lama na campanha eleitoral.

Só um jornal deu primeira página, hoje, para o anúncio da – vou transcrever o Estadão – “maior descoberta mundial de petróleo dos últimos 20 anos”, a reserva de Libra, que pode conter 8 bilhões de barris de petróleo, mais que o poço gigante de Tupi, o maior da camada pré-sal.
Libra, sozinha, pode ser uma jazida igual a tudo o que o nosso país possuía em 2001. Pode, junto com Tupi, representar o aumento em 100% de nossas reservas.
Não é notícia, aqui, mas a agência Reuters dedicou a isso uma grande matéria, destacando que o novo poço já será explorado dentro do novo marco regulatório do pré-sal, onde a Petrobras será necessariamente a operadora e ganhará o direito, na licitação, quem oferecer à União a maior parcela do petróleo extraído.
A exploração terá, também, um conteúdo nacional de 60 a 65%. Isso significa uma imensa massa de produção, que vai de plataformas a pequenos componentes da atividade de perfuração e extração.
A tudo isso, a turma do Serra se opôs violentamente no Congresso, inclusive com a tentativa desmoralizar a Petrobras, com métodos que chegaram, inclusive, à quebra ilegal do sigilo fiscal de seus diretores.
Nossa imprensa ignora solenemente este grande momento do país. Sua capacidade de perfuração é apenas para extrair escândalos, mesmo que para isso tenha de injetar lama na campanha eleitoral.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
A resposta de Erenice Guerra
Do blog óleo do diabo
A Veja desta semana traz mais uma reportagem "bala de prata" tentando atingir a candidatura Dilma Rousseff através de sua ex-secretária (atual ministra) no Ministério da Casa Civil. Globo, Folha e Estadão, ou seja, a mídia suja e vendida, já repercute histericamente. O Jornal Nacional também deve entrar na festa.
Leia a resposta contundente e definitiva de Erenice. Disponibilizar seus dados bancários e telefônicos não é para qualquer um. Tudo leva a crer que, terminada as eleições, haverá uma avalanche de processos por calúnia. Serra e a revista Veja serão os campeões - no lado dos réus. Podem ir coçando os bolsos, seus crápulas, porque o prejuízo será grande.
Nota à Imprensa - Casa Civil
Sobre a matéria caluniosa da revista VEJA, buscando atingir-me em minha honra, bem como envolver familiares meus, cumpre-me informar:
1) procurados pelo repórter autor das aleivosias, fornecemos – tanto eu quanto os meus familiares - as respostas cabíveis a cada uma de suas interrogações. De nada adiantou nosso procedimento transparente e ético, já que tais esclarecimentos foram, levianamente, desconhecidos;
2) sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos, cabendo-me tomar as medidas judiciais cabíveis para a reparação necessária. E assim o farei. Não permitirei que a revista VEJA, contumaz no enxovalho da honra alheia, o faça comigo sem que seja acionada tanto por DANOS MORAIS quanto para que me garanta o DIREITO DE RESPOSTA;
3) como servidora pública sinto-me na obrigação, desde já, de colocar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como o de TODOS os integrantes de minha família, a disposição das autoridades competentes para eventuais apurações que julgarem necessárias para o esclarecimento dos fatos;
4) lamento, por fim, que o processo eleitoral, no qual a citada revista está envolvida da forma mais virulenta e menos ética possível, propicie esse tipo de comportamento e a utilização de expediente como esse, em que se publica ataque à honra alheia travestido de material jornalístico sem que se veicule a resposta dos ofendidos.
Brasília, 11 de setembro de 2010.
Erenice Guerra
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República
A Veja desta semana traz mais uma reportagem "bala de prata" tentando atingir a candidatura Dilma Rousseff através de sua ex-secretária (atual ministra) no Ministério da Casa Civil. Globo, Folha e Estadão, ou seja, a mídia suja e vendida, já repercute histericamente. O Jornal Nacional também deve entrar na festa.
Leia a resposta contundente e definitiva de Erenice. Disponibilizar seus dados bancários e telefônicos não é para qualquer um. Tudo leva a crer que, terminada as eleições, haverá uma avalanche de processos por calúnia. Serra e a revista Veja serão os campeões - no lado dos réus. Podem ir coçando os bolsos, seus crápulas, porque o prejuízo será grande.
Nota à Imprensa - Casa Civil
Sobre a matéria caluniosa da revista VEJA, buscando atingir-me em minha honra, bem como envolver familiares meus, cumpre-me informar:
1) procurados pelo repórter autor das aleivosias, fornecemos – tanto eu quanto os meus familiares - as respostas cabíveis a cada uma de suas interrogações. De nada adiantou nosso procedimento transparente e ético, já que tais esclarecimentos foram, levianamente, desconhecidos;
2) sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos, cabendo-me tomar as medidas judiciais cabíveis para a reparação necessária. E assim o farei. Não permitirei que a revista VEJA, contumaz no enxovalho da honra alheia, o faça comigo sem que seja acionada tanto por DANOS MORAIS quanto para que me garanta o DIREITO DE RESPOSTA;
3) como servidora pública sinto-me na obrigação, desde já, de colocar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como o de TODOS os integrantes de minha família, a disposição das autoridades competentes para eventuais apurações que julgarem necessárias para o esclarecimento dos fatos;
4) lamento, por fim, que o processo eleitoral, no qual a citada revista está envolvida da forma mais virulenta e menos ética possível, propicie esse tipo de comportamento e a utilização de expediente como esse, em que se publica ataque à honra alheia travestido de material jornalístico sem que se veicule a resposta dos ofendidos.
Brasília, 11 de setembro de 2010.
Erenice Guerra
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O crack e o leite das crianças em São Paulo
Do Portal Carta Maior
Na Prefeitura de São Paulo, desde 2004 existe um projeto urbanístico (“Projeto Nova Luz”), que, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), prevê o investimento de fábulas orçamentárias em obras na região do Parque da Luz, no Centro Histórico da cidade de São Paulo, com um total orçado (e liberado pelo BID) em torno de 100 milhões de dólares. Até hoje, uma ínfima quantidade desses recursos foram aplicados. Não tivesse transformado a revitalização num espetáculo hollywoodiano, a então gestão Serra-Kassab não passaria tamanha vergonha. O artigo é de João Paulo Cechinel Souza.
João Paulo Cechinel Souza (*)
A dependência ao crack recentemente ganhou notoriedade junto às autoridades brasileiras, principalmente, em se tratando do período eleitoral, daqueles aspirantes ao cargo presidencial. Diversas estratégias foram e vêm sendo anunciadas nos últimos meses e anos, incluindo ampliação do número de leitos para dependentes químicos e o respectivo aumento de verbas para prevenção e tratamento de indivíduos nessa condição.
Na Prefeitura de São Paulo, desde 2004 existe um projeto urbanístico (“Projeto Nova Luz”), que, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), prevê o investimento de fábulas orçamentárias em obras na região do Parque da Luz, no Centro Histórico da cidade de São Paulo, com um total orçado (e liberado pelo BID) em torno de 100 milhões de dólares. Para quem não conhece ou não sabe, foi no Parque da Luz que teve início o consumo de crack na cidade, ainda na década de 90, caracterizando posteriormente a chamada “Cracolândia”, devido ao grande número de dependentes que até hoje circulam por aquelas imediações.
Contudo, do total aprovado pelo BID para a recuperação da região, apenas 4% foram efetivamente utilizados. Sobre o restante, até hoje incidem multas e taxas diversas, como ocorre com todos os empréstimos do BID – que deverão ser debitados na conta da Prefeitura Municipal em algum momento.
Não tivesse transformado a revitalização num espetáculo hollywoodiano, a então gestão Serra-Kassab não passaria tamanha vergonha. Admitindo publicamente que não pretendiam dar seguimento às iniciativas de revitalização com inclusão social levadas a cabo pela gestão anterior (Marta Suplicy), teve início a “primeira fase” do projeto: a repressão policial – que durou três anos. Somente com o forte estímulo da administração estadual, já sob comando de Serra, algumas reformas isoladas foram realizadas, num segundo momento do projeto.
Mesmo se pretendendo (ou parecendo) bem-intencionado, um projeto dessa magnitude urbanística e, principalmente, humana, carente desde a base de elementos para participação popular e coletiva na tomada de decisões acerca das obras, sem contar a absoluta falta de perspectiva de integração dos habitantes (fixos ou não) a projetos de inclusão social, somente poderia ter o desfecho que teve: o “efeito bilhar”. Os grupamentos humanos que por ali existiam à época do início da repressão policial, assustados pela truculência institucional e agredidos em sua integridade física e psíquica pelo crack, acabaram por se dividir em subgrupos menores e espalharam o problema por toda a cidade.
Disseminado o problema e constatado o consumo dessa substância junto aos extratos sociais mais abastados, Serra planejou então formar as unidades para internação e tratamento dos dependentes químicos – e utiliza isso, hoje, em sua campanha eleitoral, como estratégia universal e única para quaisquer tipos de dependências (química ou não). Infelizmente, a única clínica desse tipo inaugurada até hoje possui dificuldades imensas para receber cidadãos encaminhados por outras localidades.
Afora isso, essa ideia completa a constatação maior, fruto de observação macroestrutural, de que as políticas públicas do Sistema Único de Saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), implantadas no resto do país, ganham características e nomes diferentes em São Paulo, não oferecem as melhorias esperadas (e constatadas em outros Estados) e ainda são brindadas com os vícios administrativos malufistas da época do Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
Centrados em sua malfadada campanha eleitoral e em promessas alheias aos anseios do povo, Serra e o demotucanato paulista se esqueceram de garantir o básico aos cidadãos que lamentavelmente dependem do atendimento público à saúde no Estado e no Município de São Paulo. Tivessem dado alguma importância real às vidas dos indivíduos sob sua tutela, entre outros problemas já levantados em artigos anteriores (“O sucateamento da saúde pública em São Paulo” – primeira parte ; e segunda parte) não teriam deixado acabar o leite artificial fornecido aos filhos de mães portadoras do HIV há quase dois meses, numa ação que passa longe da má administração – e se caracteriza, isso sim, como atitude criminosa e hedionda.
Entretanto, para o paraíso midiático do demotucanato – ou Partido da Imprensa Golpista, PiG, segundo Paulo Henrique Amorim – talvez seja mais importante fingir que tais questões simplesmente não existem e trabalhar para que os eleitores também finjam nunca terem passado ou presenciado aberrações como as apresentadas neste e nos outros artigos citados. Na antevéspera da eleição, tenham certeza, o PiG encontrará detalhes do pagamento, no valor de 30 moedas de prata, efetuado por Dilma para que Judas denunciasse Jesus. Isso sim terá valor – e audiência.
(*) João Paulo Cechinel Souza – médico especialista em Clínica Médica, residente em Infectologia no Instituto de Infectologia Emílio Ribas (São Paulo) e colaborador da Carta Maior
Na Prefeitura de São Paulo, desde 2004 existe um projeto urbanístico (“Projeto Nova Luz”), que, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), prevê o investimento de fábulas orçamentárias em obras na região do Parque da Luz, no Centro Histórico da cidade de São Paulo, com um total orçado (e liberado pelo BID) em torno de 100 milhões de dólares. Até hoje, uma ínfima quantidade desses recursos foram aplicados. Não tivesse transformado a revitalização num espetáculo hollywoodiano, a então gestão Serra-Kassab não passaria tamanha vergonha. O artigo é de João Paulo Cechinel Souza.
João Paulo Cechinel Souza (*)
A dependência ao crack recentemente ganhou notoriedade junto às autoridades brasileiras, principalmente, em se tratando do período eleitoral, daqueles aspirantes ao cargo presidencial. Diversas estratégias foram e vêm sendo anunciadas nos últimos meses e anos, incluindo ampliação do número de leitos para dependentes químicos e o respectivo aumento de verbas para prevenção e tratamento de indivíduos nessa condição.
Na Prefeitura de São Paulo, desde 2004 existe um projeto urbanístico (“Projeto Nova Luz”), que, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), prevê o investimento de fábulas orçamentárias em obras na região do Parque da Luz, no Centro Histórico da cidade de São Paulo, com um total orçado (e liberado pelo BID) em torno de 100 milhões de dólares. Para quem não conhece ou não sabe, foi no Parque da Luz que teve início o consumo de crack na cidade, ainda na década de 90, caracterizando posteriormente a chamada “Cracolândia”, devido ao grande número de dependentes que até hoje circulam por aquelas imediações.
Contudo, do total aprovado pelo BID para a recuperação da região, apenas 4% foram efetivamente utilizados. Sobre o restante, até hoje incidem multas e taxas diversas, como ocorre com todos os empréstimos do BID – que deverão ser debitados na conta da Prefeitura Municipal em algum momento.
Não tivesse transformado a revitalização num espetáculo hollywoodiano, a então gestão Serra-Kassab não passaria tamanha vergonha. Admitindo publicamente que não pretendiam dar seguimento às iniciativas de revitalização com inclusão social levadas a cabo pela gestão anterior (Marta Suplicy), teve início a “primeira fase” do projeto: a repressão policial – que durou três anos. Somente com o forte estímulo da administração estadual, já sob comando de Serra, algumas reformas isoladas foram realizadas, num segundo momento do projeto.
Mesmo se pretendendo (ou parecendo) bem-intencionado, um projeto dessa magnitude urbanística e, principalmente, humana, carente desde a base de elementos para participação popular e coletiva na tomada de decisões acerca das obras, sem contar a absoluta falta de perspectiva de integração dos habitantes (fixos ou não) a projetos de inclusão social, somente poderia ter o desfecho que teve: o “efeito bilhar”. Os grupamentos humanos que por ali existiam à época do início da repressão policial, assustados pela truculência institucional e agredidos em sua integridade física e psíquica pelo crack, acabaram por se dividir em subgrupos menores e espalharam o problema por toda a cidade.
Disseminado o problema e constatado o consumo dessa substância junto aos extratos sociais mais abastados, Serra planejou então formar as unidades para internação e tratamento dos dependentes químicos – e utiliza isso, hoje, em sua campanha eleitoral, como estratégia universal e única para quaisquer tipos de dependências (química ou não). Infelizmente, a única clínica desse tipo inaugurada até hoje possui dificuldades imensas para receber cidadãos encaminhados por outras localidades.
Afora isso, essa ideia completa a constatação maior, fruto de observação macroestrutural, de que as políticas públicas do Sistema Único de Saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), implantadas no resto do país, ganham características e nomes diferentes em São Paulo, não oferecem as melhorias esperadas (e constatadas em outros Estados) e ainda são brindadas com os vícios administrativos malufistas da época do Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
Centrados em sua malfadada campanha eleitoral e em promessas alheias aos anseios do povo, Serra e o demotucanato paulista se esqueceram de garantir o básico aos cidadãos que lamentavelmente dependem do atendimento público à saúde no Estado e no Município de São Paulo. Tivessem dado alguma importância real às vidas dos indivíduos sob sua tutela, entre outros problemas já levantados em artigos anteriores (“O sucateamento da saúde pública em São Paulo” – primeira parte ; e segunda parte) não teriam deixado acabar o leite artificial fornecido aos filhos de mães portadoras do HIV há quase dois meses, numa ação que passa longe da má administração – e se caracteriza, isso sim, como atitude criminosa e hedionda.
Entretanto, para o paraíso midiático do demotucanato – ou Partido da Imprensa Golpista, PiG, segundo Paulo Henrique Amorim – talvez seja mais importante fingir que tais questões simplesmente não existem e trabalhar para que os eleitores também finjam nunca terem passado ou presenciado aberrações como as apresentadas neste e nos outros artigos citados. Na antevéspera da eleição, tenham certeza, o PiG encontrará detalhes do pagamento, no valor de 30 moedas de prata, efetuado por Dilma para que Judas denunciasse Jesus. Isso sim terá valor – e audiência.
(*) João Paulo Cechinel Souza – médico especialista em Clínica Médica, residente em Infectologia no Instituto de Infectologia Emílio Ribas (São Paulo) e colaborador da Carta Maior
terça-feira, 7 de setembro de 2010
O escândalo não decola, Dilma dispara e João pergunta: quem teme a devassa?
Do blog Escrevinhador
Devassa é o nome de uma cervejaria. E de uma cerveja no Rio. Na gíria da rapaziada esperta, é também o apelido que se dá a moças pouca regradas. Já em português mais ou menos arcaico, é sinônimo de grandes investigações – muitas vezes levadas a cabo pelo próprio Estado, de forma autoritária (como a Devassa em Minas, que levou à Inconfidência, e à morte de Tiradentes, no fim do século XVIII).
Mas antes que esse texto vire samba-enredo, e misture Verônica Serra com Silvério dos Reis, queria lembrar aos diletos leitores que Dilma não para de subir. O “tracking” Vox/Band/IG mostrou hoje que ela chegou a 55% e Serra afundou para 22%.
A conclusão óbvia é que a história da “devassa” nas declarações de Verônica não rendeu votos para Serra. Até porque o povão deve se perguntar: ah, fizeram um dossiê, e o que mostra o dossiê? Isso o “JN”, a “Folha” e a “Veja” não revelam. Então, a história fica sem graça: é o escândalo de um dossiê que não veio à tona. Ainda que o vazamento mereça – sim – ser investigado pela PF e pela Receita.
E se o tal dossiê viesse à tona, o que haveria de tão terrível para a filha de Serra? Sobre isso, recebo ótimo texto do arquiteto e urbanista João Whitaker.
===
QUEM TEM MEDO DA DEVASSA?
por João Whitaker
Vocês repararam como no discurso oficial em torno do “escândalo” da Receita Federal aparece reiteradamente o argumento da “vida devassada” – no caso, a vida da Verônica Serra?
A idéia é de que a quebra de sigilo representa uma violação escandalosa da vida privada de cada um, que vê suas contas escancaradas. Um risco para o Estado de Direito, que deve zelar pela privacidade dos seus cidadãos.
Formalmente, o argumento é corretíssimo, tudo que a Lúcia Hippolito queria para se indignar à vontade na CBN. Há de fato aí uma questão que deve ser averiguada, pois não é agradável saber que nossa administração pública não zela como deveria por nossos dados pessoais. Mas sinceramente eu nunca confiei plenamente que meus dados fornecidos para a tal Nota Fiscal Paulista, ou para fazer o Bilhete Único, ou mesmo para tirar os documentos do carro fossem assim tão religiosamente guardados. Aliás, o que não falta é documento de carro clonado surgindo por ai.
No âmbito da iniciativa privada, para não falar em cartões clonados com a “ajuda” de funcionários das instituições bancárias, não consigo mais usar minha conta UOL na internet de tanto Spams que recebo. No celular agora virou comum receber ligações de telemarketing. Pergunta: quem vazou meu mail e meu número para todos esses anunciantes?
Quando as próprias empresas alimentam uma cultura de vazamentos para todos os lados, e em um país em que o Estado ainda é uma máquina
bastante corroída pela corrupção (e por isso vulnerável), não deveria parecer tão incomum um sujeito qualquer conseguir um atestado com um
documento falso em um posto remoto da Receita Federal. É escandaloso, mas não é novidade.
A grande imprensa – consternada – resolveu agora analisar o porquê do escândalo “não pegar”: para ela, a grande maioria da população sequer
paga IR, e por isso acha essa história um tanto complexa. Até ai, tudo ok: o povão não paga IR, e ainda bem. Esses assuntos podem mesmo lhe
parecer distantes.
Agora, o que me espanta é essa divisão que vem subjacente ao argumento, como se houvesse dois grupos: um dos que pagam IR e entendem o
escândalo, e outro dos que não pagam e não entendem.
Ai está o ponto sobre o qual vale chamar a atenção: há ainda um terceiro grupo, para o qual a mídia não deu atenção, pois entre os que pagam
o IR, há uma enorme maioria para quem a palavra “devassa” não significa muita coisa. Em outras palavras, para quem trabalha honestamente e ganha seu salário a duras penas, e ainda paga o IR no fim do ano, ou recebe restituição, a palavra “devassa” ou mesmo “quebra de sigilo” não tem nem de longe o significado terrível e de desmoronamento do Estado que a grande mídia quer dar. No máximo pode significar uma dor de cabeça igual a de saber que seu documento foi clonado. Nada agradável, porém também nada que me faça achar que o Estado brasileiro de repente está desmoronando.
Isso porque para essa maioria, não há o que ser devassado. Querem ver meu IR? Sem problemas: vai aparecer lá que dou aulas em duas faculdades, que faço uma ou outra palestra, e que pago uma fortuna de IR no fim do ano por ter duas fontes de pagamento. Algum problema em devassar-me? Nenhum, salvo eventualmente algum constrangimento menor, quanto à privacidade de saberem meus bens, mas nada de muito significativo.
Ou seja, o discurso da “vida devassada” que a grande mídia está usando é de um elitismo sem tamanho. E por isso não pega também nem na classe média que paga IR.
Quem tem tanto medo de ter a vida fiscal “devassada” é certamente quem tem muito, mas muito a esconder. Quem tem muito dinheiro, quem declara bens incompatíveis com o estilo de vida pública que leva, e assim por diante. Ou seja, a elite da elite. Só para eles ter a “vida
devassada” pode ter esse aspecto tão aterrorizante.
Acho até que boa parte da classe média deve inclusive olhar com certa ironia e um pouco de curiosidade perversa a possibilidade de saber quais as eventuais falcatruas que os famosos podem ter feito, e que tanto os fazem temer em ter as contas devassadas. Incluindo-se aí a filha do Serra.
João Whitaker
Arquiteto e Urbanista
Devassa é o nome de uma cervejaria. E de uma cerveja no Rio. Na gíria da rapaziada esperta, é também o apelido que se dá a moças pouca regradas. Já em português mais ou menos arcaico, é sinônimo de grandes investigações – muitas vezes levadas a cabo pelo próprio Estado, de forma autoritária (como a Devassa em Minas, que levou à Inconfidência, e à morte de Tiradentes, no fim do século XVIII).
Mas antes que esse texto vire samba-enredo, e misture Verônica Serra com Silvério dos Reis, queria lembrar aos diletos leitores que Dilma não para de subir. O “tracking” Vox/Band/IG mostrou hoje que ela chegou a 55% e Serra afundou para 22%.
A conclusão óbvia é que a história da “devassa” nas declarações de Verônica não rendeu votos para Serra. Até porque o povão deve se perguntar: ah, fizeram um dossiê, e o que mostra o dossiê? Isso o “JN”, a “Folha” e a “Veja” não revelam. Então, a história fica sem graça: é o escândalo de um dossiê que não veio à tona. Ainda que o vazamento mereça – sim – ser investigado pela PF e pela Receita.
E se o tal dossiê viesse à tona, o que haveria de tão terrível para a filha de Serra? Sobre isso, recebo ótimo texto do arquiteto e urbanista João Whitaker.
===
QUEM TEM MEDO DA DEVASSA?
por João Whitaker
Vocês repararam como no discurso oficial em torno do “escândalo” da Receita Federal aparece reiteradamente o argumento da “vida devassada” – no caso, a vida da Verônica Serra?
A idéia é de que a quebra de sigilo representa uma violação escandalosa da vida privada de cada um, que vê suas contas escancaradas. Um risco para o Estado de Direito, que deve zelar pela privacidade dos seus cidadãos.
Formalmente, o argumento é corretíssimo, tudo que a Lúcia Hippolito queria para se indignar à vontade na CBN. Há de fato aí uma questão que deve ser averiguada, pois não é agradável saber que nossa administração pública não zela como deveria por nossos dados pessoais. Mas sinceramente eu nunca confiei plenamente que meus dados fornecidos para a tal Nota Fiscal Paulista, ou para fazer o Bilhete Único, ou mesmo para tirar os documentos do carro fossem assim tão religiosamente guardados. Aliás, o que não falta é documento de carro clonado surgindo por ai.
No âmbito da iniciativa privada, para não falar em cartões clonados com a “ajuda” de funcionários das instituições bancárias, não consigo mais usar minha conta UOL na internet de tanto Spams que recebo. No celular agora virou comum receber ligações de telemarketing. Pergunta: quem vazou meu mail e meu número para todos esses anunciantes?
Quando as próprias empresas alimentam uma cultura de vazamentos para todos os lados, e em um país em que o Estado ainda é uma máquina
bastante corroída pela corrupção (e por isso vulnerável), não deveria parecer tão incomum um sujeito qualquer conseguir um atestado com um
documento falso em um posto remoto da Receita Federal. É escandaloso, mas não é novidade.
A grande imprensa – consternada – resolveu agora analisar o porquê do escândalo “não pegar”: para ela, a grande maioria da população sequer
paga IR, e por isso acha essa história um tanto complexa. Até ai, tudo ok: o povão não paga IR, e ainda bem. Esses assuntos podem mesmo lhe
parecer distantes.
Agora, o que me espanta é essa divisão que vem subjacente ao argumento, como se houvesse dois grupos: um dos que pagam IR e entendem o
escândalo, e outro dos que não pagam e não entendem.
Ai está o ponto sobre o qual vale chamar a atenção: há ainda um terceiro grupo, para o qual a mídia não deu atenção, pois entre os que pagam
o IR, há uma enorme maioria para quem a palavra “devassa” não significa muita coisa. Em outras palavras, para quem trabalha honestamente e ganha seu salário a duras penas, e ainda paga o IR no fim do ano, ou recebe restituição, a palavra “devassa” ou mesmo “quebra de sigilo” não tem nem de longe o significado terrível e de desmoronamento do Estado que a grande mídia quer dar. No máximo pode significar uma dor de cabeça igual a de saber que seu documento foi clonado. Nada agradável, porém também nada que me faça achar que o Estado brasileiro de repente está desmoronando.
Isso porque para essa maioria, não há o que ser devassado. Querem ver meu IR? Sem problemas: vai aparecer lá que dou aulas em duas faculdades, que faço uma ou outra palestra, e que pago uma fortuna de IR no fim do ano por ter duas fontes de pagamento. Algum problema em devassar-me? Nenhum, salvo eventualmente algum constrangimento menor, quanto à privacidade de saberem meus bens, mas nada de muito significativo.
Ou seja, o discurso da “vida devassada” que a grande mídia está usando é de um elitismo sem tamanho. E por isso não pega também nem na classe média que paga IR.
Quem tem tanto medo de ter a vida fiscal “devassada” é certamente quem tem muito, mas muito a esconder. Quem tem muito dinheiro, quem declara bens incompatíveis com o estilo de vida pública que leva, e assim por diante. Ou seja, a elite da elite. Só para eles ter a “vida
devassada” pode ter esse aspecto tão aterrorizante.
Acho até que boa parte da classe média deve inclusive olhar com certa ironia e um pouco de curiosidade perversa a possibilidade de saber quais as eventuais falcatruas que os famosos podem ter feito, e que tanto os fazem temer em ter as contas devassadas. Incluindo-se aí a filha do Serra.
João Whitaker
Arquiteto e Urbanista
Mais uma manchete da Folha
Pra quem não sabe que agosto foi o mês mais seco do ano essa manchete imbecil pode até servir de desculpa, caso haja muitos pontos de alagamento na cidade de São Paulo. Assim a Folha mais uma vez presta seu trabalho de contribuição às campanhas demotucanas. E assim num futuro governo demotucano, fica garantida aquela verba do governo para comprar milhares de assinaturas da folha sem licitação.

A porcaria toda está aqui.
domingo, 5 de setembro de 2010
Jornalismo de campanha
Apesar da lei ter sido criada e sancionada no governo FHC, a culpa por ela causar distorções é de Dilma.
O lixo jornalístico foi pinçado daqui.
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José Serra, os porquinhos e a matemática.
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