Pinçado daqui
O governo federal anunciou ontem a redução das tarifas de energia elétrica para empresas e famílias. Não me lembro de iniciativa semelhante, mas sim do racionamento imposto ao país no governo FHC. Impressiona como as coisas mudaram ao longo desses anos. Parece que saímos da idade das trevas para finalmente começarmos a enxergar o mundo como ele é - ou deveria ser -, de cores exuberantes.
O governo Dilma tem promovido, sem explicitar o fato, as reformas que podem levar o Brasil ao Primeiro Mundo: corte nos tributos e na taxa básica de juros, investimentos na infraestrutura - especialmente a de logística -, construção de moradias, oferta farta e barata de crédito, desoneração da folha de pagamentos, foco no aprimoramento da gestão, combate à corrupção, mudanças na Previdência (a do funcionalismo público já efetuada; a dos cidadãos comuns em via de ser anunciada), entre outras coisitas mais.
É estranho que tal revolução silenciosa não seja nem notada nem destacada pelos tais analistas que abundam nas páginas dos jornalões, sempre dispostos a dar palpites em tudo.
Em vez disso, eles têm preferido comentar o julgamento do dito mensalão, como se a condenação de alguns políticos do PT fosse o suficiente para a desforra que tanto almejam.
O plano traçado há tanto tempo para dinamitar o partido e suas lideranças, porém, não avança por uma razão muito simples: ninguém, com exceção dessa meia dúzia de saudosistas dos velhos e bons tempos em que os neoliberais faziam do Brasil o seu parque de diversões, está dando a mínima para o julgamento.
No roteiro escrito por esses golpistas acovardados, nesta altura do campeonato as praças estariam cheias, com as multidões clamando pelo sangue dos réus, uma onda de indignação moral teria tomado conta do país e os infames usurpadores do poder cumpririam seus mandatos feito zumbis, contando as horas para passar o bastão aos representantes dos homens bons.
Como é a arte que imita a vida e não o contrário, essa turma terá de se contentar em promover festinhas privês e não públicas para comemorar a vitória que conquistará em breve, graças a um tribunal que não foge do estereótipo da Justiça brasileira, estigmatizada pelas severas punições que costuma aplicar apenas em pobres, pretos, putas e, agora, petistas.
E enquanto estiverem trocando cumprimentos pelo sucesso da campanha, emparedados pelo medo de se expor à luz do sol, nas ruas, nas casas, nos escritórios, nas fábricas e nos campos o Brasil estará festejando outra coisa muito maior, muito mais valiosa, muito mais duradoura, que são esses primeiros passos que dá em busca de superar de uma vez por todas a ignomínia de ser um dos países com a maior desigualdade social e econômica do mundo.
Tudo junto e misturado
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Quem é o Noblat?
O Noblat em seu blog hoje desceu o pau na blogosfera progressiva, chamando-a de Pig, Partido da imprensa governista, nem original o canalha consegue ser.
O post dele é esse:
Joaquim é o alvo, por Ricardo Noblat
O Partido da Imprensa Governista (PIG) começou a descer o pau no ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão.
O PIG é parente da imprensa chapa branca que sobrevive da caridade oficial. Basicamente, é o conjunto de blogs, sites e portais que serve ao governo e aos partidos que o apoiam.
Trata-se de mais um aspecto da herança pesada deixada por Lula para Dilma, por mais que ela negue.
Por que Joaquim virou alvo de malhação?
Porque o desempenho dele até aqui desagrada ao PT. Porque ele deve a Lula sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF) e, no entanto, atua com a independência que se espera de todo juiz.
Registre-se por dever de ofício: ele e outros ministros indicados por Lula e Dilma. Nem todos.
Naturalmente, o PIG está impedido de expor com clareza as razões de sua revolta contra Joaquim. Seria insensato fazê-lo.
Correria o risco de perder seus poucos leitores tamanho é o prestígio de Joaquim nas chamadas redes sociais. Ali ele virou uma espécie de anjo vingador. Um anjo preto, zangado, irritadiço e sempre à beira de um ataque de nervos.
Sem audiência, para quê sustentar o PIG? Só para que continuasse a disseminar intrigas durante períodos eleitorais? Para que funcionasse como laboratório onde se testam palavras de ordem? Ou para que seguisse defendendo aliados do governo?
Collor, Sarney, Renan - toda essa gente conta com a ajuda do PIG quando se lhe apertam os calos. Sem utilidade, adeus patrocínio!
O PIG argumenta que Joaquim está sendo muito rigoroso com os réus do mensalão. Como se rigor fosse um exagero e a condescendência o mais aconselhável.
Não ria: membro mais afoito e mais bem remunerado do PIG comparou Joaquim a inquisidores da Idade Média que torturaram e mataram. Seria o nosso Torquemada!
No fim do século XV, na Espanha, o dominicano Tomás de Torquemada, promovido a inquisidor-geral pelo papa Inocêncio VIII, recomendava parafusos nos polegares dos heréticos enquanto rezava contrito e baixinho pela salvação de suas almas.
Se Joaquim procede como ele, o STF virou o endereço nobre e espaçoso dos novos inquisidores.
Sim, porque Joaquim não julga sozinho.
Na última segunda-feira, por exemplo, ele condenou Ayanna Tenório, uma das diretoras do Banco Rural, o financiador de parte do mensalão. E aí?
Se tiver vontade de ler o lixo todo clique aqui
Mas não é bem o que o vestal pensava de Joaquim Barbosa quando da aceitação da denúncia do mensalão minero de seu querido Eduardo Azeredo, vejam o que ele disse, colocando palavras na boca dos outros, claro:
Foi mal, Barbosa!
É majoritária entre os ministros do Supremo Tribunal Federal a opinião de que foi medíocre o desempenho de Joaquim Barbosa (foto acima) como relator do caso do mensalão mineiro protagonizado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Cabia a Barbosa votar pelo acatamento ou recusa da denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República. Uma vez que ela fosse aceita pela maioria dos seus pares, só então se abriria processo contra o senador.
Mas o de Barbosa foi um voto de condenação prévia de Azeredo. De resto, ele conferiu importância excessiva a um recibo de dinheiro que Azeredo enfaticamente aponta como falso. Barbosa não pediu uma perícia do documento.
Se você não acredita e acha que estou inventando pode conferir aqui
Aí fica claro que na hora de usar sua caneta, não é a favor do jornalismo que o sujeito se dedica, e sim para favorecer as suas preferências, de seus patrãos ou até mesmo para ajudar sua cônjugue, como no caso em que acusou o ministro do supremo Dias Tófoli, como pode ser conferido aqui
Mas o que esperar de um sujeito que se presta ao papel mostrado no video abaixo
O post dele é esse:
Joaquim é o alvo, por Ricardo Noblat
O Partido da Imprensa Governista (PIG) começou a descer o pau no ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão.
O PIG é parente da imprensa chapa branca que sobrevive da caridade oficial. Basicamente, é o conjunto de blogs, sites e portais que serve ao governo e aos partidos que o apoiam.
Trata-se de mais um aspecto da herança pesada deixada por Lula para Dilma, por mais que ela negue.
Por que Joaquim virou alvo de malhação?
Porque o desempenho dele até aqui desagrada ao PT. Porque ele deve a Lula sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF) e, no entanto, atua com a independência que se espera de todo juiz.
Registre-se por dever de ofício: ele e outros ministros indicados por Lula e Dilma. Nem todos.
Naturalmente, o PIG está impedido de expor com clareza as razões de sua revolta contra Joaquim. Seria insensato fazê-lo.
Correria o risco de perder seus poucos leitores tamanho é o prestígio de Joaquim nas chamadas redes sociais. Ali ele virou uma espécie de anjo vingador. Um anjo preto, zangado, irritadiço e sempre à beira de um ataque de nervos.
Sem audiência, para quê sustentar o PIG? Só para que continuasse a disseminar intrigas durante períodos eleitorais? Para que funcionasse como laboratório onde se testam palavras de ordem? Ou para que seguisse defendendo aliados do governo?
Collor, Sarney, Renan - toda essa gente conta com a ajuda do PIG quando se lhe apertam os calos. Sem utilidade, adeus patrocínio!
O PIG argumenta que Joaquim está sendo muito rigoroso com os réus do mensalão. Como se rigor fosse um exagero e a condescendência o mais aconselhável.
Não ria: membro mais afoito e mais bem remunerado do PIG comparou Joaquim a inquisidores da Idade Média que torturaram e mataram. Seria o nosso Torquemada!
No fim do século XV, na Espanha, o dominicano Tomás de Torquemada, promovido a inquisidor-geral pelo papa Inocêncio VIII, recomendava parafusos nos polegares dos heréticos enquanto rezava contrito e baixinho pela salvação de suas almas.
Se Joaquim procede como ele, o STF virou o endereço nobre e espaçoso dos novos inquisidores.
Sim, porque Joaquim não julga sozinho.
Na última segunda-feira, por exemplo, ele condenou Ayanna Tenório, uma das diretoras do Banco Rural, o financiador de parte do mensalão. E aí?
Se tiver vontade de ler o lixo todo clique aqui
Mas não é bem o que o vestal pensava de Joaquim Barbosa quando da aceitação da denúncia do mensalão minero de seu querido Eduardo Azeredo, vejam o que ele disse, colocando palavras na boca dos outros, claro:
Foi mal, Barbosa!
É majoritária entre os ministros do Supremo Tribunal Federal a opinião de que foi medíocre o desempenho de Joaquim Barbosa (foto acima) como relator do caso do mensalão mineiro protagonizado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Cabia a Barbosa votar pelo acatamento ou recusa da denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República. Uma vez que ela fosse aceita pela maioria dos seus pares, só então se abriria processo contra o senador.
Mas o de Barbosa foi um voto de condenação prévia de Azeredo. De resto, ele conferiu importância excessiva a um recibo de dinheiro que Azeredo enfaticamente aponta como falso. Barbosa não pediu uma perícia do documento.
Se você não acredita e acha que estou inventando pode conferir aqui
Aí fica claro que na hora de usar sua caneta, não é a favor do jornalismo que o sujeito se dedica, e sim para favorecer as suas preferências, de seus patrãos ou até mesmo para ajudar sua cônjugue, como no caso em que acusou o ministro do supremo Dias Tófoli, como pode ser conferido aqui
Mas o que esperar de um sujeito que se presta ao papel mostrado no video abaixo
Empresário: mensalão tucano vem da educação
Via Com Texto Livre

Ernani de Paula, dono da Universidade São Marcos, denunciou ao Ministério Público de São Paulo esquema para distribuição de bolsas a alunos fantasmas; de lá vem, segundo ele, o caixa dois do PSDB nas eleições; esquema foi implantado, segundo ele, na gestão de Serra na prefeitura e levado ao estado
José Serra, candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, foi o primeiro candidato a utilizar o mensalão na campanha municipal de 2012. Segundo ele, o “STF está mandando para a cadeia um jeito nefasto de fazer política”. Depois dele, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reforçou a crítica, ao dizer que a Justiça está despertando no Brasil, também no programa de Serra. Agora, em pleno processo eleitoral, um empresário da área de educação, Ernani de Paula, que é proprietário da Universidade São Marcos, sob intervenção do Ministério da Educação, denuncia que o “mensalão” do PSDB vem da área de ensino superior. O esquema consistiria em conceder bolsas de ensino a alunos-fantasma, a instituições pouco conhecidas no mercado.
Em 2009, Ernani de Paula fez uma denúncia ao promotor Sílvio Marques, do Ministério Público de São Paulo – o mesmo que investigou o caso Maluf. À época, ele falava em repasses de R$ 80 milhões. Hoje, ele tem a informação de que, desde a chegada de José Serra ao Palácio dos Bandeirantes, em 2006, mais de R$ 800 milhões foram transferidos a essas instituições de ensino.
O caso mais sintomático, diz ele, é a da faculdade Sumaré, que liderou os repasses, embora seja pouco conhecida no mercado. “É o mensalão universitário”, diz Ernani de Paula. “Essa universidade, que ninguém sabe o que faz ou quem é o dono já recebeu mais de R$ 70 milhões”, afirma. Outra, a Uniesp, também lidera o ranking. Juntas, as duas teriam levado quase R$ 140 milhões.
Ernani de Paula, coincidentemente, tem uma história de vida ligada a outro mensalão: o do PT. Em 2000, ele se elegeu prefeito de Anápolis (GO), cidade do bicheiro Carlos Cachoeira, e depois acompanhou de perto as primeiras articulações do contraventor para plantar denúncias contra o PT na revista Veja – a ex-mulher de Ernani era suplente do senador Demóstenes Torres.
Segundo ele, no caso da educação superior, o esquema foi bolado pelo ex-secretário de Educação de Serra e ex-ministro de FHC, Paulo Renato de Souza, já falecido. Sua universidade, a São Marcos, não recebeu as bolsas de ensino do governo paulista, e passou a enfrentar dificuldades financeiras até sofrer a intervenção do MEC.
Depois disso, diz Ernani, ele foi procurado pelo filho de Paulo Renato de Souza, Renato Souza Neto, que dizia ter interessados na compra da instituição – se tivesse vendido, afirma o empresário, estaria à frente dos repasses das bolsas de ensino superior em São Paulo.
Ernani de Paula se diz disposto a colaborar com o Ministério Público de São Paulo para ajudar a desvendar o esquema de desvio de recursos públicos na educação superior.





No 247
Ernani de Paula, dono da Universidade São Marcos, denunciou ao Ministério Público de São Paulo esquema para distribuição de bolsas a alunos fantasmas; de lá vem, segundo ele, o caixa dois do PSDB nas eleições; esquema foi implantado, segundo ele, na gestão de Serra na prefeitura e levado ao estado
José Serra, candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, foi o primeiro candidato a utilizar o mensalão na campanha municipal de 2012. Segundo ele, o “STF está mandando para a cadeia um jeito nefasto de fazer política”. Depois dele, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reforçou a crítica, ao dizer que a Justiça está despertando no Brasil, também no programa de Serra. Agora, em pleno processo eleitoral, um empresário da área de educação, Ernani de Paula, que é proprietário da Universidade São Marcos, sob intervenção do Ministério da Educação, denuncia que o “mensalão” do PSDB vem da área de ensino superior. O esquema consistiria em conceder bolsas de ensino a alunos-fantasma, a instituições pouco conhecidas no mercado.
Em 2009, Ernani de Paula fez uma denúncia ao promotor Sílvio Marques, do Ministério Público de São Paulo – o mesmo que investigou o caso Maluf. À época, ele falava em repasses de R$ 80 milhões. Hoje, ele tem a informação de que, desde a chegada de José Serra ao Palácio dos Bandeirantes, em 2006, mais de R$ 800 milhões foram transferidos a essas instituições de ensino.
O caso mais sintomático, diz ele, é a da faculdade Sumaré, que liderou os repasses, embora seja pouco conhecida no mercado. “É o mensalão universitário”, diz Ernani de Paula. “Essa universidade, que ninguém sabe o que faz ou quem é o dono já recebeu mais de R$ 70 milhões”, afirma. Outra, a Uniesp, também lidera o ranking. Juntas, as duas teriam levado quase R$ 140 milhões.
Ernani de Paula, coincidentemente, tem uma história de vida ligada a outro mensalão: o do PT. Em 2000, ele se elegeu prefeito de Anápolis (GO), cidade do bicheiro Carlos Cachoeira, e depois acompanhou de perto as primeiras articulações do contraventor para plantar denúncias contra o PT na revista Veja – a ex-mulher de Ernani era suplente do senador Demóstenes Torres.
Segundo ele, no caso da educação superior, o esquema foi bolado pelo ex-secretário de Educação de Serra e ex-ministro de FHC, Paulo Renato de Souza, já falecido. Sua universidade, a São Marcos, não recebeu as bolsas de ensino do governo paulista, e passou a enfrentar dificuldades financeiras até sofrer a intervenção do MEC.
Depois disso, diz Ernani, ele foi procurado pelo filho de Paulo Renato de Souza, Renato Souza Neto, que dizia ter interessados na compra da instituição – se tivesse vendido, afirma o empresário, estaria à frente dos repasses das bolsas de ensino superior em São Paulo.
Ernani de Paula se diz disposto a colaborar com o Ministério Público de São Paulo para ajudar a desvendar o esquema de desvio de recursos públicos na educação superior.
No 247
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
7 de setembro: cada governo faz o seu
De Carta Maior

Em setembro de 2002, nos estertores do governo do PSDB, o risco-Brasil atingia 2.443 pontos.
Medida de vulnerabilidade de uma economia --do ponto de vista dos credores-- cada 100 pontos de risco equivale a 1% de taxa adicional de juro. A chance de um calote brasileiro então era tida como muito alta.
Para quebrar as resistências ao passar o chapéu o governo FHC via-se obrigado a pagar uma sobretaxa de quase 24,5% acima do juro vigente nos EUA. Numa operação externa feita esta semana pelo governo Dilma, esse plus registrou um recorde histórico de baixa: foi de apenas 1,1%.
O oposto vivido no governo do PSDB reduz a margem de soberania de um país a zero. A independência política é ornamental. Canta-se o Hino, hasteia-se a bandeira. Entrega-se tudo o mais que dá sustento à palavra Nação.
Sem o manejo endógeno das contas externas é impensável fazer política de desenvolvimento ou articular a defesa da industrialização. Menos ainda avançar na defesa da principal fronteira da soberania no século XXI: a justiça social.
Delega-se a sorte e o azar aos banqueiros. Em setembro de 2002, depois de 8 anos nas mãos do PSDB, o Brasil era isso: um pangaré faminto tratado a sabugo e chicote de marmelo pelos mercados.
FHC cumpria exigências velhas, fazia concessões novas, arrastava a empáfia num tanque de areia movediça; a cada passo afundava mais a perna.
Em setembro de 2002 a lama já oscilava no estreito intervalo entre o lábio e o nariz.
Dez anos depois, neste setembro de 2012, o risco país é de 110 pontos. Sim, a 'herança pesada' de Lula, na douta avaliação do sociólogo encabrestado pelos banqueiros em 2002, permitiu que o Tesouro Nacional colocasse nesta 4ª feira US$ 1,3 bilhão em títulos de 10 anos no mercado internacional, pagando apenas 1,1% acima do juro norte-americano.
O menor piso da história teve uma das maiores procuras do mercado. Diferente do calvário vivido em setembro de 2002, a demanda pelos papéis brasileiros foi quatro vezes superior à oferta.
O risco-país em si não define a qualidade de vida de uma nação.
A Argentina tem um risco elevado porque impôs um desconto de 70% da dívida aos seus credores em 2001. Usou a folga para melhorar substancialmente as condições de vida de seu povo e de seu crescimento.
Não foi essa a lógica que depositou a soberania brasileira nas mãos dos mercados em 2002 .
Ao contrário. A taxa de juro havida disparado e beirava os 25% (hoje o Brasil tem uma taxa de juro real inferior a 2%) ; a inflação passava de 12%, com o desemprego igualmente rompendo esse patamar.
A dívida interna decolara. Mais de um terço dela estava dolarizada, o que restringia a margem de manobra para fomentar a exportação sem quebrar as contas fiscais.
O Brasil escorria na ampulheta da história.
As reservas disponíveis de US$ 36 bi (hoje são dez vezes maiores) cobriam apenas 1/6 do endividamento interno em dólares. O país fora esmurrado por equívocos estratégicos, socado pela ganância dos interesses unilaterais: estava quebrado por fora, sangrava por dentro.
A contrapartida no imaginário nacional era devastadora.
Uma pesquisa do Sebrae de 2002 identificou "a baixa auto-estima e a valorização apenas do que vem de fora como os maiores problemas e os principais pontos fracos do nosso povo". Antes, o Latinobarômetro já havia constatado a mesma ladeira abaixo: o brasileiro era o povo com 'a mais baixa auto-estima de toda a América Latina'.
A idéia de bem comum e de interesse público se esfarelava. Medo e incerteza eram explorados pelo conservadorismo que manipulava assim os sentimentos gerados por sua estratégia de 'inserção nos mercados globalizados'.
O governo do PSDB já havia apelado ao guichê do FMI em 1999 para tomar US$ 40 bi em regime de urgência. Boa parte do patrimônio nacional fora privatizado. 'Torrado', como disse a Presidenta Dilma no pronunciamemto pelo 7 de setembro nesta 5ªfeira, 'para pagar dívida, gerando monopólio e ineficiência...'
E mesmo assim, em dezembro de 2002 o estoque total da dívida externa líquida (pública e privada, menos reservas) era de US$ 189,5 bilhões.
O país devia quase 38% do PIB. Precisava de mais de três anos de exportações (então de US$ 60,4 bi, contra US$ 256 bi em 2011) para pagar a dívida.
O então candidato da coalizão demotucana à presidência, José Serra, tirou da gaveta o que lhe restava, ademais de ser a sua especialidade: o terrorismo eleitoral.
À falta de melhor argumento ele alarmava a classe média: a vitória de Lula levaria a 'argentinização' do país -- isso, quando a Argentina afundava no mesmo pântano neoliberal criado por Menén e Cavallo.
A crise mundial que se arrasta desde 2008 é mais grave, mais abrangente e corrosiva do que aquela de 2002.
A contabilidade do país, no entanto, espelha resultados opostos.
Embora a desigualdade resista e cobre audácia para ser enfrentada, os índices de pobreza, fome, desemprego, informalidade, apartheid universitário e de crédito, entre outros, repousam em níveis inéditos.
40 milhões de brasileiros deixaram a pobreza desde 2003; outros 30 milhões ascenderam na pirâmide de renda. O Brasil é hoje o país menos desigual de sua história.
Altivez e soberania deixaram de ser adorno retórico na atuação do Itamaraty.
Como farsa, porém, sobrevivências do passado batem à porta do presente com aspirações de influenciar o futuro.
Foi essa a pretensão de FHC na patética tentativa de depositar uma 'herança pesada' de Lula no colo de Dilma.
A falta de pejo recebeu pronta admoestação da Presidenta que tratou o tucano como um fraudador da história.
Em nota oficial, Dilma foi ao ponto e reavivou aos distraídos a realidade constrangedora daquele final de governo, quando o 7 de Setembro era uma contradição em termos espetada no calendário nacional.
"Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob ameaça de apagão”, disse a nota da Presidência da República nesta 2ª feira, antecipando em quatro dias os festejos e o sentido da palavra 'independência' no Brasil de 7 de setembro de 2012.
por Saul Leblon

Em setembro de 2002, nos estertores do governo do PSDB, o risco-Brasil atingia 2.443 pontos.
Medida de vulnerabilidade de uma economia --do ponto de vista dos credores-- cada 100 pontos de risco equivale a 1% de taxa adicional de juro. A chance de um calote brasileiro então era tida como muito alta.
Para quebrar as resistências ao passar o chapéu o governo FHC via-se obrigado a pagar uma sobretaxa de quase 24,5% acima do juro vigente nos EUA. Numa operação externa feita esta semana pelo governo Dilma, esse plus registrou um recorde histórico de baixa: foi de apenas 1,1%.
O oposto vivido no governo do PSDB reduz a margem de soberania de um país a zero. A independência política é ornamental. Canta-se o Hino, hasteia-se a bandeira. Entrega-se tudo o mais que dá sustento à palavra Nação.
Sem o manejo endógeno das contas externas é impensável fazer política de desenvolvimento ou articular a defesa da industrialização. Menos ainda avançar na defesa da principal fronteira da soberania no século XXI: a justiça social.
Delega-se a sorte e o azar aos banqueiros. Em setembro de 2002, depois de 8 anos nas mãos do PSDB, o Brasil era isso: um pangaré faminto tratado a sabugo e chicote de marmelo pelos mercados.
FHC cumpria exigências velhas, fazia concessões novas, arrastava a empáfia num tanque de areia movediça; a cada passo afundava mais a perna.
Em setembro de 2002 a lama já oscilava no estreito intervalo entre o lábio e o nariz.
Dez anos depois, neste setembro de 2012, o risco país é de 110 pontos. Sim, a 'herança pesada' de Lula, na douta avaliação do sociólogo encabrestado pelos banqueiros em 2002, permitiu que o Tesouro Nacional colocasse nesta 4ª feira US$ 1,3 bilhão em títulos de 10 anos no mercado internacional, pagando apenas 1,1% acima do juro norte-americano.
O menor piso da história teve uma das maiores procuras do mercado. Diferente do calvário vivido em setembro de 2002, a demanda pelos papéis brasileiros foi quatro vezes superior à oferta.
O risco-país em si não define a qualidade de vida de uma nação.
A Argentina tem um risco elevado porque impôs um desconto de 70% da dívida aos seus credores em 2001. Usou a folga para melhorar substancialmente as condições de vida de seu povo e de seu crescimento.
Não foi essa a lógica que depositou a soberania brasileira nas mãos dos mercados em 2002 .
Ao contrário. A taxa de juro havida disparado e beirava os 25% (hoje o Brasil tem uma taxa de juro real inferior a 2%) ; a inflação passava de 12%, com o desemprego igualmente rompendo esse patamar.
A dívida interna decolara. Mais de um terço dela estava dolarizada, o que restringia a margem de manobra para fomentar a exportação sem quebrar as contas fiscais.
O Brasil escorria na ampulheta da história.
As reservas disponíveis de US$ 36 bi (hoje são dez vezes maiores) cobriam apenas 1/6 do endividamento interno em dólares. O país fora esmurrado por equívocos estratégicos, socado pela ganância dos interesses unilaterais: estava quebrado por fora, sangrava por dentro.
A contrapartida no imaginário nacional era devastadora.
Uma pesquisa do Sebrae de 2002 identificou "a baixa auto-estima e a valorização apenas do que vem de fora como os maiores problemas e os principais pontos fracos do nosso povo". Antes, o Latinobarômetro já havia constatado a mesma ladeira abaixo: o brasileiro era o povo com 'a mais baixa auto-estima de toda a América Latina'.
A idéia de bem comum e de interesse público se esfarelava. Medo e incerteza eram explorados pelo conservadorismo que manipulava assim os sentimentos gerados por sua estratégia de 'inserção nos mercados globalizados'.
O governo do PSDB já havia apelado ao guichê do FMI em 1999 para tomar US$ 40 bi em regime de urgência. Boa parte do patrimônio nacional fora privatizado. 'Torrado', como disse a Presidenta Dilma no pronunciamemto pelo 7 de setembro nesta 5ªfeira, 'para pagar dívida, gerando monopólio e ineficiência...'
E mesmo assim, em dezembro de 2002 o estoque total da dívida externa líquida (pública e privada, menos reservas) era de US$ 189,5 bilhões.
O país devia quase 38% do PIB. Precisava de mais de três anos de exportações (então de US$ 60,4 bi, contra US$ 256 bi em 2011) para pagar a dívida.
O então candidato da coalizão demotucana à presidência, José Serra, tirou da gaveta o que lhe restava, ademais de ser a sua especialidade: o terrorismo eleitoral.
À falta de melhor argumento ele alarmava a classe média: a vitória de Lula levaria a 'argentinização' do país -- isso, quando a Argentina afundava no mesmo pântano neoliberal criado por Menén e Cavallo.
A crise mundial que se arrasta desde 2008 é mais grave, mais abrangente e corrosiva do que aquela de 2002.
A contabilidade do país, no entanto, espelha resultados opostos.
Embora a desigualdade resista e cobre audácia para ser enfrentada, os índices de pobreza, fome, desemprego, informalidade, apartheid universitário e de crédito, entre outros, repousam em níveis inéditos.
40 milhões de brasileiros deixaram a pobreza desde 2003; outros 30 milhões ascenderam na pirâmide de renda. O Brasil é hoje o país menos desigual de sua história.
Altivez e soberania deixaram de ser adorno retórico na atuação do Itamaraty.
Como farsa, porém, sobrevivências do passado batem à porta do presente com aspirações de influenciar o futuro.
Foi essa a pretensão de FHC na patética tentativa de depositar uma 'herança pesada' de Lula no colo de Dilma.
A falta de pejo recebeu pronta admoestação da Presidenta que tratou o tucano como um fraudador da história.
Em nota oficial, Dilma foi ao ponto e reavivou aos distraídos a realidade constrangedora daquele final de governo, quando o 7 de Setembro era uma contradição em termos espetada no calendário nacional.
"Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob ameaça de apagão”, disse a nota da Presidência da República nesta 2ª feira, antecipando em quatro dias os festejos e o sentido da palavra 'independência' no Brasil de 7 de setembro de 2012.
por Saul Leblon
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Greves federais
Não quero aqui fazer juízo de valor, quanto a legalidade ou não das greves no funcionalismo público federal, e sim fazer uma constatação.
Depois de mais de três meses de greve, houveram mais de 190 rodadas de negociações com os comandos de greve, os funcionários puderam fazer suas manifestações com a liberdade que um regime democrático garante, e agora as greves começam a chegar ao fim.
Já em São Paulo, governado pelo PSDB a quase duas décadas, quando funcionário público entra em greve a coisa é bem diferente, conforme pode ser visto no video abaixo, e esse é só umas das greves dos professores em São Paulo, e em todas elas, com governadores diferentes do PSDB, o tratamento foi o mesmo.
Depois de mais de três meses de greve, houveram mais de 190 rodadas de negociações com os comandos de greve, os funcionários puderam fazer suas manifestações com a liberdade que um regime democrático garante, e agora as greves começam a chegar ao fim.
Já em São Paulo, governado pelo PSDB a quase duas décadas, quando funcionário público entra em greve a coisa é bem diferente, conforme pode ser visto no video abaixo, e esse é só umas das greves dos professores em São Paulo, e em todas elas, com governadores diferentes do PSDB, o tratamento foi o mesmo.
domingo, 5 de agosto de 2012
Dois pesos e dois mensalões
Da Folha por Janio de Freitas
Na sua indignação com o colega Ricardo Lewandowski, o ministro Joaquim Barbosa cometeu uma falha, não se sabe se de memória ou de aritmética, que remete ao conveniente silêncio de nove ministros do Supremo Tribunal Federal sobre uma estranha contradição sua. São os nove contrários a desdobrar-se o julgamento do mensalão, ou seja, a deixar no STF o julgamento dos três parlamentares acusados e remeter o dos outros 35, réus comuns, às varas criminais. De acordo com a praxe indicada pela Constituição.
Proposto pelo advogado Márcio Thomaz Bastos e apoiado por longa argumentação técnica de Lewandowski, o possível desdobramento exaltou Barbosa: "Essa questão já foi debatida aqui três vezes! Esta é a quarta!" Não era. Antes houve mais uma. As três citadas por Barbosa tratavam do mensalão agora sob julgamento. A outra foi a que determinou o desdobramento do chamado mensalão mineiro ou mensalão do PSDB. Neste, o STF ficou de julgar dois réus com "foro privilegiado", por serem parlamentares, e remeteu à Justiça Estadual mineira o julgamento dos outros 13.
Por que o tratamento diferenciado?
Os nove ministros que recusaram o desdobramento do mensalão petista calaram a respeito, ao votarem contra a proposta de Márcio Thomaz Bastos. Embora a duração dos votos de dois deles, Gilmar Mendes e Celso de Mello, comportasse longas digressões, indiferentes à pressa do presidente do tribunal, Ayres Britto, em defesa do seu cronograma de trabalho.
A premissa de serem crimes conexos os atribuídos aos réus do mensalão petista, tornando "inconveniente" dissociar os processos individuais, tem o mesmo sentido para o conjunto de 38 acusados e para o de 15. Mas só valeu para um dos mensalões.
Os dois mensalões também não receberam idênticas preocupações dos ministros do Supremo quanto ao risco de prescrições, por demora de julgamento. O mensalão do PSDB é o primeiro, montado já pelas mesmas peças centrais -Marcos Valério, suas agências de publicidade SMPB e DNA, o Banco Real. Só os beneficiários eram outros: o hoje deputado e ex-governador Eduardo Azeredo e o ex-vice-governador e hoje senador Clésio Andrade.
A incoerência do Supremo Tribunal Federal, nas decisões opostas sobre o desdobramento, é apenas um dos seus aspectos comprometedores no trato do mensalão mineiro. A propósito, a precedência no julgamento do mensalão do PT, ficando para data incerta o do PSDB e seus dois parlamentares, carrega um componente político que nada e ninguém pode negar.
A Polícia Federal também deixa condutas deploráveis na história do mensalão do PSDB. Aliás, em se tratando de sua conduta relacionada a fatos de interesse do PSDB, a PF tem grandes rombos na sua respeitabilidade.
Muito além de tudo isso, o que se constata a partir do mensalão mineiro, com a reportagem imperdível de Daniela Pinheiro na revista "piauí" que chegou às bancas, é nada menos do que estarrecedor. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, com seu gosto de medir o tamanho histórico dos escândalos, daria ali muito trabalho à sua tortuosa trena. Já não será por passar sem que a imprensa e a TV noticiosas lhes ponham os olhos, que o mensalão do PSDB e as protetoras deformidades policiais e judiciais ficarão encobertas.
É hora de atualizar o bordão sem mudar-lhe o significado: de dois pesos e duas medidas para dois pesos e dois mensalões.
Na sua indignação com o colega Ricardo Lewandowski, o ministro Joaquim Barbosa cometeu uma falha, não se sabe se de memória ou de aritmética, que remete ao conveniente silêncio de nove ministros do Supremo Tribunal Federal sobre uma estranha contradição sua. São os nove contrários a desdobrar-se o julgamento do mensalão, ou seja, a deixar no STF o julgamento dos três parlamentares acusados e remeter o dos outros 35, réus comuns, às varas criminais. De acordo com a praxe indicada pela Constituição.
Proposto pelo advogado Márcio Thomaz Bastos e apoiado por longa argumentação técnica de Lewandowski, o possível desdobramento exaltou Barbosa: "Essa questão já foi debatida aqui três vezes! Esta é a quarta!" Não era. Antes houve mais uma. As três citadas por Barbosa tratavam do mensalão agora sob julgamento. A outra foi a que determinou o desdobramento do chamado mensalão mineiro ou mensalão do PSDB. Neste, o STF ficou de julgar dois réus com "foro privilegiado", por serem parlamentares, e remeteu à Justiça Estadual mineira o julgamento dos outros 13.
Por que o tratamento diferenciado?
Os nove ministros que recusaram o desdobramento do mensalão petista calaram a respeito, ao votarem contra a proposta de Márcio Thomaz Bastos. Embora a duração dos votos de dois deles, Gilmar Mendes e Celso de Mello, comportasse longas digressões, indiferentes à pressa do presidente do tribunal, Ayres Britto, em defesa do seu cronograma de trabalho.
A premissa de serem crimes conexos os atribuídos aos réus do mensalão petista, tornando "inconveniente" dissociar os processos individuais, tem o mesmo sentido para o conjunto de 38 acusados e para o de 15. Mas só valeu para um dos mensalões.
Os dois mensalões também não receberam idênticas preocupações dos ministros do Supremo quanto ao risco de prescrições, por demora de julgamento. O mensalão do PSDB é o primeiro, montado já pelas mesmas peças centrais -Marcos Valério, suas agências de publicidade SMPB e DNA, o Banco Real. Só os beneficiários eram outros: o hoje deputado e ex-governador Eduardo Azeredo e o ex-vice-governador e hoje senador Clésio Andrade.
A incoerência do Supremo Tribunal Federal, nas decisões opostas sobre o desdobramento, é apenas um dos seus aspectos comprometedores no trato do mensalão mineiro. A propósito, a precedência no julgamento do mensalão do PT, ficando para data incerta o do PSDB e seus dois parlamentares, carrega um componente político que nada e ninguém pode negar.
A Polícia Federal também deixa condutas deploráveis na história do mensalão do PSDB. Aliás, em se tratando de sua conduta relacionada a fatos de interesse do PSDB, a PF tem grandes rombos na sua respeitabilidade.
Muito além de tudo isso, o que se constata a partir do mensalão mineiro, com a reportagem imperdível de Daniela Pinheiro na revista "piauí" que chegou às bancas, é nada menos do que estarrecedor. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, com seu gosto de medir o tamanho histórico dos escândalos, daria ali muito trabalho à sua tortuosa trena. Já não será por passar sem que a imprensa e a TV noticiosas lhes ponham os olhos, que o mensalão do PSDB e as protetoras deformidades policiais e judiciais ficarão encobertas.
É hora de atualizar o bordão sem mudar-lhe o significado: de dois pesos e duas medidas para dois pesos e dois mensalões.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Depois do golpe, começam a aparecer os motivos
Do Opera Mundi
A abertura a empresas multinacionais que estão sob suspeita por questões ambientais pauta o primeiro mês de governo de Federico Franco no Paraguai, isolado por parte da comunidade internacional. Entre as medidas questionadas está a habilitação do plantio de algodão transgênico e a construção de uma fábrica de alumínio.

Para analistas, Franco encontrou a casa em ordem em termos econômicos e agora foram destravados in[umeros projetos
"É preocupante que um governo não eleito pelo voto popular tenha se aberto a esses investimentos (de capitais estrangeiros) sem nenhum controle", disse à IPS o economista Luis Rojas, da organização não governamental Base Pesquisas Sociais. Como exemplo, Rojas citou a permissão dada para utilizar sementes de algodão geneticamente modificado da variedade Bollgard, da multinacional Monsanto, deixando sem efeito os estudos preliminares exigidos para a concessão desse tipo de licença.
Franco designou para chefiar o Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal e de Sementes (Senave) o empresário de agroquímicos Jaime Ayala, que não demorou em inscrever no Registro Nacional de Cultivos Comerciais (RNCC) a semente Bollgard, rejeitada pela mesma entidade semanas antes porque a empresa não apresentava os requisitos exigidos.
Segundo Rojas, a aprovação é ilegalmente porque ainda não havia o parecer técnico da Secretaria do Meio Ambiente nem do Ministério da Saúde, como exige a lei. A sociedade civil também questiona a possível instalação da multinacional canadense Rio Tinto Alcan (RTA) para construção de uma fábrica de alumínio com investimento de 3,5 bilhões de dólares. "A negociação começou praticamente no dia seguinte à mudança de governo", destacou à IPS o analista José Carlos Rodríguez.
O presidente Fernando Lugo, destituído em um julgamento político sumário no dia 22 de junho e horas depois substituído por Franco, havia formado uma equipe para o estudo do projeto. Porém, Franco autorizou o começo das negociações de imediato, sem esperar os resultados dessa análise. Rodríguez questionou que as novas autoridades não estão fazendo nenhum cálculo custo-benefício no que se refere às implicações econômicas e ambientais da instalação neste país de uma empresa com a potencialidade contaminante como a da produção de alumínio.
O atual governo se defende alegando que a fábrica geraria cerca de quatro mil postos de trabalho de forma direta, mas em dezembro passado o então ministro de Obras Públicas, Cecilio Pérez Bordón, assegurou que seriam necessários apenas 1.250 trabalhadores para levar adiante essa produção. Bordón explicou, em seu informe apresentado em uma audiência pública, que todas as matérias-primas e todos os insumos serão importados, exceto a energia elétrica. Também disse que a RTA utilizaria de forma constante 1.100 megawatts (MW), equivalente a nove mil gigawatts/hora (GWh) por ano, e pretende um contrato de consumo entre 2016 e 2045, e renovável.
O Paraguai demanda atualmente 11 mil GWh anuais de energia e produz cerca de 56 mil, com potência próxima de 7.500 MW, somando a central de Acaray e os 50% que lhe cabem dos complexos binacionais de Itaipu, compartilhado com Brasil, e Yacyreta, que divide com a Argentina. A instalação da RTA exigiria mais que o dobro da energia que o país consome hoje. Bordón insistiu na época para não se subsidiar o custo da energia, recomendando que a empresa pagasse o custo real do serviço elétrico que era de US$ 59,7 por MW/h em 200 quilowatts.
"Se a energia for vendida à RTA por US$ 38 o MW/h por 30 anos ou mais, o Paraguai perderá entre US$ 195 milhões e US$ 1,008 bilhão anuais, precisando aumentar a tarifa para os demais usuários, incluído o uso doméstico, aumentar os impostos ou reduzir o investimento público", explicou Bordón. Diante deste cenário, as organizações sociais aumentam seu repúdio ao governo de Franco e afirmam que a destituição de Lugo teve como pano de fundo o objetivo de facilitar a entrada das multinacionais. "O governo não é um interlocutor válido porque não lhe interessa conversar com a sociedade civil. Só o faz com o empresariado", denunciou Rojas.
Isolamento
Por sua vez, o ex-deputado do Partido Colorado do Paraguai Bernardino Cano Radil afirmou que sua agremiação não discutiu este caso em profundidade para adotar uma postura. "Em geral" - disse - "o investimento estrangeiro é positivo, mas se deve estudar em detalhe os benefícios para as empresas locais e os trabalhadores". O Partido Colorado foi o principal motor do julgamento político de Lugo pouco depois de começar seu mandato em 2008, quando o ex-bispo católico acabou com 60 anos de governo hegemônico dessa agremiação política.

Paraguaios comemoram o "Dia da Democracia", em memória pela destituição do presidente eleito Fernando Lugo
No entanto, a falta de reconhecimento de Franco não acaba nas fronteiras, já que continua tendo em seu favor apenas a aprovação de Taiwan e do Vaticano. Tampouco pode prosperar o recurso apresentado ao Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul para que seja levantada a suspensão como membro do bloco, decidida por seus três sócios, Brasil, Argentina e Uruguai, na cúpula do final de junho na cidade argentina de Mendoza. Agora, as expectativas estão depositadas apenas na OEA (Organização dos Estados Americanos), cuja missão de observação recomendou a esse órgão não suspender o Paraguai. Mas essa decisão também se faz esperar.
Para os analistas, Franco encontrou a casa em ordem em termos econômicos e agora foram destravados projetos de investimento, doações e outros, não inferiores a US$ 500 milhões, não permitidos enquanto Lugo esteve no governo. A isto acrescenta-se a entrada em vigor, após anos de adiamento, do Imposto de Renda Pessoal (IRP), com uma taxa fixa de 10% para quem recebe mais de 120 salários mínimos por ano, equivalente a cerca de US$ 45 mil. Um projeto para impor este tributo foi travado no parlamento na última etapa do governo de Lugo, com a agravante de que não seria tratado até 2015. Porém, no dia 5 deste mês foi aprovado e Franco o promulgou esta semana.
O IRP será cobrado do exercício profissional ou de prestação de serviços pessoais, desempenho de cargos públicos e renda pela venda ocasional de imóveis, entre outras atividades. Também será cobrado dos sócios ou acionistas que obtiverem dividendos das empresas, mas apenas sobre 50% de sua renda. "Trata-se de apenas 10% do excedente para quem ganha muito dinheiro", um universo muito pequeno neste país, explicou Rodríguez. Em uma primeira etapa, atingirá 12 mil contribuintes, neste país de 6,4 milhões de habitantes.
Após golpe, Paraguai autoriza controversos projetos com multinacionais
Além disso, leis que ainda estavam em análise no Congresso paraguaio foram promulgadas a toque de caixa
A abertura a empresas multinacionais que estão sob suspeita por questões ambientais pauta o primeiro mês de governo de Federico Franco no Paraguai, isolado por parte da comunidade internacional. Entre as medidas questionadas está a habilitação do plantio de algodão transgênico e a construção de uma fábrica de alumínio.
Para analistas, Franco encontrou a casa em ordem em termos econômicos e agora foram destravados in[umeros projetos
"É preocupante que um governo não eleito pelo voto popular tenha se aberto a esses investimentos (de capitais estrangeiros) sem nenhum controle", disse à IPS o economista Luis Rojas, da organização não governamental Base Pesquisas Sociais. Como exemplo, Rojas citou a permissão dada para utilizar sementes de algodão geneticamente modificado da variedade Bollgard, da multinacional Monsanto, deixando sem efeito os estudos preliminares exigidos para a concessão desse tipo de licença.
Franco designou para chefiar o Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal e de Sementes (Senave) o empresário de agroquímicos Jaime Ayala, que não demorou em inscrever no Registro Nacional de Cultivos Comerciais (RNCC) a semente Bollgard, rejeitada pela mesma entidade semanas antes porque a empresa não apresentava os requisitos exigidos.
Segundo Rojas, a aprovação é ilegalmente porque ainda não havia o parecer técnico da Secretaria do Meio Ambiente nem do Ministério da Saúde, como exige a lei. A sociedade civil também questiona a possível instalação da multinacional canadense Rio Tinto Alcan (RTA) para construção de uma fábrica de alumínio com investimento de 3,5 bilhões de dólares. "A negociação começou praticamente no dia seguinte à mudança de governo", destacou à IPS o analista José Carlos Rodríguez.
O presidente Fernando Lugo, destituído em um julgamento político sumário no dia 22 de junho e horas depois substituído por Franco, havia formado uma equipe para o estudo do projeto. Porém, Franco autorizou o começo das negociações de imediato, sem esperar os resultados dessa análise. Rodríguez questionou que as novas autoridades não estão fazendo nenhum cálculo custo-benefício no que se refere às implicações econômicas e ambientais da instalação neste país de uma empresa com a potencialidade contaminante como a da produção de alumínio.
O atual governo se defende alegando que a fábrica geraria cerca de quatro mil postos de trabalho de forma direta, mas em dezembro passado o então ministro de Obras Públicas, Cecilio Pérez Bordón, assegurou que seriam necessários apenas 1.250 trabalhadores para levar adiante essa produção. Bordón explicou, em seu informe apresentado em uma audiência pública, que todas as matérias-primas e todos os insumos serão importados, exceto a energia elétrica. Também disse que a RTA utilizaria de forma constante 1.100 megawatts (MW), equivalente a nove mil gigawatts/hora (GWh) por ano, e pretende um contrato de consumo entre 2016 e 2045, e renovável.
O Paraguai demanda atualmente 11 mil GWh anuais de energia e produz cerca de 56 mil, com potência próxima de 7.500 MW, somando a central de Acaray e os 50% que lhe cabem dos complexos binacionais de Itaipu, compartilhado com Brasil, e Yacyreta, que divide com a Argentina. A instalação da RTA exigiria mais que o dobro da energia que o país consome hoje. Bordón insistiu na época para não se subsidiar o custo da energia, recomendando que a empresa pagasse o custo real do serviço elétrico que era de US$ 59,7 por MW/h em 200 quilowatts.
"Se a energia for vendida à RTA por US$ 38 o MW/h por 30 anos ou mais, o Paraguai perderá entre US$ 195 milhões e US$ 1,008 bilhão anuais, precisando aumentar a tarifa para os demais usuários, incluído o uso doméstico, aumentar os impostos ou reduzir o investimento público", explicou Bordón. Diante deste cenário, as organizações sociais aumentam seu repúdio ao governo de Franco e afirmam que a destituição de Lugo teve como pano de fundo o objetivo de facilitar a entrada das multinacionais. "O governo não é um interlocutor válido porque não lhe interessa conversar com a sociedade civil. Só o faz com o empresariado", denunciou Rojas.
Isolamento
Por sua vez, o ex-deputado do Partido Colorado do Paraguai Bernardino Cano Radil afirmou que sua agremiação não discutiu este caso em profundidade para adotar uma postura. "Em geral" - disse - "o investimento estrangeiro é positivo, mas se deve estudar em detalhe os benefícios para as empresas locais e os trabalhadores". O Partido Colorado foi o principal motor do julgamento político de Lugo pouco depois de começar seu mandato em 2008, quando o ex-bispo católico acabou com 60 anos de governo hegemônico dessa agremiação política.
Paraguaios comemoram o "Dia da Democracia", em memória pela destituição do presidente eleito Fernando Lugo
No entanto, a falta de reconhecimento de Franco não acaba nas fronteiras, já que continua tendo em seu favor apenas a aprovação de Taiwan e do Vaticano. Tampouco pode prosperar o recurso apresentado ao Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul para que seja levantada a suspensão como membro do bloco, decidida por seus três sócios, Brasil, Argentina e Uruguai, na cúpula do final de junho na cidade argentina de Mendoza. Agora, as expectativas estão depositadas apenas na OEA (Organização dos Estados Americanos), cuja missão de observação recomendou a esse órgão não suspender o Paraguai. Mas essa decisão também se faz esperar.
Para os analistas, Franco encontrou a casa em ordem em termos econômicos e agora foram destravados projetos de investimento, doações e outros, não inferiores a US$ 500 milhões, não permitidos enquanto Lugo esteve no governo. A isto acrescenta-se a entrada em vigor, após anos de adiamento, do Imposto de Renda Pessoal (IRP), com uma taxa fixa de 10% para quem recebe mais de 120 salários mínimos por ano, equivalente a cerca de US$ 45 mil. Um projeto para impor este tributo foi travado no parlamento na última etapa do governo de Lugo, com a agravante de que não seria tratado até 2015. Porém, no dia 5 deste mês foi aprovado e Franco o promulgou esta semana.
O IRP será cobrado do exercício profissional ou de prestação de serviços pessoais, desempenho de cargos públicos e renda pela venda ocasional de imóveis, entre outras atividades. Também será cobrado dos sócios ou acionistas que obtiverem dividendos das empresas, mas apenas sobre 50% de sua renda. "Trata-se de apenas 10% do excedente para quem ganha muito dinheiro", um universo muito pequeno neste país, explicou Rodríguez. Em uma primeira etapa, atingirá 12 mil contribuintes, neste país de 6,4 milhões de habitantes.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Taí o motivo do nome de Policarpo e Veja serem denunciados no G1
Esse video do Caio Blat criticando o predadorismo da Globo foi postado no site da revista Veja, a globo não gostou e no seu Portal, deixou passar o nome de Policarpo e da revista Veja como sendo os produtores da chantagem contra o Juiz, feita pela esposa de Cachoeira. Imediatamente a Veja retirou o video do ar, e a Globo não mais tocou nos nomes de Policarpo e Veja nas poucas reportagens que posteriormente fez sobre o caso. E assim eles resolvem suas picuinhas, como mais sabem fazer, chantageando, ou seja, a Globo deixou claro que se a revista continuasse mostrando o video que ela não queria que aparecesse, ela colocaria a veja e seu editor em seus outros veículos de comunicação, o que é claro não interessa ao grupo Abril, que está envolvido até o pescoço com o crime organizado comandado pelo "empresário de jogos".
Mesmo tendo sido apagado de todas as fontes iniciais, alguém prevendo isso salvou-o e aqui está, para vermos o que já sabemos, o quanto é predadora as osganizações Globo.
Mesmo tendo sido apagado de todas as fontes iniciais, alguém prevendo isso salvou-o e aqui está, para vermos o que já sabemos, o quanto é predadora as osganizações Globo.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
CartaCapital: O valerioduto abasteceu Gilmar Mendes
Via Vi o Mundo
Exclusivo
CartaCapital
Exclusivo
CartaCapital
CartaCapital publica na edição que chega às bancas em São
Paulo nesta sexta-feira 27 uma lista inédita de beneficiários do caixa 2 da
campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo em 1998. O esquema foi
operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, que assina a lista,
registrada em cartório. O agora ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar
Mendes aparece entre os beneficiários. Mendes teria recebido 185 mil reais.
Há ainda governadores, deputados e senadores na lista. Entre os doadores, empresas públicas e prefeituras proibidas de fazer doações de campanha. O banqueiro Daniel Dantas também aparece como repassador de dinheiro ao caixa 2.
A documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”, pois a modelo participava do esquema e era escalada para transportar malas de dinheiro. Na lista, Cristiana aparece como destinatária de 1,8 milhão de reais.
Há ainda governadores, deputados e senadores na lista. Entre os doadores, empresas públicas e prefeituras proibidas de fazer doações de campanha. O banqueiro Daniel Dantas também aparece como repassador de dinheiro ao caixa 2.
A documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”, pois a modelo participava do esquema e era escalada para transportar malas de dinheiro. Na lista, Cristiana aparece como destinatária de 1,8 milhão de reais.
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Mensalão,
Valerioduto
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Por que eles não ajudam?
Por que os mocinhos da foto, que administram o estado de São Paulo a quase 20 anos e adoram tirar foto em frente ao impostômetro cobrando queda de impostos do governo federal, não ajudam o empresariado paulista, que mesmo com todos os incentivos do governo federal, vivem choramingando por cauda da crise?
Não era hora dos fantásticos administradores diminuirem o ICMS e segurarem o aumento dos pedágios que já eram abusivos? Agora os mocinhos, excelentes administradores, ficam bem quietinhos deixando a batata quente para o governo federal, como se eles nada pudessem fazer. Em 2014 eles voltam a tirar essas fotos maravilhosas com cara de quem descobriu a pólvora.
Não era hora dos fantásticos administradores diminuirem o ICMS e segurarem o aumento dos pedágios que já eram abusivos? Agora os mocinhos, excelentes administradores, ficam bem quietinhos deixando a batata quente para o governo federal, como se eles nada pudessem fazer. Em 2014 eles voltam a tirar essas fotos maravilhosas com cara de quem descobriu a pólvora.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Revelações de um ex-delegado do Dops
Do blog do Nassif
Por Vivi
Entrevista chocante sobre o tempo da repressão
Uma entrevista chocante, pelo que revela e pelo que ainda tem por revelar. Além da brutalidade e da covardia dos membros da repressão, é revoltante a revelação de Claudio Guerra de que os militares passaram a "inventar o inimigo" , mantendo viva a idéia de que os comunistas eram uma ameça real e estavam pegando em armas, quando a maioria dos militantes da esquerda já havia sido dizimada por esses eles.
Ele conta também quem da imprensa estava envolvido: Globo e Folha em primeiro lugar, e de que sabe o nome de muitos outros jornalistasque ainda não revelou
E ainda tem gente que clama pela volta dos militares ao poder.
Imperdível a entrevista e o livro, para se resgatar a memória deste país e para mostrar a essa juventude que isso jamais poderá acontecer novamente!
Por Vivi
Entrevista chocante sobre o tempo da repressão
Uma entrevista chocante, pelo que revela e pelo que ainda tem por revelar. Além da brutalidade e da covardia dos membros da repressão, é revoltante a revelação de Claudio Guerra de que os militares passaram a "inventar o inimigo" , mantendo viva a idéia de que os comunistas eram uma ameça real e estavam pegando em armas, quando a maioria dos militantes da esquerda já havia sido dizimada por esses eles.
Ele conta também quem da imprensa estava envolvido: Globo e Folha em primeiro lugar, e de que sabe o nome de muitos outros jornalistasque ainda não revelou
E ainda tem gente que clama pela volta dos militares ao poder.
Imperdível a entrevista e o livro, para se resgatar a memória deste país e para mostrar a essa juventude que isso jamais poderá acontecer novamente!
quinta-feira, 31 de maio de 2012
O Lula não para
Dilma demite Lula

Lula foi agraciado com o título honoris causa própria
STF - Após pressionar Gilmar Mendes para atrasar o julgamento do Mensalão, o ex-presidente em exercício foi flagrado no apartamento de Neymar. "Achei que fosse um encontro social. Mas o Lula veio com uma conversa mole de que o Corinthians nunca ganhou uma Libertadores e blá blá blá. Afirmou que eu seria embaixador da ONU se simulasse uma lesão para ficar de fora das semifinais. Não entendi direito", declarou o craque santista.
A presidenta Dilma Rousseff perdeu a compostura ao ser informada de que Lula negociava para antecipar o fim de seu mandato para 2013: "Esse homem está impossível! Caso Luiz Inácio não renuncie, vamos dar início ao processo de impeachment", tergiversou a mandatária da Nação. Ao ser informada de que Lula não era mais presidente, Dilma resolveu demiti-lo.
No fim do dia, Lula foi pressionado pelo Botafogo para antecipar fim do Brasileirão. "Para termos tempo hábil de focar na Copa do Mundo, recomendamos a interrupção do Campeonato Brasileiro neste momento em que ainda somos líderes", diz o documento protocolado pelo presidente alvinegro.
Surrupiado daqui
Lula foi agraciado com o título honoris causa própria
STF - Após pressionar Gilmar Mendes para atrasar o julgamento do Mensalão, o ex-presidente em exercício foi flagrado no apartamento de Neymar. "Achei que fosse um encontro social. Mas o Lula veio com uma conversa mole de que o Corinthians nunca ganhou uma Libertadores e blá blá blá. Afirmou que eu seria embaixador da ONU se simulasse uma lesão para ficar de fora das semifinais. Não entendi direito", declarou o craque santista.
A presidenta Dilma Rousseff perdeu a compostura ao ser informada de que Lula negociava para antecipar o fim de seu mandato para 2013: "Esse homem está impossível! Caso Luiz Inácio não renuncie, vamos dar início ao processo de impeachment", tergiversou a mandatária da Nação. Ao ser informada de que Lula não era mais presidente, Dilma resolveu demiti-lo.
No fim do dia, Lula foi pressionado pelo Botafogo para antecipar fim do Brasileirão. "Para termos tempo hábil de focar na Copa do Mundo, recomendamos a interrupção do Campeonato Brasileiro neste momento em que ainda somos líderes", diz o documento protocolado pelo presidente alvinegro.
Surrupiado daqui
Lula pressiona Blatter para atrasar Copa para 2015
Lula se encontrou com José Maria Marín, presidente da CBF, para negociar uma vaga no meio de campo da seleção
ITAQUERÃO - Animado com a repercussão de suas habilidades políticas, o ex-presidente Lula se reuniu com Joseph Blatter, presidente da FIFA, no escritório do cartola Andrés Sánchez. "Pelo ritmo das obras da Dilma parece uma temeridade insistir em realizar a Copa em 2014", argumentou Lula. "Melhor deixar para 2015, depois das eleições", disse. E a seguir completou: "O Mano Menezes está despreparado".
Perplexo com as insinuações, Blatter fez beicinho e ameaçou tirar dois títulos mundiais da seleção brasileira. Sem se intimidar, Lula garantiu ter controle político da FIFA, do COI, da NBA e do IV Torneio de Sinuca de São Bernardo. "Você, companheiro Blatter, precisava ir bater uma sinuquinha com nós lá no boteco do Renan", disse o presidente. A seguir perguntou, pegando o interlocutor de surpresa: "Que time é teu?". Blatter não entendeu a pergunta. Mostrou-se indignado e caprichou no português: "Bateu na trave e entrou no seu".
Andrés Sánchez confirmou o encontro de Lula e Blatter, mas disse que só entendeu a última parte da conversa. Depois negou que o papo tenha descambado para a Copa do Mundo. "Não deu tempo, ficamos falando sobre as Libertadores conquistadas pelo Corinthians", argumentou o cartola.
Afanado daqui
terça-feira, 29 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Confiram a honestidade da imprensa "livre"
Não vou falar nada, veja o video, clique nos links que te levará para a página da notícia e tire suas próprias conclusões.
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imprensa bandida
sexta-feira, 11 de maio de 2012
O jogo dos bancos lá e cá
Por Paulo Moreira Leite
Artigo de Delfim Netto na Folha de hoje explica por A + B que os benefícios das mudanças na regras da caderneta de poupança. Sua tese é que o benefício pela queda na taxa de juros irá compensar uma eventual redução nos rendimentos. Os empréstimos ficarão mais baratos e as pessoas vão gastar menos com as prestações acumuladas. Não vou entrar nos números, que estão lá. Mas, como diz o mesmo Delfim, citando Pascal: , “nesses tempos, a verdade é tão obscura e a mentira tão bem estabelecida que não a enxergaremos a menos que nos esforcemos muito”. Em tempos de irracionalidade econômica, é muito fácil esconder interesses verdadeiros e procurar transformar solução em problema – e vice-versa. O Brasil tem uma necessidade histórica de diminuir sua taxa de juros, condição para garantir um crescimento mais saudável. Essa necessidade tornou-se urgente em função do esfriamento da economia mundial, que exige medidas de estimulo ao crescimento. Uma das conseqüências nefastas da taxa de juros alta é que ela obriga o governo a abrir os cofres do BNDES para estimular investimentos produtivos. Você lembra como demonizaram o BNDES até há pouco, porque emprestava dinheiro a juros inferiores. Agora, quando o governo toma uma providência que poderá tornar seus empréstimos menos necessários, os mesmos críticos seguem na pancadaria. Por que? Porque o juro alto é o porto seguro para aquela pequena mas poderosa camada social brasileira que acumula rendimentos no mercado financeiro. Ela condiciona seus investimentos produtivos pela comparação com aquilo que pode ganhar na ciranda dos juros. Enquanto a ciranda financeira render mais, fica tudo como está. Caso a ciranda torne-se menos atraente, ela pode vir a ser estimulada a realizar investimentos produtivos. Nunca fará isso de boa vontade, por espírito empreendedor. Fará porque não há outra possibilidade. O jogo é esse e não é uma disputa fácil. Até porque a ciranda financeira representa um capitalismo sem risco. É um investimento garantido pelo governo e sustentado por toda sociedade. Com juros altíssimos, é difícil imaginar negócio – entre as atividades lícitas, claro – que possa ser comparado. Isso explica o gigantismo do setor financeiro brasileiro, com uma lucratividade sem igual com países desenvolvidos. É natural que essa turma se rebele diante das iniciativas do governo. E é compreensível que procure argumentos de toda ordem para tentar manter seus ganhos. Não acho que altruísmo e egoísmo sejam valores em debate neste universo. Nem se trata de julgar o caráter das pessoas. Estamos falando de interesses concretos. Um país sustenta um sistema financeiro porque ele pode ser útil na ampliação da riqueza da maioria dos cidadãos. Pode gerar empregos, auxiliar no consumo e estimular o progresso. O problema, diz Joseph Stiglitz, Premio Nobel de Economia, é que nós temos, hoje, no mundo inteiro, uma situação anormal – um sistema financeiro que não devolve, à sociedade, nem uma apequena fatia daquilo que recebe. Embolsa a maior parte e entrega migalhas – com se viu na crise de 2008, quando executivos seguiam recebiam bônus milionários depois que seus bancos pediam socorro aos cofres públicos para não fechar as portas. Não custa lembrar que, nos últimos meses, os bancos europeus ampliaram suas reservas em 1 trilhão de dólares, graças ao dinheiro barato oferecido pelo Banco Central europeu. Em vez de colocar o dinheiro em investimentos produtivos que poderiam ajudar na recuperação da economia, os bancos decidiram entesourá-lo – deixando o Velho Mundo à deriva. As diferenças são imensas mas a discussão, no fundo, guarda semelhanças nos dois lados do Atlântico. Por essa razão, o governo brasileiro comemorou a vitória de François Hollande. O impasse político da Grécia é parte da mesma situação. As duas eleições mostraram que, enquanto houver democracia, será difícil convencer a população européia a submeter-se ao sacrifício de Merkozy. Essa é a questão por lá. E também é a questão aqui. Os argumentos que criticam as mudanças na poupança são a torcida contra. Faz parte da democracia. O PT já fez isso no passado, mais de uma vez. Mas essa torcida não tem relação com a maioria política formada no país, que quer a preservação do crescimento e a defesa dos empregos. Foi esse o voto nas urnas que elegeram Dilma em 2010. A crítica a atuação do Banco do Brasil e da Caixa Econômica tem uma razão objetiva e inconfessável. Apoia-se no velho credo privatizante de condenar a iniciativa de oferecer crédito mais barato com o argumento de que só fazem isso porque são estatais. Mas é isso mesmo. Bancos públicos podem e devem tomar iniciativas que não faz parte da lógica dos bancos privados.
Artigo de Delfim Netto na Folha de hoje explica por A + B que os benefícios das mudanças na regras da caderneta de poupança. Sua tese é que o benefício pela queda na taxa de juros irá compensar uma eventual redução nos rendimentos. Os empréstimos ficarão mais baratos e as pessoas vão gastar menos com as prestações acumuladas. Não vou entrar nos números, que estão lá. Mas, como diz o mesmo Delfim, citando Pascal: , “nesses tempos, a verdade é tão obscura e a mentira tão bem estabelecida que não a enxergaremos a menos que nos esforcemos muito”. Em tempos de irracionalidade econômica, é muito fácil esconder interesses verdadeiros e procurar transformar solução em problema – e vice-versa. O Brasil tem uma necessidade histórica de diminuir sua taxa de juros, condição para garantir um crescimento mais saudável. Essa necessidade tornou-se urgente em função do esfriamento da economia mundial, que exige medidas de estimulo ao crescimento. Uma das conseqüências nefastas da taxa de juros alta é que ela obriga o governo a abrir os cofres do BNDES para estimular investimentos produtivos. Você lembra como demonizaram o BNDES até há pouco, porque emprestava dinheiro a juros inferiores. Agora, quando o governo toma uma providência que poderá tornar seus empréstimos menos necessários, os mesmos críticos seguem na pancadaria. Por que? Porque o juro alto é o porto seguro para aquela pequena mas poderosa camada social brasileira que acumula rendimentos no mercado financeiro. Ela condiciona seus investimentos produtivos pela comparação com aquilo que pode ganhar na ciranda dos juros. Enquanto a ciranda financeira render mais, fica tudo como está. Caso a ciranda torne-se menos atraente, ela pode vir a ser estimulada a realizar investimentos produtivos. Nunca fará isso de boa vontade, por espírito empreendedor. Fará porque não há outra possibilidade. O jogo é esse e não é uma disputa fácil. Até porque a ciranda financeira representa um capitalismo sem risco. É um investimento garantido pelo governo e sustentado por toda sociedade. Com juros altíssimos, é difícil imaginar negócio – entre as atividades lícitas, claro – que possa ser comparado. Isso explica o gigantismo do setor financeiro brasileiro, com uma lucratividade sem igual com países desenvolvidos. É natural que essa turma se rebele diante das iniciativas do governo. E é compreensível que procure argumentos de toda ordem para tentar manter seus ganhos. Não acho que altruísmo e egoísmo sejam valores em debate neste universo. Nem se trata de julgar o caráter das pessoas. Estamos falando de interesses concretos. Um país sustenta um sistema financeiro porque ele pode ser útil na ampliação da riqueza da maioria dos cidadãos. Pode gerar empregos, auxiliar no consumo e estimular o progresso. O problema, diz Joseph Stiglitz, Premio Nobel de Economia, é que nós temos, hoje, no mundo inteiro, uma situação anormal – um sistema financeiro que não devolve, à sociedade, nem uma apequena fatia daquilo que recebe. Embolsa a maior parte e entrega migalhas – com se viu na crise de 2008, quando executivos seguiam recebiam bônus milionários depois que seus bancos pediam socorro aos cofres públicos para não fechar as portas. Não custa lembrar que, nos últimos meses, os bancos europeus ampliaram suas reservas em 1 trilhão de dólares, graças ao dinheiro barato oferecido pelo Banco Central europeu. Em vez de colocar o dinheiro em investimentos produtivos que poderiam ajudar na recuperação da economia, os bancos decidiram entesourá-lo – deixando o Velho Mundo à deriva. As diferenças são imensas mas a discussão, no fundo, guarda semelhanças nos dois lados do Atlântico. Por essa razão, o governo brasileiro comemorou a vitória de François Hollande. O impasse político da Grécia é parte da mesma situação. As duas eleições mostraram que, enquanto houver democracia, será difícil convencer a população européia a submeter-se ao sacrifício de Merkozy. Essa é a questão por lá. E também é a questão aqui. Os argumentos que criticam as mudanças na poupança são a torcida contra. Faz parte da democracia. O PT já fez isso no passado, mais de uma vez. Mas essa torcida não tem relação com a maioria política formada no país, que quer a preservação do crescimento e a defesa dos empregos. Foi esse o voto nas urnas que elegeram Dilma em 2010. A crítica a atuação do Banco do Brasil e da Caixa Econômica tem uma razão objetiva e inconfessável. Apoia-se no velho credo privatizante de condenar a iniciativa de oferecer crédito mais barato com o argumento de que só fazem isso porque são estatais. Mas é isso mesmo. Bancos públicos podem e devem tomar iniciativas que não faz parte da lógica dos bancos privados.
terça-feira, 8 de maio de 2012
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