Tudo junto e misturado

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

As mulheres são as maiores inimigas de Dilma

Por Fernanda Dannemann


Fui ao salão fazer as unhas e encontrei minha manicure, que é evangélica fervorosa, uma fera com a Dilma Rousseff por conta da tal história de que a candidata teria dito, em meados de setembro, que “nem Jesus Cristo lhe tira esta vitória”.

-- Só por causa disso vou votar no Serra!

E que dizer a Juliene, minha assessora nos assuntos domésticos, quando ela me sai com esta:

-- Não votei na Dilma porque me disseram que ela é terrorista.

Os ataques pessoais e as calúnias, em tempos de eleição presidencial, não são novidade para o povo brasileiro, mas como desta vez há uma mulher no segundo turno, a coisa está me parecendo mais feia do que no passado. Ou talvez mais violenta, porque ferir a dignidade de uma mulher é sempre mais violento.

No caso específico de Dilma, valente só por comprar a briga de uma candidatura à presidência de um país machista como o Brasil, e acabar sendo taxada de “reflexo” do Lula até pelo intelectual Fernando Henrique Cardoso, os ataques bateram recorde de criatividade: chegaram a dizer até que ela tinha uma amante disposta a pedir pensão na justiça...

E se ela tivesse uma amante? Isso a tornaria inapta para a função de presidente da república?

Depois saíram com a pérola de que ela não podia entrar nos Estados Unidos, por causa do seu passado “terrorista”... não duvido que tenha perdido votos por causa disso. Mais uma vez, minha manicure, que ouve o galo cantar, mas não sabe onde, me perguntou:

-- Afinal de contas como é que uma pessoa pode ser presidente do Brasil se não entra nos Estados Unidos?!

Mas o mais triste de tudo foi saber que Monica Serra, mulher do candidato do PSDB, entrou na dança para contribuir com a desvalorização da imagem feminina nesta campanha, ao dizer que Dilma come criancinhas. Me fez lembrar uma cena que vi, certa vez, lamentável: duas mulheres se digladiando na rua, briga de tapa e palavrão.

Então outra mulher entra em cena, desta vez uma eleitora e ex-aluna de Monica, para contar ao mundo, via Facebook, a respeito de um aborto que a ex-primeira dama de SP teria feito, vinte anos atrás, quando, no Chile, fugia da ditadura no Brasil. E agora Monica passa pela humilhação de ter que engolir suas palavras diante da opinião pública, que por sua vez enxerga o aborto como coisa de gente que devora criancinhas...

Sheila Ribeiro, a eleitora, veio lembrar a Monica que hipocrisia e falso-moralismo também deveriam ser vistos como crime, já que podem gerar tanta desgraça. Se Monica fez aborto, isso é o que menos importa. Mas se teve a sorte de fazê-lo com segurança, melhor seria se tivesse consciência de que outras mulheres também deveriam ter este direito, em vez de terem que recorrer a açougueiros e serem consideradas criminosas.

O que fica de tudo isso é a comprovação de que, para a mulher, todos os caminhos são mais árduos, sobretudo porque ela própria lança as pedras por onde terá que passar. Como diz minha manicure, Dilma não vai longe porque ela não é de Deus:

-- Vai até legalizar o aborto!

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